Sett parecia sério demais enquanto conversava com o presidente da gravadora no corredor. Os ombros tensos eram notáveis, mas ninguém ousaria se intrometer para tentar ajudá-lo a relaxar. Ao menos enquanto não se sabia o que estava sendo discutido dentro daquela sala. Tudo o que tinham de informação era a postura do líder, que podia ser vista de relance através da porta de vidro.
O resto da banda aguardou ansiosamente pelo líder antes de considerar findados os trabalhos daquele dia.
Quando Settrigh finalmente saiu da sala do presidente, seu semblante parecia ainda lutar com a seriedade, como se algo o incomodasse em seu âmago.
— O que aconteceu, Sett? Tá tudo bem? — K'Sante perguntou em tom baixo, aproximando-se e colocando uma mão sobre o ombro do ruivo. — O que o diretor queria contigo?
Sett suspirou e negou com a cabeça, colocando as mãos nos bolsos e pegando um envelope preto em seu bolso.
— Não é exatamente sobre mim, K'Sante... A diretoria da Rosa Negra entrou em contato com ele solicitando uma reunião com a Heartsteel. Eles querem produzir nosso próximo álbum.
K'Sante ergueu as sobrancelhas em espanto. Para qualquer banda independente, aquilo podia parecer uma jogada excelente, mas para eles...
— Essa não é a gravadora antiga do...
— Kayn? Sim. — Sett completou.
O resto do grupo, ao redor, trocava olhares confusos entre si, exceto pelo rapper de cabelos cor-de-rosa, que parecia mergulhado em uma espécie de melancolia profunda.
— Vocês vão me devolver pra eles? — ele perguntou, mas sua voz soou incomumente baixa.
— De jeito nenhum! Nem pense nisso! — o vastaya reiterou. — Ninguém vai ser devolvido pra lugar nenhum! Eu disse ao diretor que nós não temos interesse em nos envolver com a Rosa Negra, nem com nenhuma gravadora além desta na qual estamos. A Heartsteel se orgulha em ser um projeto independente e fora dos padrões da indústria. Não vamos nos dobrar a nenhuma fábrica de ídolos-padrão.
Kayn deu um sorriso triste, mas desviou o olhar para o chão.
— Mas o dinheiro deles facilitaria demais o marketing do próximo álbum. Isso é inegável.
— Não importa. Não estamos dispostos a negociar a liberdade criativa dos membros da banda. Você fez um puta malabarismo pra sair de lá, nós não vamos fazer você voltar. — Sett bagunçou os cabelos rosados de Kayn e lhe deu um sorriso gentil. — Nós somos amigos, Kayn, amigos não abandonam uns aos outros nos momentos difíceis. A gente se apoia.
— Vai ficar cada vez mais difícil, Sett... Eu duvido que eles vão desistir com apenas um "não temos interesse, muito obrigado, compre nosso próximo álbum". — Kayn suspirou, abaixando a cabeça.
Ezreal se aproximou do rapper, colocando uma mão sobre seu ombro e tentando lhe passar algum conforto, acariciando ali.
— Não pensa demais nisso, Kayn. O que quer que eles tentem fazer, vão dar com a cara no muro. Ninguém aqui vai abrir mão de você. Ninguém. Nós somos uma família, lembra? Lembra o que significa "Ohana"?
A menção ao filme Lilo & Stitch fez com que o rapper abrisse um sorriso ainda carregado de notas de melancolia, mas já um pouco mais disposto a seguir em frente.
— Significa nunca abandonar...
— Ou esquecer, manézão. — Sett completou bagunçando os cabelos de Kayn mais uma vez. — Agora vamos voltar pra casa. Vamos passar numa adega e comprar uns gorós pra passar a noite. Esquece o ensaio de amanhã de manhã, a gente vai tirar a manhã de folga pra lavar essa urucubaca da Rosa Negra.
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FanficKayn nota que há algo de errado com ele. Não é mais necessário que ele beba nas festas para que se esqueça do que aconteceu no dia seguinte, e dias inteiros parecem simplesmente ser apagados de sua memória. O medo de ser tratado como louco e expulso...
