Parte 11

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Você sabe o que é um Darkin, Kayn?

Darkins costumavam ser divindades da guerra, mas há muito tempo atrás foram corrompidos e perderam suas formas físicas, sendo então selados  dentro de suas armas. Você pode compreendê-los como um tipo mais poderoso de demônio, se quiser. Imortais, corruptores, perigosos; é como a maior parte das pessoas que sabem de sua existência os descreveriam.

As lendas diziam que quem possuísse as armas de um Darkin teria também seu poder, e em troca seria aos poucos consumido por ele.

Você não precisa acreditar neles se não quiser, mas isso não vai mudar o fato de que eu agora vivo dentro de você.

Aquilo era papo de maluco. Kayn se encarava no espelho e via o reflexo demoníaco de Rhaast. A imagem distorcida de si mesmo alterando-se em uma criatura demoníaca mascarada de chifres grandes e em seguida em uma versão estranha de si, antes de voltar ao normal. Ele estava alucinando.

Abriu o armário atrás do espelho, procurando o pequeno frasco de antipsicóticos prescritos pela psiquiatra. Pegou um comprimido, colocando-o no fundo da boca e engolindo prontamente antes de fechar a porta, voltando a enxergar o reflexo no espelho.

Você não vai se livrar de mim com medicamentos, Kayn. Sua alma me pertence. Eu te protegi várias vezes durante a sua vida e te ajudei a conquistar tudo o que você queria. Você saiu da velha banda e conseguiu uma vaga em uma banda melhor graças a mim, afastou seus parentes inconvenientes graças a mim, conquistou Ezreal graças a mim. Eu não sou seu inimigo. Nós deveríamos trabalhar juntos.

— Rhaast, eu não peguei nenhuma arma milenar, pra começo de conversa. Você quer que eu pare com os remédios porque sabe que vai sumir, já que você é uma alucinação da minha cabeça. — o rapper suspirou, apoiando as mãos na pia do banheiro e se encarando no reflexo.

Você sabe que isso é mentira. Tudo isso é mentira. Você roubou meu corpo físico da coleção secreta de Jericho Swain quando ainda era um moleque. Me transformei em outros objetos para que você pudesse me portar sem ser notado. Meu corpo está guardado dentro do seu quarto, sob a sua cama. Vá lá, eu lhe mostrarei minha verdadeira forma e você vai ver que estou sendo sincero.

Shieda suspirou e revirou os olhos, pendendo a cabeça para trás, cansado de toda aquela ladainha.

— E se fosse real? Por que teria me escolhido como receptáculo em vez do tio Swain?

Não gosto de gente egocêntrica. Prefiro me aliar com fracotes como você. Me faz parecer mais forte. — a fala veio seguida de uma gargalhada que fez Kayn negar com a cabeça, desistindo daquela conversa de uma vez por todas. — Olhe sob a cama, tire suas conclusões. Conversaremos noutra hora.

A voz silenciou. Kayn pensou que talvez fosse o antipsicótico fazendo efeito, mas a curiosidade já lhe tinha mordido de forma irremediável. Não custava nada dar uma olhadinha, afinal.

Saiu do banheiro, voltando então para o quarto. Ezreal ainda não tinha chegado, então o local estava vazio. Abaixou-se ao lado da cama e espiou ali, os olhos encontrando um case de couro preto, o qual rapidamente puxou. Uma guitarra.

Ele não se lembrava daquele objeto. Sabia tocar, mas não se lembrava de tê-lo, ou ao menos não se lembrava até aquele momento, até abrir aquele case e olhar os detalhes daquela guitarra verde com detalhes em tons de rosa e roxo neon. Seus dedos tocaram o objeto e sentiram um calor estranho irradiar do mesmo. Retirou a guitarra de dentro do case e a segurou com cuidado, confusão estampando seu rosto. A guitarra pulsou e então começou a mudar em sua mão, assumindo a forma de um pedestal. Ele se lembrava daquele pedestal, o tinha usado em várias ocasiões, inclusive no teste para a Heartsteel. Engoliu seco.

Placeholder (EzKayn)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora