O problema não era trocar alguns amassos com outra pessoa; Yone era solteiro até onde se entendia, e o caso dele com Aphelios e até mesmo com Sett era algo... complicado. Aphelios era apaixonado por Yone, mas também por Sett. Sett era apaixonado por Aphelios, mas tinha um pensamento bastante progressista no que dizia respeito a aceitar as ideias "meio tortas" do namorado, e então estava aproveitando para curtir aquele lance fora do padrão com Yone. Yone... bem, Yone gostava de Aphelios, mas não saberia dizer se estava apaixonado, só que tinha o coração aberto para o que pudesse surgir daquele lance. Ele não sentia nada específico em relação ao vastaya, porém; tesão, talvez — não, certamente.
Mas quando se tratava de K'Sante o jogo era outro. K'Sante não tinha sido apenas um lance carnal, ele tinha sido a pessoa que segurava sua mão e afastava suas inseguranças. Ele tinha sido o rosto que o japonês mais queria ver ao fim do dia, e talvez por isso as coisas tinham esfriado tão rápido quando a agenda ficou lotada demais para encaixar os sentimentos dentro dela.
O negro acariciou seu rosto com gentileza e Yone fechou os olhos e suspirou, o cheiro do perfume dele adentrando suas narinas, trazendo de volta as lembranças de um romance secreto, mas não menos intenso, não menos bonito. Lembranças das caminhadas noturnas pelo parque, dos beijos trocados sob um carvalho de onde gostavam de observar as estrelas. Imagens e sensações; dedos entrelaçados, juras de amor no silêncio da noite, promessas não ditas que se esvaíram com os raios de sol da manhã.
— É demais, sim, mas eu acho que tudo bem. A gente não teve tempo de acertar as coisas, talvez eu tenha sido rápido demais, seco demais. — admitiu, se dando por vencido.
Talvez fosse um erro, mas quem não erra? Talvez fosse se arrepender depois, mas seria apenas mais um dentre tantos arrependimentos que o japonês carregava na bagagem.
K'Sante sorriu de leve por não ter sido rejeitado, mas aquilo não era o bastante. Não era só sobre obter a permissão para beijá-lo, ele precisava das verdades não ditas, precisava de uma confissão, das palavras que pareciam tão complicadas de organizar.
O cantor selou os lábios do produtor carinhosamente, sua barba roçando no rosto de Yone como uma carícia suave. O gosto nostálgico tomando o paladar, a sinergia boa do beijo conhecido do qual sentia falta. Os lábios se abriram juntos, permitindo o aprofundamento daquele contato íntimo e gentil, carregado de sentimentos confusos, de saudades bloqueadas por uma fachada de discrição.
Credo, K'Sante quase se sentia jogado de volta ao armário, trancafiado lá durante meses sem poder expressar o amor que sentia por aquele homem de trejeitos ríspidos e coração gentil.
As mãos de Yone se apoiaram no peitoral de K'Sante, subindo sem pressa até o pescoço dele, desenhando as linhas de seu trapézio antes de acariciarem sua nuca. K'Sante, por sua vez, o segurava gentilmente pelo queixo, enquanto a outra mão descia para repousar na cintura delgada do asiático, puxando-o um pouco mais perto. Ele sentia tanta falta daqueles lábios que podia chorar.
As línguas se envolveram sem pressa, relembrando o sabor de tantos beijos trocados, explorando aquele território já conhecido como se fosse a primeira vez. E quando o beijo terminou, em uma repetição carinhosa de vários beijinhos suaves, K'Sante sentia o coração se apertar mais uma vez de um jeito doloroso dentro do peito.
Yone não era mais seu.
Abriu os olhos devagar para ver o rosto sereno do japonês ainda com os olhos fechados. Os cílios escuros repousando sobre as maçãs do rosto, as cicatrizes leves que marcaram o lado esquerdo de seu rosto, e que estavam frequentemente cobertas por maquiagem, mas não ali. Ali ele estava limpo, estava como realmente era, perfeito em todos os seus detalhes e marcas.
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Fiksi PenggemarKayn nota que há algo de errado com ele. Não é mais necessário que ele beba nas festas para que se esqueça do que aconteceu no dia seguinte, e dias inteiros parecem simplesmente ser apagados de sua memória. O medo de ser tratado como louco e expulso...
