Outono
32 semanas
O grande problema em cidade pequena é que não acontece muita coisa, e quando acontece rapidamente todos sabem. A história que rolava era que Sakura havia fugido com Sasuke, e atearam fogo na casa do pastor como distração.
Não fazia sentido, mas não impedia que a fofoca rolasse solta entre os habitantes locais. Afinal, era algo empolgante a se pensar, absurdo, mas animador.
O estado de Karin era estável, porém delicado. Sasuke e Sakura precisaram passar por exames para ter certeza que estava tudo bem. O pastor Minato aproveitou a oportunidade para conversar com os futuros pais.
Todo mundo queria saber o que havia acontecido, onde estavam, o que faziam. Se tinham fugido mesmo, ou se era somente coincidência. Sasuke fez um check-up rápido e foi liberado. Sakura passaria a noite em observação.
Dizer que Ino estava feliz por finalmente saber do paradeiro do namorado era uma grande ironia.
A garota passava a mão sobre a franja puxando-a para trás a cada três segundos enquanto Sasuke mais uma vez lhe dizia o que havia ido fazer com Sakura no "meio do mato".
Ela, claro, não engolia.
Sasuke bufou pela enésima vez deitado em sua cama – de barriga para cima, um braço embaixo do pescoço e o outro cobrindo os olhos. Enquanto ouvia os passos irritadiços da loira contra o chão.
– Eu não tô acreditando nisso. – Sorriu descrente.
Sasuke virou para o lado abraçando o travesseiro e fingindo dormir. Talvez se ele ficasse quieto ela iria embora.
Talvez se ele dormisse descobriria que estava sonhando.
Era tudo um grande pesadelo.
Tinha que ser.
– A porra do mundo acabando, e você brincando de família feliz com a Sakura? – Soltou um riso baixo pelo nariz, a mão na cintura – O que vem depois? Vai pedir ela em casamento? Não, pera, deixa eu adivinhar: você já pediu. Não é!? – Esbravejou. – Quer saber, é isso que eu ganho por fazer as coisas do seu jeito. – Reclamou.
Sasuke tateou a cama trás do celular, abriu o app de músicas e conectou o bluetooth ao som ambiente, tornando qualquer tipo de conversa inviável entre eles.
Assim talvez tivesse um pouco de paz.
Já havia levado sermão de Sai, do pai da Sakura, do seu próprio pai, do pastor, até mesmo de Itachi e Sasori, e agora de Ino? Quem faltava agora? Ele estava tentando fazer a coisa certa.
Não era assim que funcionava? As mães não faziam aqueles books idiotas com o pai do bebê?
Ele ia ter um menino, e estava animado para um caralho com isso, mesmo que não demonstrasse tanto. Teria alguém para chamar de seu, alguém que o amaria incondicionalmente. Finalmente conheceria o tal do amor fraternal.
Ninguém veio lhe dar os parabéns, ninguém disse "Poh, cara, um menino! Que legal". Via as pessoas cumprimentarem Sakura pelo menino, "um herdeiro", "Que sorte", "Já escolheu o nome?". Por que com ele era diferente? Ele havia participado! Ele era o pai! Ele tinha dado uma boa contribuição.
Mesmo aqueles que reprovavam, julgavam e condenavam a gravidez precoce, eram capazes de dizer palavras de conforto diante da Sakura. Enquanto ele, só recebia olhares acusadores.
Qual era o problema com toda aquela gente hipócrita?
Mesmo sem saber como seria, só queria dar seu melhor para aquele bebê, sabia o que a ausência de carinho e amor poderiam fazer. Sabia como era ver os pais dos coleguinhas irem as festividades enquanto ele ficava sozinho em um canto. Sabia o que era não ter pais, mesmo que os tivesse.
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Por Que Eu?
Fiksi PenggemarNenhum deles sabia no que estava se metendo. Bom, talvez ele soubesse, mas jamais admitiria isso. Quinze anos, época de aprendizado, libertação e independência. Sakura havia acabado de completar seus tão sonhados quinze anos. Sua vida toda estava...
