Capitulo 44

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Giro a bebida no copo, sentindo o aroma forte subir imediatamente. Não havia nenhuma nota floral ou frutada. Só álcool barato e algo amargo demais para ser agradável.

O gosto era forte, mas álcool era álcool. Não podia esperar muito de uma bebida de contrabando.

- Isso é horrível - comentei com uma careta enquanto o líquido descia queimando pela garganta.

Hazel riu - Tá vendo? Experiência cultural.

Bufei pelo nariz, apoiando o cotovelo na mesa - Fuyumi teria adorado essa porcaria.

Me arrependi assim que falei. O clima pesou imediatamente.

Hazel inclinou a cabeça levemente - Ainda não quero acreditar que foi o Aiden...Quer dizer, tava na cara que ele gostava dela

- Não queria falar disso agora -Minha garganta arranhou levemente quando terminei a frase.

Hazel assentiu devagar -É...desculpa

Soltei um suspiro cansado

-Um bom mentiroso faz até a pessoa mais inteligente questionar o óbvio.

Hazel soltou um som curto de concordância

Tomei mais um gole tentando ignorar a sensação ruim na garganta. A ardência piorou. Passei os dedos discretamente pelo pescoço.

Hazel me observou por um instante - Você tá bem?

- Essa bebida é realmente horrível

- Então para de beber isso. Eu só trouxe porque parecia caro o suficiente pra você aceitar.

Revirei os olhos - Você nem tomou.

- Porque o cheiro já me fez perder a coragem.

Aquilo me arrancou uma risada. Minha cabeça começou a ficar estranhamente pesada. Provavelmente a bebida já estava me deixando bêbada.

- Mas quanto mais penso, mais as coisas fazem sentido - Hazel comentou - Aiden sempre esteve lá nos momentos em que algo estranho acontecia.

Minha garganta pigarreou e dei uma leve tosse. Tomei outro gole para umedecer a garganta. Estava começando a me acostumar com o gosto.

- Quando encontrei a Fuyumi, ele já estava lá... Estava lá quando a corda que quase te matou foi cortada, nunca tinha um álibi quando coisas desapareciam.

Meu sangue gelou. Hazel pareceu não ter percebido ainda.

- Ele estava em uma distancia segura quando teve a explosão e era ele que estava cuidando da carne que estragou "misteriosamente".

Meu coração batia rápido, a respiração passava com dificuldade pela garganta, comecei a tossir violentamente.

Olhei minha mão quando parei de tossir. Sangue.

- Merda, isso é sangue?- Sua voz tinha uma preocupação que agora eu entendia que era fingida.

Minha respiração falhou. Olhei para o copo.

A velha.. A porra da velha..

"Sob o véu da noite, onde a brisa sussurra, um veneno silencioso, um destino que se apura. A morte, disfarçada de néctar, espera paciente, na próxima taça, a ceifa será iminente." Burra, burra, puta que pariu, burra pra caralho. Tomei no cu, mas porra, onde estava o néctar nessa porra?!

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⏰ Última atualização: Jun 27 ⏰

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