XVII : BELAS CICATRIZES.

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  O tom da voz de Hyunjin fez o coração de Lee Mi-suk tremer.

  Ela se afastou dele devagar, o fitando com curiosidade, seu coração temeroso. Os olhos do príncipe pareciam distantes, o corpo rígido.

  O homem engoliu em seco, erguendo-se vagarosamente. Lee o ajudou a levantar de onde estava sentado, percebendo suas mãos geladas e trementes.

  Então Hyunjin se pôs de pé diante dela, evitando encarar seu rosto. Mi-suk suspirava ansiosa, aquele silêncio quase palpável a agoniando.

  Os joelhos do príncipe pareceram vacilar quando ele se virou de costas para a moça. Sua respiração era errante no instante em que tirou as calças emprestadas, deixando-as caírem sob os próprios pés.

  Mi-suk o contemplava confusa, mas quieta, sem saber como agir. Como pensar.

  No entanto, perdeu o fôlego quando o homem a sua frente, com os ombros curvados, tirou a camisa. Não por finalmente vê-lo após tanto tempo. Não por perceber que finalmente poderia tocá-lo como antes fizera.

  Mas sim, por ver cicatrizes horrendas e monstruosas marcando toda a pele dele.

  As cicatrizes se erguiam do tornozelo até a base do pescoço. Cada mínimo centímetro ferido, rasgado, molestado. Algumas menores, quase imperceptíveis. Porém... haviam enormes, tortas, irregulares, umas por cima das outras.

  Não existia sequer uma parte livre das marcações, das punições.

  Mi-suk sentiu vontade de vomitar. Jamais vira coisa tão horrível, nem em si mesma, nem em ninguém. O que acontecera a ele enquanto ela lutava para sobreviver...

  Seus sentidos se emaranharam, a visão embaçou, a garganta fechou. A moça estava prestes a desmaiar quando Hyunjin se virou defronte para ela novamente.

  E desta vez, as marcas eram piores.

  Ela cobriu a boca, as lágrimas vindo sem permissão.

  Assim como nas costas, haviam cicatrizes de todos os tipos e tamanhos, preenchendo todo o tronco, braços e pernas.
 
  Mas a pior delas, era a que se estendia do ombro esquerdo até abaixo do peito direito. Uma linha reta, partindo o torso do homem ao meio.

  Mi-suk não conseguia falar, sequer manter-se em pé. O Hwang respirava pesadamente, a cabeça ainda abaixada, escolhendo encarar o chão do que os olhos assombrados da mulher que amava.

  A mente da moça estava um turbilhão. Como Hyunjin sobrevivera àquela dor? Por que fora torturado de maneira tão desumana? Como suportara sofrer tanto?

  Ah, como ela desejava que tal sofrimento passasse para ela. Que as cicatrizes marcassem a pele dela, não a dele. De repente, seu braço antes deslocado e as vezes em que a morte quase a levara, jamais soaram tão insignificantes.

  Seu coração pesava uma tonelada dentro do peito. Entretanto, mesmo em passos vacilantes, ela se aproximou do homem ferido a sua frente. O homem que ela amava.

  E Hyunjin, por sua vez, sentia-se podre. Nu, miserável, sujo, indigno. Mi-suk já conhecera seu corpo antes, mas não dessa maneira. Não tão imundo.

  Ainda se recusando a olhar para a Lee, o choro inundou seu rosto enquanto o medo consumia seu coração como se fosse um banquete. Ele quis encolher-se até desaparecer. Sua alma berrava.

  E se ela o rejeitasse agora que ele não passava de um corpo maltratado? E se ela o repudiasse? Se sentisse nojo dele? E se ela...

  — Meu amor.

𝐓𝐡𝐞 𝐎𝐮𝐫 𝐏𝐫𝐨𝐦𝐢𝐬𝐞 II | 𝗛𝘄𝗮𝗻𝗴 𝗛𝘆𝘂𝗻𝗷𝗶𝗻.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora