XII : AÇO e SANGUE.

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❗: ALERTA DE GATILHO
assédio sexual.

29 de SETEMBRO, 1453
DOZZA, COREIA. REINO do SUL.

O vento cantarolava friamente naquela madrugada, e o coração de Hyunjin tremia.

Libertaram-lhe das correntes, e o tiraram da cela com força. Ele sentia a dor roer seus ossos, cada centímetro, um a um, mas tentou permanecer em pé.

Deram-lhe um banho completo, e ele se sentiu exposto, humilhado, como um animal. Os soldados o viram totalmente, seu corpo desnutrido e nu, cheio de marcas. Estava limpo, porém jamais sentiu-se tão podre.

Colocaram uma roupa limpa sob seus ombros e limparam suas feridas, e sua cabeça estava a mil. Perguntava-se o porquê daquilo, e sentia-se como se estivesse sendo preparado para um banquete, para ser engolido vivo.

Entretanto, suas mãos ainda estavam presas em algemas de ferro, declarando que jamais poderia voltar a ser livre, como sonhava. Ele não podia mais suportar a dor nos punhos, as cicatrizes em carne-viva. Sua alma perturbava-se dentro de si, agitada e trêmula, com medo.

Os homens o levaram, e Hyunjin passou por aquelas paredes tão conhecidas, aqueles corredores tão familiares, mas também tão diferentes, afetados pela guerra.

O palácio não transmitia mais a paz que possuíra outrora. Sua estrutura parecia gritar, implorar por socorro, porém estava vazio e silencioso — e este silêncio causava-lhe pavor.

Hwang engoliu em seco, e mal podia respirar. Os vermênianos fizeram-no subir escadas e escadas, e suas pernas reclamaram.

Assim, chegaram num corredor extenso, e o prisioneiro reconheceu onde estavam: o leste do castelo, a ala dos quartos, da biblioteca, da sala de jantar.

Então, ele lembrou-se do quanto fazia este percurso todos os dias e noites, quando fugia do quarto e ia até a biblioteca para encontrar-se com a mulher que amava, quando sua única preocupação era a coroa. Recordou-se de quando tinha permissão para viver.

Um nó formou-se na sua garganta, e as lágrimas quiseram vir. Uma gota escorreu, quente, e o homem não pode enxugá-la.

Continuaram o percurso, passando pela frente de uma porta de madeira dupla com maçanetas douradas, as quais encontravam-se sujas e descascadas. Correntes trancavam o local firmemente, e ele pôde ouvir, baixinho, gemidos de choro e vozes em oração.

Era a porta da casa dos livros, como Mi-suk chamara, e ele notou que os criados dormiam ali, presos como bichos, e culpou-se por não poder ajudá-los — Hyunjin estava tão miserável quanto eles.

Seu antigo refúgio, agora usado para aprisionar almas sofredoras.

Antes dele sentir a angústia devorar seu coração, os soldados o tiraram dali, e passaram por mais duas portas, até chegarem na mais alta. A madeira fora desenhada com duas coroas e uma rosa no meio delas, como se dançassem. Duas tochas iluminavam o portal, uma de cada lado, e ele sentiu um arrepio no momento em que percebeu.

Era o antigo quarto do rei, o quarto que ele herdaria. Sua respiração falhou, e pensou que os joelhos iriam vacilar quando um soldado bateu na madeira, anunciado que estavam ali.

— Coloquem-no para dentro — aquela voz alta e cheia de soberba soou.

Um músculo no rosto de Hwang se retraiu, e o sangue pulsou nas veias com força. Estava com medo, apavorado. Os ocidentais abriram a grande porta, e o luar beijou o rosto magro dele, recebendo-o.

𝐓𝐡𝐞 𝐎𝐮𝐫 𝐏𝐫𝐨𝐦𝐢𝐬𝐞 II | 𝗛𝘄𝗮𝗻𝗴 𝗛𝘆𝘂𝗻𝗷𝗶𝗻.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora