Capítulo 25 - Seus braços.

329 26 14
                                        

[Nathalie's P.O.V]

Dizem que sua vida passa pelos seus olhos quando você está perto da morte. Você relembra suas melhores memórias e tudo passa como um filme. Eu sempre achei que fosse uma boa maneira de morrer, sabe? Morrer feliz lembrando dos momentos bons da sua vida.

Mas quando eu estava lá, meu corpo perdendo de pouco em pouco a vontade de lutar, a vontade de manter meus olhos aberto, eu não vi minha história, eu não vi minhas lembranças. Só uma coisa ficou em minha mente o tempo inteiro, quer dizer, uma pessoa.

Seu sorriso, suas mãos juntas das minhas, a maneira que ele ficava tão tranquilo enquanto dormia com a boca entreaberta, a maneira que ele tratava os amigos e os fãs. Ele por inteiro. Kian. Juro que aquela seria uma ótima maneira de morrer. Foi ai que escutei sua voz, sua voz doce, com um pingo de preocupação, me procurando. 

Não sabia se era coisa da minha mente ou se ele estava realmente lá. Escuto a porta arrebentar e vejo o menino correr até mim. Estava tão difícil permanecer acordada. Seu toque já não era mais quente como de costume. Seus braços levantando meu corpo mole e quase sem vida. O cheiro de seu perfume penetrando minhas narinas me fez sorrir, sorrir de verdade. 

Em seus braços, era uma ótima maneira de morrer.

Foi ai que ele correu para o lado de fora, me colocou no carro e começou a dirigir em alta velocidade. Ele está me levando no hospital, pensei. Não da mais tempo, pensei. Ele gritava para eu permanecer acordada, gritava que eu não podia deixa-lo, mas estava tão, tão difícil. Meu corpo lutava para desistir, mas de alguma maneira, meu coração continuava batendo e batendo a cada palavra que saia da boca do menino.

Então, chegou o momento. Meu coração vacilou e perdeu as forças, senti que estava na hora. Respirei fundo pela ultima vez, e com o minimo de força que restava em meu corpo, disse que o amava. Fechei os olhos e pela primeira vez, senti paz. A dor em meu peito havia sumido, os demônios que me acompanhavam se despediram, minhas cicatrizes já não pareciam mais tão feias. Eu estava bem. Estava e não estava.

Sinto um choque forte em meu peito que me trouxe de volta a realidade. A luz forte queimava o meus olhos e eu não sabia onde estava. Esse é o tal céu? Vozes gritavam em minha volta e eu estava tão confusa, tão perdida. 

Foi ai que a imagem embaçada de uma moça com o rosto simpático e feliz olhou para mim. Gritou um 'ela acordou, nós conseguimos!' e foi ai que a fixa caiu. Não, eu não estava no céu, eu não estavam nem morta. Salvaram alguém que não sabe se queria ser salva...

Eu ainda sentia meu corpo tão fraco. Minha cabeça doía como se uma manada de elefantes tivesse passado correndo por ela. Correndo não, andando bem devagar para doer mais. Trocaram o quarto que eu estava e eu estava tão cansada que dormir. No fundo, eu pedia baixinho para fechar os olhos e não acordar mais.  Eu pedia para ser apenas um sonho e eu não acordasse mais. Mas eu também sabia que não, não era um sonho.

Acordei com uma forte dor na garganta. Tossi a procura de ar e percebi que Harry estava ali quando me entregou um copo de água. Seus olhos estavam vermelhos, junto com as bochechas e os lábios. Seus olhos passavam alívio e preocupação. Olhei em volta e por alguns segundos, não lembrava onde estava ou o que havia acontecido. Foram os melhores segundos.

Tudo voltou a tona como um tapa na cara. As lágrimas escorriam pelo meu rosto e eu não conseguia parar. Levei minhas mãos para meu rosto abafando os soluços. Senti Harry sentar ao meu lado e me dar um 'ombro amigo' para chorar. Pedidos de perdão saiam da minha boca sem parar. Harry assentia e dizia que está tudo bem.

Depois de um tempo quando havia parado de chorar, escutei a porta deslizar e parecia que não existia mais ninguém no mundo. Kian estava parado com as mãos no bolso e os olhos vermelhos me olhando. 

I Wouldn't Mind.Onde histórias criam vida. Descubra agora