Capítulo 11 - Aeroportos

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Sabe quando você acorda mas tudo ainda parece um sonho? Você tenta até se beliscar pra vê se acorda, mas é a realidade. Foi assim que eu acordei, sentindo o peitoral do Kian se mexer pela minha bochecha, seus braços me esquentando, seus olhinhos fechados e rosto tão tranquilo. Eu poderia acordar assim todos os dias. Para, Nathalie. Você sabe muito bem o que aconteceu quando você tentou ter esse tipo de relacionamento com alguém. Só quebrou a cara e quem saiu ferida foi você - Literalmente. Espantei todos esses pensamentos e me levantei quase parando, para não acordar o menino. Escutei ele resmungar algo e fazer uma cara feita enquanto abraçava o travesseiro.

Fui até minha mala e peguei um short de moletom e uma camisa sem manga que mostrava o sutiã e minha barriga pelo lado. Comecei a tomar banho bem lentamente, lavando o cabelo e lembrando da noite passada. Estava de olhos fechados enquanto passava sabonete quando perdi o equilíbrio e fui de bunda no chão. Uma risada super alta veio do lado de fora do box.
- AI PORRA! QUE SUSTO. - Gritei no chão e escutei a risada aumentar.

-Des-desculpa Nath. E-Eu não qu-queria te assu-assustar. - Risos, risos e mais risos. Revirei os olhos e me levantei.

-Qual é a graça?

- Você. Tão pequena e tão desastrada. - Abri uma brecha no box colocando apenas a cabeça pra fora dando língua para Kian que estava sentado no chão com a mão na barriga rindo. - Criança.

-Olha quem fala - Rebati tirando o shampoo que começava a cair nos meus olhos.

-Não sou eu que tem medo do escuro... - Ainda ria de mim.

-Não sou eu que... - Eu não tinha nada pra rebater - Ah, cala boca.

-Venci! - Consegui vê-lo, pela sombra no box, levantando os braços comemorando.

-Mas então, posso saber porque você esta aqui?

-Ah, eu tava com tédio e queria conversar.

-E eu que sou a criança.

-Cala boca, dezessete. - Ele é só dois anos mais velho e me trata como se eu tivesse 5 e ele 50.

- Vem calar. - Fiz questão de deixar aquele ar sarcástico no ar, mas parece que ele não percebeu - ou ignorou totalmente - porque assim que fecho a boca me arrependo amargamente.

Sem pensar duas vezes o menino entrou em um pulo no box ainda passando a cueca, que usava, pelos pés.

-Mas que mer- Não deixou com que eu acabasse de falar. Me empurrou na parede fria do banheiro me beijando tão intensamente que se ele não tivesse me segurando, eu juro que iria cair.

Passamos uns dois minutos assim, até que precisavamos de oxigenio.

- Calei. - Aquele sorriso convêncido nos lábios enquanto as duas mãos permaneciam em minha cintura.

O empurrei e me meti de baixo do chuveiro tirando o resto de condicionador que tinha em meu cabelo. Acabei o banho e o deixei sozinho acabando de se lavar.

Eu não estava com a minha vontade de sair. Fui até minha mala e pequei uma calcinha, e um short de pijama preto. Um sutiãn também preto e parei procurando uma camisa. Estava um pouco frio então precisava de algo mais quentinho. Achei uma camisa xadrez vermelha que estava na cadeira e vesti. Ela ficava bem grande, chegando até metade das minhas pálidas e magrelas coxas, escondendo o short que usava. Me joguei na cama e liguei a tv procurando algum filme.

Achei 'Pronta para Amar' e fiquei assistindo pela décima vez - e chorando nas dez. Kian saiu um pouco depois com uma toalha na cintura ainda secando o cabelo. Foi até o closet e voltou usando uma skinny preta e um all star cano alto preto. Ele ficou andando de um lado para o outro no quarto. Entrava e saia do closet. Virou pra mim como se fosse perguntar algo e fechou a boca com um sorriso e as mãos na cintura.

I Wouldn't Mind.Onde histórias criam vida. Descubra agora