[Nathalie's P.O.V]
Antes dormir era a coisa que eu mais amava no mundo. Se eu estivesse me sentindo mal, eu dormia. Se eu precisasse me acalmar, eu dormia. Se eu estivesse feliz... Bem, eu dormia.
Então os pesadelos começaram. A coisa que eu mais amava no mundo, passou a ser a coisa que mais me dava medo. Acordar todas as noites gritando e suando frio, tendo que ver o desespero de seus pais após correrem até seu quarto às três da madrugada por sua causa, as crises de paralisia do sono eram as piores, com certeza.
Imagine acordar no meio da noite e perceber que você não pode mover nenhum músculo. Você não pode ver nada pois está escuro, mas você parece sentir a presença de algo estranho no quarto, próximo à sua cama – ou sobre seu peito, te sufocando. Aterrorizante, não? Esse fenômeno é chamado de paralisia do sonos e era meu maior inimigo.
Para a minha 'alegria' não era tão rotineiro. Pode-se dizer que acontecia uma vezes a cada 5 meses, mais ou menos. Mas, com certeza, era a pior sensação do mundo. Eu acordava e não conseguia me mexer. Eu acordava e não conseguia gritar quando via aquela coisa misteriosa parada ao meu lado. Aquela imagem de um monstro igual a uma sombra ao meu lado cada vez mais perto. E a vontade de correr, gritar, chorar mas a unica coisa que você consegue fazer e observar. Observa-lo chegar cada vez mais perto, com aqueles olhos vermelhos como o fogo, as mãos arrastando pelo chão e aquele sorriso... O sorriso mais cínico que já vi na vida. O sorriso de controle sobre seu corpo.
E ele brinca com você. Ele brinca com a sua mente. O rosto negro chega a centímetros do meu. Eu consigo senti a sua úmida respiração em minhas bochechas. Ele se prepara pro ato final. Ele se prepara para receber as palmas - Ou melhor dizendo, os gritos. - Ele levanta um dos seus braços lentamente te deixando ainda mais desesperada. E ele sorri ainda mais antes de levar sua mão até seu rosto, então você volta a ter controle do seu corpo quando consegue se levantar ao meio de gritos. As lágrimas correm desesperadamente pelo meu rosto, minhas mãos tremem e na maioria das vezes, eu não consigo segurar nada em meu estômago. Tudo se transforma em um pesadelo acordada, literalmente. Minha madrugada se transforma em gritos, vômitos, e choro.
O monstro tem amigos que transformam cada paralisia diferente, cada uma pior que a outra. Quando chega a hora de dormir, meu corpo se enche de medo e eu desisto. Desisto de dormir. Noites e noites acordadas. Mas é claro que chega uma hora que não dá e eu acabo adormecendo apenas para acordar horas depois gritando após um pesadelo.
O engraçado é que desde que conheci Kian, desde que me mudei para a Califórnia e fiz amigos, os pesadelos diminuíram. No começo, eu ainda tinha noites feias mas elas foram diminuindo. Chegou no momento de ter, mais ou menos, três pesadelos por mês - Que era um enorme avanço, segundo minha psicologa.
Porém, como minha vida não são apenas flores, desde a recaída os pesadelos voltaram a acontecer.
Aqui estou eu duas e quarenta da madrugada sem conseguir mover um dedo. Os olhos abertos em desespero, Tate dormindo tranquilamente entre minhas pernas, e aquele 'velho amigo' sentado na cadeira afastado da minha cama. Seus olhos estão conectados com os meus. Eu já conheço tão bem essa sensação que já não me desespero tanto como no começo. Mas dessa vez algo está diferente. Meu velho amigo está mais calmo que o normal, os dedos entrelaçados e simplesmente esperando algo acontecer.
Como um vulto, ele apareceu ao meu lado. A respiração tocando minhas bochechas e eu sentia seu olhar petrificar minha pele. Ele parecia com mais raiva que o normal, parecia a procura de vingança. Talvez esteja com raiva do tempo que ficamos sem nos encontrar. Ou talvez seja raiva por eu ter conseguido melhorar um pouco, ter vivido mais.
Então, como todas as vezes, ele levantara sua mão devagar indo em direção ao meu rosto, mas dessa vez, quase como um tapa, sua mão gelada encostou em meu pescoço quase como se quisesse me enforcar. Com isso, consegui o controle do meu corpo e agora estava entre gritos e tossidas.
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I Wouldn't Mind.
Romansa-Promete que vai ser sempre assim? -Assim como? -Eu, você, passeios de carro e musica boa. Mas, principalmente, eu e você.
