Capítulo 1 - Nathalie, prazer.

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Aqui está o primeiro capítulo, é basicamente Nathalie tentando explicar os sentimentos e tudo que aconteceu. Espero que gostem.

-B

[Nathalie P.O.V]

Ok, tudo começou quando eu reprovei, foram os meses mais difíceis da minha vida, eu emagreci muito, quase não falava com meus amigos, não saia do quarto. Tomava escondida remédios para dormir, e virava a noite fazendo a unica coisas que tiravam minha mente de meu corpo, ver series. Escutei muitas vezes minha mãe chorando e dizendo que a culpa era dela. Ouvi ela gritar que eu era uma irresponsável que só pensava em si mesmo e não acordava pra vida real. Gritou muitas vezes que estava decepcionada e que tinha vergonha de mim. Não vão pensando que meu relacionamento com meus pais é algo desagradavel, pelo contrário, meus pais são maravilhosos, sempre me apoiaram em tudo e me amam mais que tudo. Mas vocês também tem que entender como deve ser ruim para uma mãe ver sua filha perder o ano por burrices. Não estou dando motivos para o jeito que falaram comigo durante bastante tempo, eles não entendiam que se era ruim pra eles, imagina pra mim. Eu chorava, chorava e chorava. Precisava de remédios para dormir e sempre dormia com as bochechas vermelhas e as lagrimas secas em meu rosto. Cheguei ao extremo, me trancava no banheiro e desenhava em meu próprio corpo vendo o sangue cair no piso do box enquanto eu chorava baixo para ninguem perceber. Era alguns cortes fundos e uns mais fracos. Passei noites e noites naquele chão frio chorando minha alma até só conseguir sentir os cortes latejarem. Foram semanas escondendo tudo de todos, começei a sair de casa só porque meus amigos ficavam insistindo tanto que não me deixavam em paz. Só usava casacos, ou camisas de manga longa, e todos ficavam me olhando como se eu estivesse doente por sair com roupas quentes no verão do Brasil. Eu apenas bufava e ninguem desconfiava. Ninguem. Quando começou as aulas, eu não falava com ninguem da minha nova turma, contava até os segundo pra poder sair de lá e só me sentia confortavel quando estava entre meus amigos. Foi no primeiro dia de aula que eu vi seus olhos verdes atentos no celular no final da sala do 1 ano (Eu estava no 9 ainda). Depois descobri que o nome do dono dos olhos mais lindos de todos era Rodolfo. Lembro que um grande amigo meu, Felipe, veio todo feliz falando que tinha um novato com os olhos mais lindos do mundo (Por incrivel que pareça, ele não é gay, só se faz). Fiquei parada na porta babando por aquele menino, ele era lindo de um jeito unico, com cara de tédio para todos que passavam perto. Mal sabia que me apaixonaria por ele de todas as formas possiveis. Alguns meses depois, ele já estava enturmado com meu grupo, e sempre arranjava um motivo para falar comigo. Nosso primeiro beijo foi todo organizado pelo pessoal, esconderam tudo de mim e fingiram ser só mais uma tarde de conversa. De repente, deixaram escapar que ele queria ficar comigo e seria hoje. Não sabia quem estava mais nervoso, eu tremia tanto que parecia uma gelatina e ele me ignorou a noite inteira. Até que finalmente, depois de brigarem com ele por me ignorar e ele tentar explicar que estava muito nervoso e que não sabia o que falar comigo, ele sentou ao meu lado no quintal da casa e ficamos um tempo conversando sobre besteiras, depois de muitas bochechas vermelhas e vários sorrisos envergonhados e nervosos, senti seus lábios quentes juntos com os meu pequenos e machucados. A partir desse dia, ficamos mais conectados que nunca. Começamos a namorar e dar inveja a qualquer um que passava. Ele conseguiu guardar toda a tristeza que eu sentia em uma grande caixa dentro de mim, e fez eu ser totalmente dele e ele totalmente meu. Ele era bem maior que eu (Todos são pelo fato de eu só ter 1,53), e seu abraço me dava uma proteção sem igual. Ele era minha âncora, meu porto seguro, meu tudo. Quando fizemos 9 meses, descobri que iria me mudar pra outra cidade, prometemos que isso não iria mudar nada, seria apenas um ano longe então ele faria vestibular pra lá e viveriamos felizes para sempre. Eu acreditei em todas as palavras. Já estavamos com 1 ano e um mês quando nos vimos naquele aeroporto frio apenas esperando pra eu entrar na sala de embarque. Quando chamaram meu vôo, todos meus amigos me abraçaram apertado e se controlavam para não chorar. Ouvi muitos "eu te amo" e vários "não vai", mas a unica coisa que eu pensava era naquele ser parado se controlando para não chorar na minha frente esperando para ser abraçado. Soltei todos e fui em sua direção, apenas o abraçei colocando minha cabeça embaixo de seu queixo escutando sua respiração pesada. Me soltei e sem nem olhar para seus olhos, fui em direção a sala de embarque, entreguei minha passagem e dei uma ultima olhada no que estava deixando. Eu só conseguia vê-lo, parecia que o aeropoto estava vazio. Eu queria sair correndo, e dizer que não iria, que não podia deixa-lô e que ninguem me tiraria de lá. Mas sabia que não podia. Então o vi sussurrar um "eu te amo" e me dirigi para dentro da sala. E foi ai que eu, achára, ser o maior erro da minha vida. Teria uma vida nova. Uma vida sem seu abraço e seus olhos. Já estava um mês fora, quando tivemos uma enorme briga - minha culpa, claro - e terminamos. Aquela caixinha abriu de uma forma que eu desabei no sofá da sala sem ligar se alguem me veria chorar rios de lágrimas. Toda aquela tristeza voltou cem vezes pior. Eu estava acabada.
Com o tempo a tristeza de ter perdido uma das pessoas mais importantes pra mim, começou a diminuir, mas algo me fazia mal. Algo que eu não sabia o que era. Não tinha disposição, nem auto estima. Não acreditava em mim e achava que sempre seria um peso morto. Não tinha uma razão na vida, nem sonhos. Estava desanimada com tudo, minhas series começaram a perder a graça e eu não sabia porque senita tudo isso. Só queria chorar e dormir.

O resto vocês já podem imaginar, voltei a me isolar e me cortar escondida, até que meus pais descobriram e mais uma vez, fui a decepção em suas vidas. Me levaram para uma psicóloga que me diagnosticou com Depressão. Tomava vários remédios por dia. Um para meus pesadelos que voltaram a acontecer, outros para insônia e falta de fome, e uns simplesmente para não me fazerem querer ficar o dia todo trancado dentro de um quarto escuro. Tinha o total apoio de meus pais que sempre me lembravam do remédio e me diziam como eu era a filhinha querida deles e que eles me amavam muito, mas eu conseguia ver em seus olhos a tristeza e o medo. Tudo minha culpa. Foram meses e meses fingindo estar bem na escola e escondendo os inúmeros cortes por roupas grandes. Sempre tomava banho praticamente de olhos fechados para não precisar ver as marcas e me sentir pior. O espelho do meu banheiro era mínusculo, apenas para ajudar quando ia escovar os dentes ou pentear o cabelo após o banho. Tinha vergonha de minha magreza e de minhas marcas. Já cansei de ouvir a Doutora Sofia me dizer que eu não precisava ter vergonha, aquilo eram feridas de uma guerra que eu iria vencer. Eu já não acreditava mais. Na frente dos outros eu parecia feliz, já havia feito alguns amigos na nova escola e sempre fingia rir de uma coisa ou outra. Eu preferia ficar sozinha, mas meus pais pediram pra minha coordenadora ficar de olho em mim, então eu tinha que fingir o dia inteiro. 

N/A: To morrendo de medo e nervosísmo por postar. Mas aqui está. Se gostarem, por favor, comentem para eu saber que não to escrevendo pro nada. Obrigadinha.

-B

I Wouldn't Mind.Onde histórias criam vida. Descubra agora