Capitulo 67

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LAUREN POV

Eu já tinha percebido a presença de alguém assim que descemos do carro, fiquei pensando que era paranóia minha, até um barulho suspeito nas árvores e Camila falar, comecei a me preparar, roubar aquele jogo de facas de arremesso foi a melhor coisa que eu já fiz, eu era boa com uma arma, mas arremessando uma faca ou uma luta corpo a corpo com uma faca eu era muito melhor, contei as passadas dele, sim eu sabia que era um homem pelo peso da passada e o barulho que fazia, segurei a respiração para ouvir melhor, mas nem foi preciso, ele fez um leve barulho entre os arbustos, como uma das facas já estavam preparadas na minha mão eu joguei, não sabia se acertaria para matar, mas ele iria denunciar a posição dele de alguma forma. Ele gritou, deixei outra cair pela manga da jaqueta e fiquei esperando, estava escuro, atirar seria um grande erro deles, ficamos todas quietas, Vero estava com a arma abaixada para não revelar que estava armada, Camila estava atrás de mim

- Lauren?! - a voz saiu gemida do meio dos arbustos

- Parece com a voz do Tom - Camz e quando ela ameaçou sair de trás de mim, eu a segurei e balancei a cabeça negativamente, fiz sinal pra elas ficarem alertas

- Por que não se identificou antes?

- Você não me deu tempo, eu espero que Lucy esteja com vocês - ouvi passo de outra pessoa - Se identifica antes que ela te dê uma facada - ele gritou

- Jauregay sou eu - era Dinah, foi ai que eu finalmente relaxei, Lucy e Camz correram em direção aos arbustos para ajudar o Tom, Dinah veio ao nosso encontro, ela estava horrível, parecia não ter dormido direito, mas ainda assim tinha um sorriso meio triste no rosto - Fico feliz que vocês estejam bem

- Dinah obrigada por me salvar - Vero disse abraçando ela - Não tive tempo de dizer isso antes porque estava inconsciente

- Qual Vero vai ficar sentimental agora? - Elas soltaram o abraço, algo em mim dizia que tinha alguma coisa errada

- Onde estão os outros? - Ela virou o rosto e meu coração disparou - Dinah? Cadê o resto do pessoal? - Minha voz saiu mais alta, eu não queria gritar, mas só de pensar que algo poderia ter acontecido eu ficava nervosa

- É que aconteceu algo - ela levou as mãos ao rosto e começou a chorar, Vero me olhou com lágrimas nos olhos também - Eu... não sei... foi tudo tão rápido... trocas de tiro... - Eu não sabia o que tinha acontecido, mas algo em mim me dizia que era algo ruim, me aproximei dela e a abracei, ela soluçava no meu ombro, a dor física não se fazia presente - Ele ficou pra nos salvar... O JJ ele... - ela não conseguiu terminar a frase, ouvi Vero chorar ao meu lado, eu ainda não conseguia acreditar, ele não podia ter morrido, as lembranças começaram a vir com força, as vezes que estávamos rindo, as brincadeiras, os desafios idiotas, tudo o que fizemos, foi como um filme passando em câmera lenta e a voz dele ecoou pra mim como se ele estivesse ali ao meu lado "Tudo vai ficar bem branquinha" por que eu não conseguia chorar? Eu estava sentindo tanta dor, mas não conseguia expressar nada - Troy também não conseguiu - aos soluços Dinah conseguiu falar.

Foi como se o mundo parasse pra mim, meus dois amigos, meus irmãs, não era possível, passamos por tantas coisas juntos e sobrevivemos por que agora? Por quê? Levantei o rosto por um segundo e vi Camila chorando atrás de Dinah, quando percebi Lucy abraçava Vero e Tom estava de cabeça baixa. Eu estava me sentindo sufocada pela dor, eu precisava extravasar, soltei o abraço de Dinah com um pouco de violência, mas eu precisava sair dali, as lembranças, os momentos compartilhados, eu queria que Dinah começasse a gargalhar e falando que era uma de suas brincadeiras, mas eu sabia que não era. Então eu fiz algo pra extravasar toda dor, toda raiva que eu sentia, eu corri pra longe deles, não sei o quanto eu corri ou pra onde corri, estava escuro, eu cheguei a margem de um rio ou lagoa, não lembrava que aquela casa tinha aquilo, então a dor agonizante dentro de mim queria sair de alguma maneira. Um grito saiu com toda força que chegou a queimar meus pulmões, eu cai de joelhos e agora as lagrimas caiam com violência, eu comecei a socar o chão, eu queria externar minha dor de alguma maneira, apenas chorar não era o suficiente para lidar com toda aquela dor e raiva que estavam dentro de mim

- NÃO É JUSTO - eu gritei socando o chão novamente, não sei quantas vezes eu soquei aquele chão, mas minha mão e a terra já estavam manchadas de vermelhos, ouvi passos rápidos e um corpo me agarrar, percebi aqueles braços magros ao redor do meu corpo me apertando e me amparando

- Eu te achei lolo - sabia que ela estava chorando também, sua voz estava embargada e rouca, mas ela estava ali comigo, sua mão segurou meu braço para parar de socar o chão

- Não era pra ninguém morrer Camz - eu não conseguia parar de chorar, meus soluços saiam altos

- Eu sei meu amor - agora ela estava abraçada de frente comigo, cada uma chorando a sua dor, mas as duas tentando se consolar, Camila parou de chorar antes de mim, eu fiquei um bom tempo chorando e todas as vezes que eu tentava parar de chorar, as lembranças voltavam, eu era a única culpada por aquilo, eu sempre fui tão prepotente em relação a nunca ser enganada, em ser a melhor no que fazia, eu acabei sacrificando dois dos meus amigos.

- Vamos entrar Lolo, aqui fora está muito frio - Camz falou enquanto me levantava, meu corpo estava mole, eu não tinha forças, então ela me apoiou no seu corpo e foi me levando para dentro de casa pela porta dos fundos, que dava direto para a cozinha. Quando entramos lá estava Lucy com Vero, elas bebiam algo, talvez chá, mas eu nem reparei, foi quando eu lembrei que tinha pessoas que estavam sofrendo mais do que eu

- Onde está Ally e Normani? - Vero não falou nada apenas apontou para o outro cômodo, a casa não tinha luz, apenas algumas lâmpadas de emergência acesas e algumas velas espalhadas, soltei Camila e corri pra lá, vi aquele pequeno ser encolhido no chão deitada ao lado de Max, o cachorro estava vivo também, parte de mim também ficou aliviada ao vê-lo, afinal ele fazia parte da família, ao me vê ele deu um breve latido, meio triste, mas balançou um pouco o rabo, Ally levantou e eu abri os braços pra ela, nenhuma palavra foi dita, seu corpo veio de encontro ao meu e nos abraçamos forte, eu chorei novamente com ela - Eu sinto muito pequena - eu repetia diversas vezes, levantei o rosto e vi que Dinah entrava no cômodo com uma Mani completamente acabada, possuía enormes olheiras e seus cabelos estavam bagunçados, diferente daquela morena bonita que parava o transito que nós conhecíamos, eu abri meu outro braço para ela vir também entrar no abraço e assim ela fez, eu abraçava as duas forte e protetoramente, eu devia cuidar deles, de todos eles, mas eu fui vaidosa demais e me ceguei por ser soberba, por causa do meu erro dois dos maiores homens que eu conhecia e respeitava estavam mortes e em meus braços, choravam suas viúvas, o mínimo que podia fazer era lhes dar um pouco de conforto. Senti outros braços nos rodear e vi que era Dinah, aos poucos todos entraram no abraço, inclusive Tom, percebi ter mais alguém ali presente, era Austin, ele estava encostado na porta apenas no observando. Soltamos aquele abraço em família, mas Ally correu para os braços do Austin e ficou lá chorando, ele a acolheu, Camila se aconchegou nos meus braços novamente e encheu meu rosto de beijinhos

- Vamos tomar um banho, cuidar dessa mão e desse ombro e depois vamos comer algo - ela me abraçou por trás, afinal minhas duas mãos estava machucadas por causa dos socos - Onde podemos tomar banho?

- Tem água nos banheiros, mas só gelada - Dinah respondeu e Camila fez uma careta - Eu roubei algumas roupas, moletons, coisas do gênero - ela levantou e abriu uma mala esportiva amarela e preta, pegou algumas roupas e nos entregou

- Obrigada - Camila saiu abraçada comigo e entramos no primeiro banheiro que vimos, ela saiu para buscar uma vela para iluminar o local, eu já estava tirando a roupa quando ela voltou, aquele clima era tão sensual, mas eu não conseguia pensar em sexo naquele momento, assim que fiquei nua entrei primeiro, a água estava muito gelada, mas eu deixei ela lavar meu corpo, tirar tudo aquilo que eu estava sentindo, senti os braços de Camila passarem ao redor da minha cintura e juntar nossos corpos nus, meu corpo se arrepiou na hora, era essa reação que ela causava em mim, ela soltou um breve gritinho quando a água gelada atingiu o corpo dele, ela me virou de frente e ficou abraçada comigo deixando a água escorrer por nossos corpos, era lindo vê as curvas de Camila com aquela luz, parecia que realçava ainda mais sua beleza latina, nos beijamos de um jeito casto e amoroso, nosso banho foi resumido a isso, beijos amorosos, carinhos sem malicias e muito amor. Mesmo com meu peito ainda doendo por conta das perdas, eu não estava completamente quebrada, porque essa mulher com jeito de menina estava tratando de juntar todos os pedaços, ela cuido de mim, tanto fisicamente, quanto emocionalmente.

- Eu te amo - ela falou depois de selar nossos lábios, enquanto estava sentada no meu colo de lado cuidando das minhas mãos

- Eu te amo muito, Camila Cabello - eu a apertei em meus braços - Obrigada por me tornar mais forte. - ela colou nossas testas e me beijo de uma forma tão amorosa, com certeza aquele beijo dizia em atos o que ela não disse em palavras, eu esperei tanto tempo por ela e hoje vejo que valeu mais do que a pena.

The Mission (camren)Onde histórias criam vida. Descubra agora