Alegria em Demasia

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A semana passou voando. John não voltou para casa e Linda já não tinha forças para lutar contra o inevitável. O final de semana da Sra. Terrence não foi além de potes de brigadeiro e seu pijama.

Linda acreditava, severamente, que filmes, doces e pijamas velhos eram os melhores amigos de uma mulher, ainda mais quando se está na pior.

O começo de semana vem nebuloso, como todos os outros duzentos e sessenta dias do ano em Seattle.

Aquele maldito sonho de uma garota se afogando em um lago, não saia da cabeça da professora, tirando sua concentração e deixando-lhe inquieta por alguns momentos.

A Segunda-Feira veio fria, fazendo Linda colocar um sorriso falso em seu rosto e ir trabalhar. Daria todas as suas jóias caras para ter a oportunidade de ficar largada de pijama na cama, ouvindo músicas depressivas, porém a sua amargura teria que esperar até ela chegar do trabalho.

- Seria uma bênção se a semana acabasse hoje mesmo, mas como nasci carregada de azar e Deus não dá asas às cobras... Tenho que trabalhar. - Linda estava saindo do banho.

A Sra. Terrence veste uma saia preta cintura alta solta, tecido em couro fino, com cinto acompanhando. Veste um salto e uma blusa azul marinho de manga, juntamente com a sua velha jaqueta de motoqueiro, que continha uma caveira desenhada com Spikes prateados e pontudos. Nos olhos da caveira tinha Rubi vermelho sangue, um de cada lado.

- Hoje eu estou semi gótica. - Ela se olha no espelho analisando bem a sua roupa. - Talvez isso seja algo gótico... Mas se não for, agora será, porque eu quero que seja.

Ela se encaminha até a garagem da casa, a fim de mencionar a senha do alarme de segurança.
Uma lagrima gentil teima em escorrer. A senha era a data do seu casamento e fazer aquilo sozinha seria desgastante, queria seu marido de volta, queria seu homem em casa do seu lado, mesmo ele sendo um ogro às vezes.

- Vamos mulher, você sempre fez isso! - Ela respira fundo e por alguns instantes seu corpo inteiro paralisa.

Quem ativava o alarme da casa era seu marido. John sempre foi responsável pela segurança interna da residência, sua única função era cuidar do reconhecimento de voz e facial. Linda não tinha uma boa experiência com o sistema.

'ZARA', assistente de voz virtual, já havia deixado a Sra. Terrence em maus lençóis.

Por um erro em seu sistema, confundiu a fumaça do charuto com fumaça de incêndio, acionando os sprinklers da casa e inundando o local chamando assim, a atenção da polícia e do corpo de bombeiros. Nunca mais ela fumou em casa depois desse episódio.

- Linda Giselle Terrence. - Tentou parecer firme.

- Olá Senhora Terrence. Bom dia. Por favor, diga os seis dígitos da sua senha em voz alta. - A voz dócil e robótica dava arrepios na mulher

- Zero, Quatro; Zero, Quatro; Zero, Oito. - Ela prende a respiração. Realmente odiava aquela situação. Aquilo era coisa de seu marido. Por ela, tanto faz.

- Nosso sistema será atualizado. A partir de hoje somente sua voz e senha serão necessários. Tenha um bom dia.

- Obrigada ZARA... Vai que eu volte e o John já esteja aqui com outra. Na minha casa não, meu bem! - Linda falava baixo e remexe em sua bolsa. Ela estava tão na pior, que acabou contando sua situação até para o sistema de segurança. Mas já estava menos tensa do que antes.

O dia no trabalho passa sem pressa alguma, deixando Linda em desespero e com um tédio mortal. Cada dia sem notícias de John a deixava sem perspectiva alguma do rumo que seu casamento estava tomando.

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