Preocupações em Dobro.

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[...]

Linda está sozinha em casa e absorta em seus pensamentos tentando entender o que havia acontecido, já que sua memória não ajuda muito, fazendo o favor de esquecer parte do que ocorreu naquela noite. A professora estava cansada de tudo isso, cansada do rumo que sua vida estava tomando, cansada de sofrer.
Sua cabeça ainda lateja por causa da bebida, sua visão como sempre não é as das mais fiéis, desde que tudo começou a acontecer com ela.

Vulnerabilidade é a palavra que define o momento em que ela se encontra. Corpo e mente nunca estiveram tão desequilibrados.

- Meu Deus, se tens pena de mim, me dê um sinal para explicar o que anda acontecendo comigo! - Ela implora.

A professora não sabe explicar como se livrou do policial, só lembra do momento em que ela parou o carro para a blitz, até o momento em que o policial a mandou para casa. Analisa o local em que se encontrava atualmente e subitamente seu inconsciente resolve se manifestar pesadamente fazendo tudo rodar e sua cabeça doer com mais intensidade.
Kathryn diz com desdém:

* Eu sempre soube que você era baixa, mas não imaginava que chegaria a este ponto.*

- Eu não acredito que vocês vão dar continuidade à está loucura de roubar meus pensamentos e ainda por cima me ofender desse jeito! - Resmunga Linda para as vozes do seu interior.

* Linda, fique quieta que isso não foi para você, estúpida!* - Completa Kathryn.

* E isso por acaso é para alguma de nós?* - Se manisfesta Lauren completamente furiosa.

* Calem-se suas lerdas...- Sasha perde a paciência com tudo aquilo. - Isso por acaso é para mim? * - Sasha continua, pronunciando as palavras com meticulosidade.

A mulher, não entendendo aonde o rumo dos próprios devaneios iria chegar, balança a cabeça tentando esvair seus pensamentos. Acreditando igual às outras vezes, que aquelas vozes eram uma pura ilusão. Engana-se.

Dando continuidade ao pequeno conflito das personalidades, Kathryn responde a pergunta de Sasha.

* É exatamente para você Sasha meu amor. Ou será que existe outro ser mais baixo aqui? *

- Não é possível que eu beba um pouco, coisa de nada, e já esteja ouvindo além da conta. - Sussurra Linda atordoada.

* Fique longe disso Linda, agora é comigo. Querida Katy, meça suas palavras antes de se dirigir a mim, até porque, a suja e baixa aqui é você. - Sasha se volta para Kathryn e à olha com o ar de reprovação.

* Ao menos, não sou eu quem tem as mãos manchadas de sangue, ou melhor, não só as mãos como o passado inteiro. * - Kathryn que não gosta de ficar por baixo, lança uma indireta para Sasha, a mesma dá as costas para Katy soltando uma leve gargalhada e finaliza àquela briga mental, dizendo:

* Katy, não ouse me culpar pelos seus erros de quinze anos atrás.* - Sasha esbraveja suas palavras tomada por uma fúria enorme.

As palavras de Sasha deixaram Kathryn desarmada por completo. Aquela briga interna deixava Linda cansada fisicamente, seus nervos ficam instáveis, seu organismo fica frágil e ela já estava se dando conta disso, mas, mesmo assim, ela ainda se mantém firme.

Até certo momento, a professora estava tentando se manter calma, mas a briga interna que estava acontecendo em sua mente lhe trouxe a realidade no momento em que ela ouviu a palavra sangue. Decide se manifestar em voz alta;

- Mas de que diabos vocês estão falando? Que história é essa? - Pergunta Linda, incrédula com a vereda que a conversa havia tomado.

Por toda a noite o silêncio tomou conta, deixando a mulher preocupada com a cena que presenciou em sua própria mente, logo mais atrás. Agora que está deitada em sua cama, ela se acalma e fecha os olhos tentando voltar alguns anos atrás, porém nada vem a luz. Acaba pegando no sono, sem tirar da cabeça toda história da briga de Kathryn e Sasha.

Do Outro LadoOnde histórias criam vida. Descubra agora