Carioca estava parado em frente a casa do cara que tinha intimidado Leona há horas. O homem já tinha percebido sua presença ali. Vez ou outra a cortina da sala era discretamente aberta e alguém espiava para conferir se ele ainda estava aos arredores.
Vestido da maneira que estava, Carioca parecia muito ameaçador. A pele queimada do sol, tipicamente brasileira, os cabelos com franjas crescidas e jogadas para os lados, jeans rasgado, coturno militar, casaco com a estampa de Che Guevara nas costas, não era como se pudessem pensar que ele era um homem esperando para encontrar uma namorada.
Depois do décimo quinto cigarro, de checar o celular pela milionésima vez e de ficar parado como uma estátua, de braços cruzados no peito e uma das pernas apoiadas no tronco de uma árvore, o brasileiro achou que já podia partir para a segunda parte do plano.
Caminhou até a porta da frente e tocou a campainha. É claro que ninguém atendeu. Deviam estar se borrando de medo dele. Até que ele gostava de apavorar um pouco, só por diversão. Tocou novamente e novamente e então tirou o celular e discou o número do homem.
- Alô.
Carioca podia sentir a tensão na voz do homem.
-Tem dois minutos para sair ou eu vou entrar.
-Quem é você?
-Um minuto e meio.
-Vou chamar a polícia.
-Um minuto.
Tensão. Silêncio. Respiração rápida e um clique na porta.
Os homens se olharam e o SKULL entrou. Havia uma mesa para três postada com refeição pela metade, ou seja, com certeza o homem tinha escondido sua família em algum lugar da casa antes de atendê-lo. Olhando aqui e ali como se tivesse inspecionando, o brasileiro finalmente parou no meio da sala e encarou o agressor de Leona.
-Tenho um recado pra você.
-Olha cara, não sei quem é você, não sei porque está aqui, mas...
Antes que ele concluísse, Moicano apareceu na porta e se recostou no batente. O homem ofegou nervoso, Carioca continuou.
-Vai esquecer que viu a Monique. Se esbarrar com ela finja que não a conhece, não se aproxime, não fale sobre ela com ninguém. Estamos entendidos?
Ao ouvir o nome "Monique", a expressão do homem endureceu.
-Sou perfeitamente capaz de fingir que ela não existe, se ela parar de rodear minha casa.
-Ela não fará mais isso.
-Então estamos entendidos. Quero distância daquela mulher e tudo o que eu mais desejo é que ela deixe a mim e a minha família em paz.
Moicano entrou na sala com passos decididos, agarrou o homem pelo colarinho e falou em tom baixo e raivoso.
-E se colocar suas mãos nela de novo, vai ter todos os ossos do corpo quebrados.
Sem esperar resposta, os dois SKULLS saíram da casa e deixaram para trás um homem raivoso, mas também temeroso. Olhando aqueles dois trogloditas irem embora depois de ter sido observado por horas a fio, o ex-marido de Leona murmurou para si mesmo.
-Filha da puta, no que está metida dessa vez?
Sua mulher desceu a escada cautelosa e estava muito pálida quando perguntou.
-O que eles queriam?
-Me intimidar por causa da dura que eu dei na Monique.
-Mas, quem são eles pelo amor de Deus?
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Os agentes do BSS - Livro V "A Armadilha"
RomanceJason olhou para Justine com raiva contida. Menina dos infernos, dezesseis anos de pura audácia e irresponsabilidade. Se ela pensava que iria ficar com algum daqueles imbecis bem embaixo do nariz dele, estava muito enganada. Ele caminhou...