Entro na sala lotada de gente que nunca vi na minha vida. Me esbarro em várias delas e finalmente encontro meu pai conversando com um homem de paletó.
-Pai, o senhor prometeu que iríamos depois da meia noite e já são duas horas - Falei e ele me encarou, sorrindo.
-Desculpe filha, acabei perdendo o horário em uma conversa - Ele encarou o homem a sua frente, que me era vagamente familiar - Esse é Louis, um poeta que encontrei. Ele foi nomeado o melhor poeta de 1934, rumo ao segundo título.
-Sim, de 1935 - Ele estendeu a mão - É um prazer conhece-la senhorita Helena. Seu pai me falará muito bem de você - Ele beijou a minha mão, com um simples sorriso no rosto - É lamentável que vocês já tenham que ir, logo agora que iriam tocar os melhores sucessos do ano?
-Acho que podemos ficar mais um pouco, você não acha pai? - Perguntei e percebi um sorriso vitorioso no rosto de meu pai.
-Claro que sim, tudo por você minha princesa - Ele acenou para um grupo que o havia lhe chamado - Tenho que ir, comportem-se.
Louis sorriu e estendeu o braço, que eu imediatamente agarrei. Passamos pela multidão e fomos a varanda, onde se podia ver a linda Cidade de Londres.
-Tenho a leve impressão que te conheço - Falei e ele sorriu para mim.
-Eu sei que te conheço, você saiu dos meus sonhos - O encarei. Sim, era ele, o garoto de meus sonhos.
Acordo e me levanto, mas bato minha cabeça no teto. Espera, o teto não é tão baixo assim. Me concentro no lugar onde estou e logo me lembro. Estou em um avião rumo ao Egito, para depois ir ao céu e resgatar uma cópia idêntica a mim. Ótimo jeito de furar aula.
-Lissa, você está bem? - Felicia pergunta e eu respondo que sim.
-Tive um sonho, na verdade uma lembrança da Helena. Mas dessa vez não foi no século quatorze ou sei la. Foi no século passado, para ser mais exata, no ano de 1935.
-Como você sabe? - Ela me perguntou.
-O louis tinha ganho um prêmio de melhor poeta do ano - Falei um pouco alto e a Perrie me encara, do banco da frente.
-Me lembro desse ano, fui nas duas premiações. O Louis estava super feliz, mas quando o nome dele foi anunciado e ele se levantou para pegar o prêmio - Ela balançou a cabeça - Digamos que tinha um fã louco com um revolver no lugar errado.
-Que horror - Felicia cobriu a boca com as mãos.
-Eu sei, até hoje vocês podem ouvir falar sobre isso. Esse dia está marcado para sempre - Louis também levantou da cadeira que ficava ao lado da de Perrie e nos encarou.
-Vocês vão para o céu, deveriam estar pensando em coisas boas e tal, não na maldição - Ele me olha - O que você mais gosta de fazer?
-Comer? - Falei e ele riu.
-Então pense que você está em una terra de bolos e sorvetes e que você é a rainha dessa terra - Nós rirmos com a ideia de terra perfeita do Louis.
O avião começou a balançar e as luzes a pisarem. Nossos sorrisos se apagaram, assim como nos rostos de todos os outros passageiros. Logo gritos desesperados e choros preencheram o enorme avião.
-O que está acontecendo? - Perguntei gritando por causa do barulho.
-Magia - Perrie gritou em resposta - Se segurem!
O avião começou a balançar mais ainda e as luzes quase se apagaram. Quando olhei para frente vi uma sombra, por um momento achei que fosse o Zayn, mas percebi que ela vestia uma capa longa e segurava algo parecido com uma foice.
-Aquilo é a morte? - Gritei desesperada, mesmo aquilo tendo soado mais ridículo ao ser pronunciado do que em minha cabeça.
-Sim, é ela! - O Louis gritou em resposta, e pudi perceber o medo em seu olhar - Alguém já morreu, e se ela continua aqui é porque mais vítimas virão.
-A asa está pegando fogo! - Uma mulher atrás de mim gritou. Olhei pela pequena janela e percebi que era verdade.
-Você não pode salvar esse avião, Perrie? - Perguntei e ela apontou para a sombra sinistra.
-Não com ela aqui, se ninguém tivesse morrido ela não teria aparecido. Mas agora eu não posso salvar todo mundo, ela tem que levar alguém, e se isso não acontecer a vida de todo mundo aqui vai ficar amaldiçoada - Ela respondeu - Mas posso salvar a nossa - Ela segurou meu braço e o de Louis - Previso da ajuda de vocês duas.
-Mas e aquelas crianças? E todas essas pessoas? Elas vão morrer? - Minha prima perguntou com lágrimas nos olhos.
-Eu não sei, mas a gente não vai. Segure o braço da sua prima e repitam o encantamento - Felicia olhou novamente para duas crianças e depois fechou os olhos, obedecendo a Perrie.
-Custodi animam meam, et quod habet acutam - Perrie recitou e, por incrível que pareça, consegui pronunciar e entender o que dizia: " Proteja minha alma e coração daquela que carrega a foice".
Senti a mesma onda de energia preenchendo meu corpo. Abri os olhos e percebi que o avião caia em queda livre. Algumas pessoas já haviam falecido, mas muitas ainda estavam vivas, umas gritando, outras orando e abraçando as pessoas que gostavam. A sombra ainda permenancia no mesmo lugar, mas senti que ela nos encarava, como se não gostasse do que estávamos fazendo.
-Senhores passageiros, aqui quem fala é o capitão. Sinto que vocês tenham que passar por isso. Vamos cair direto no Rio Nilo. Para quem sobreviver, diga aos meus filhos que os amos - O piloto disse e logo senti o impacto na água.
Meu corpo só tremeu com o impacto, mas para quem não estava na bolha protetora, as lesões foram piores.
Perrie soltou meu braço. 10 minutos, Ela disse em nossas cabeças, e logo entendi o recado. Tínhamos dez minutos para salvar as pessoas que ali estavam vivas, antes que começarmos a nos afogar.
Antes, é claro, olhei novamente para a frente, mas a sombra se fora e foi isso que me fez nadar e conseguir ajudar cinco pessoas a subirem. Claro que com uma ajuda mágica.
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Curse of life
Roman pour AdolescentsHelena e Louis ligados por uma maldição há décadas, mas algo está diferente dessa vez, e talvez eles terão a chance de terem um final feliz finalmente... Ou não.
