Estávamos em um clima bom mas quando fui tirar a blusa da Aline ela me impediu. Eu fiquei sem entender, achei que ela queria.
- Douglas... Não podemos. - Falou ajeitando a blusa.
- Desculpa. Achei que você queria. - Falei pegando a minha blusa.
- Preciso te contar uma coisa. - Falou baixo, num tom triste.
- Pode contar. - Estávamos sentados um do lado do outro, de costas pra parede.
- Eu quero... - Fez uma pausa. - Quero casar virgem.
Eu fiquei pensativo. Não sei quanto tempo demoraria pra gente casar. Eu sou homem, é difícil ficar sem relação por muito tempo. Não sei se consigo. Mas não custa tentar.
- Eu sei que você é homem e tem as suas necessidades, eu não vou ficar com raiva de você se você quiser terminar comigo. - A voz começou a ficar pesada. Ela ia chorar. - Olha só, eu moro em outro país. Seria mais fácil se você encontrasse uma menina que mora lá no Brasil. Eu vou ficar feliz se você estiver feliz.
Eu sorri e a puxei pra um abraço.
- Eu caso com você. - Era engraçado. Eu, que nunca nem gostei de namorar, com várias meninas no meu pé, pensando em casar. Eu não sabia mas hoje posso afirmar, o amor muda as pessoas.
Ela chorou mais, acho que não acreditou. Eu enchi sua cabeça de beijos. Tão pequena a minha menina. Quando se tem uma pequena, você sente a necessidade de proteger, você passa a viver por ela. Me lembro quando a conheci, ela com 15 anos, eu com 19. Ela tão baixinha e eu tão maior que ela. Hoje estamos aqui, ela com 17 e eu com quase 22. O relacionamento mais longo que já tive. Lembro-me que meus relacionamentos duravam no máximo 3 meses, parece brincadeira mas não é. Eu namorava uma menina pensando em pegar outra. Não sabia o que era amar. Já recebi inúmeros "Eu te amo" mas nunca falei. Até conhecer a Aline. Uma baixinha de 1,65. Eu com meus 1,86 a fazia parecer uma criança. Ela odiava quando eu zoava o tamanho dela, como na vez em que eu peguei o celular dela e coloquei a mão pro alto.
- ME DÁ ISSO AQUI DOUGLAS! - ela gritava.
Eu ria, me acabava de rir com aquela cena, ela pulava tentando alcançar, me beliscava, me socava e eu só ria.
- SEU IDIOTA! - Ela gritava.
Como não se apaixonar por uma baixinha dessa?
Me perdi em pensamentos e nem percebi quando ela adormeceu em meu colo. A ajeitei na cama e levantei. Peguei o travesseiro e um edredom e fui pra sala. Resolvi dormir no sofá. Achei melhor.
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Douglas
Acordei cedo. Eram 7 horas da manhã. Tomei um banho e fui pra cozinha. Fiz torradas, piquei algumas bananas e peguei alguns morangos, fiz um suco natural de maracujá. Fui até o quintal da casa e peguei algumas flores, coloquei em um copo com água e arrumei na bandeja.
Senti uma pontada forte no peito, me desequilibrei mas me apoiei na mesa. Essa pontada não é de hoje, já é a segunda vez que isso acontece. Na primeira vez a minha mãe disse que poderia ser um princípio de infarto mas eu não levei a sério, "Sou muito novo pra isso.", pensei. Mas dessa vez a dor foi mais forte. Talvez eu deva procurar um médico.
Subi as escadas e entrei no quarto dela, coloquei a bandeja no criado mudo e depositei um beijo em sua testa.
- Acorda dorminhoca.
Ela bocejou e sentou na cama.
- Bom dia. - Falou enquanto esfregava os olhos.
Peguei a bandeja e coloquei em seu colo.
- Douglas... Que lindo. - Falou sorrindo.
Eu sorri e beijei a sua testa. Fui em direção a porta.
- Onde você vai?
- Vou procurar um hotel. - Me virei pra ela.
- Não vai ficar aqui comigo?
- Vou, claro que vou. - Me aproximei dela. - Mas quando seu pai voltar eu vou ter que ir pro hotel né.
- Pior que é. Mas antes de ir, toma café comigo.
Sentei na beira da cama e peguei um morango, dei uma mordida e olhei pra frente, estava pensativo.
- Douglas? - Aline chamou me tirando dos meus pensamentos.
- Hum? - Virei-me pra ela.
- Aconteceu alguma coisa? Você está distante.
- Não. - Menti. - Só estou pensando como será quando eu tiver que ir embora.
- Ah, é mesmo. - Uma tristeza leve mudou seu semblante. - Quando você pretende ir?
- Depois de amanhã.
- Já?
- Sim, por causa da faculdade.
- Caramba! Tinha esquecido. Seu doido, você está perdendo muitas aulas.
- Mas... - Tirei a bandeja de seu colo e a coloquei no criado mudo. - Está valendo a pena. - Fui beijá-la mas ela virou o rosto.
- Desculpa. - Riu. - Preciso escovar os dentes.
Saiu disparada da cama e foi pro banheiro.
Comecei a sentir um mal estar...
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Aline
Eu tenho o melhor namorado do mundo. Fez um café da manhã delicioso e me acordou com um beijo na testa, como não amar?
Fui ao banheiro pra escovar os dentes e lavar o rosto.
Voltei pro quarto e vi o Douglas caído no chão.
- DOUGLAS?? - Gritei sacudindo o mesmo.
Ele não acordou, coloquei o ouvido sobre seu peito e não consegui ouvir os batimentos. Entrei em desespero. Corri pra sala e liguei pra ambulância.
- Me ajuda! É uma emergência.
Dei meu endereço e desliguei. Voltei pro quarto e tentei reanimá-lo mais uma vez mas sem sucesso.
Logo a ambulância chegou, arrumaram ele na maca e o colocaram dentro do carro, eu o acompanhei.
Chegando no hospital levaram ele pra UTI. Fecharam as portas e eu não pude entrar.
Fiquei louca, chorei de soluçar mas não podia fazer nada. Como assim? Ele estava tão bem e de repente o cara desmaia? Aliás, ele nem desmaiou, ele morreu! Quem desmaia não perde os batimentos. Ajoelhei e orei, pedi a Deus com todas as forças que não levasse ele.
Horas depois o médico veio até mim.
- E então, doutor? - Perguntei aflita.
- Ele teve uma parada cardíaca mas conseguimos reanimá-lo.
Suspirei aliviada.
- Mas ele está em coma por tempo indeterminado.
- Posso vê-lo?
- Só poderá vê-lo quando ele sair da UTI.
Eu sentei na cadeira e chorei mais ainda. Poxa, estava tudo dando certo, por que isso agora?
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Não Tem Como Dar Certo
RomanceAline é uma menina tímida e inteligente de 15 anos, ela não é magra e não tem olhos azuis e um cabelo de dar inveja, pelo contrário, ela é normal e não chama atenção. É uma menina comportada que frequenta a igreja quase todos os dias. Sua melhor ami...