SOU O SER HUMANO MAIS IDIOTA DO MUNDO

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Já tinha amanhecido e o nosso café da manhã estava pronto,escuto um barulho de galhos se quebrando,me levanto agarro a faca, o barulho vem da árvore onde Anna estava dormindo,subo rapidamente na árvore,ela esta se debatendo e falando algo incompreensível, tentei acorda la mas não funcionou então tive que dar leves tapas em seu rosto que foram ficando mais fortes ao perceber que não estava adiantando ser delicada,ela abre os olhos surpresa e me encara,logo os mesmos se enchem de lágrimas ela se joga em meus braços e me abraça, pergunto surpresa:
-Ei Aninha,oque foi?
-Eu tive um pesadelo.
-Você quer conversa sobre ele?
Ela fez que sim com a cabeça e depois de alguns segundos ela toma o fôlego e diz:
-Eu não aguento mais.
-Oque?
Ela se vira para mim e diz em meio a os soluços:
-Matar pessoas,eu não aguento mais! Eu quero ir para casa,eu estou com medo,fome,cansada e com saudade de casa, Peg me tira daqui!
O meu coração está quase explodindo de tristeza mas não consigo dizer nada que possa a ajudar
-Olha vai ficar tudo bem
Mentira, como eu posso dizer que vai ficar tudo bem?Estamos em uma carnificina...não consigo enganar nem a mim mesma com essa frase muito menos uma garota esperta como a Anna:
-Peg fala a verdade!
-Ann...Anna eu...quero te dizer a verdade mas...
Não consegui termina a frase era difícil de admitir
-Mas? Fala logo Hawthrow!
Suspiro fundo e tomo coragem, tento escolher as melhores palavras e uso o meu melhor tom de voz.
-Anna,o que nos estamos fazendo é só adiar o inevitável,estamos estendendo a nossa vida talvez por alguns segundos,minutos, horas ou quem sabe dias! Mas é inevitável,nos vamos morrer,existem outros tributos mais fortes do que nos nessa arena,nos somos inteligentes mas oque é realmente necessário aqui é a força bruta,entende? mas quando eu digo que vamos voltar para casa não é mentira,vamos voltar para nossas famílias e amigos,mas primeiro temos que superar uma morte dolorosa mas pelo menos as pessoas que amamos vão ter a chance de nos ver mais uma vez mas nos não, ok? Desculpe mas esse é o melhor consolo que posso te dar.
Ela seca as lágrimas e olha para mim e diz:
-mas porque você não tem medo?
-medo? Eu tenho pavor.
-sério? Não parece.
Começo a rir,em alguns momentos sinto como se fosse fazer xixi nas calças.
-me acalma o fato de que a minha família está segura e pelo menos sei que o meu corpo vai voltar para casa,com sorte não vou ter sido desmenbrada ou algo gênero.
Ambas caímos na gargalhada,nossas famílias devem estar achando que temos problemas mentais mas é melhor levar na brincadeira do que encarar a dura realidade,isso não passa de um jogo afinal,um jogo horrível mas continua sendo um jogo.
-Quem sabe voltamos com a cabeça!
Isso só aumenta as nossas gargalhadas:
-Nos somos os seres humanos mais idiotas desse mundo!
-verdade.
Anna parece estar mais relaxada graças a nossa brincadeira doentia,ela suspira e olha para a cachoeira:
-Sabe eu acho que a duas semanas atrás eu não estaria rindo sobre como o estado do meu corpo vai estar quando chegar no distrito 3,acho que os jogos me mudaram.
-Isso támbem é inevitável,não dá para entrar nessa droga de arena e continuar sendo um ser humano normal eu já me sinto bem diferente.
-Diferente para melhor ou para pior?
-Hum...pior eu acho,você?
-Melhor.
Levanto uma sobrancelha estavo esperando que dissesse que estava se sentindo um monstro ou algo do tipo.
-Porque?
-A duas semanas atrás estava morrendo de medo de ter o meu nome sorteado, estava até com medo daquela agulha que eles enfiaram na gente mas agora sei lançar objetos nas pessoas e cortar gargantas,rir da minha morte, enfim me sinto mais forte, achava que não ia conseguir passar da Cornucópia mas aqui estou eu!
-Verdade, você teve uma grande melhora.
-Obrigada.
Ficamos alguns minutos sentadas observando a cachoeira até que decidimos tomar café,comemos em silêncio,parece que Anna está mais tranquila,estranhamente,no seu lugar eu ficaria meio nervosa pelo fato de uma pessoa ter basicamente falado: "Ei sabia que mesmo você se esforçando, no final você vai morrer?"
Ela aceito o fato com tranquilidade e não parece temer a morte ao contrário de mim,tenho medo do que me espera, espero quando for um fantasminha poder ver a minha família no meu funeral,espero que seja bonito.
Quando acabamos de comer decidimos que é melhor ir montar a catapulta na Cornucópia mas primeiro armamos algumas armadilhas e guardamos todas as nossas coisas na mochila e a escondemos no meio de algumas plantas e a camuflamos com terra,nos armamos antes,eu com cinco facas e ela com a lança,começamos a andar até a Cornucópia;acontece tudo derrepente alguma coisa prende no meu pé e sou bruscamente puxada pra cima,estou a quase dois metros do chão, tento me mover mas pequenas agulhas estão rasgando e enfiando na minha pele quando me movo,Anna está olhando para mim assustada:
-Peggy! Você tá muito machucada?
-Anna não grita,é uma armadilha tem algum tributo por aqui me tira logo daqui.
A conversa de alguns minutos atrás volta a minha mente, ainda não estou pronta! Não quero partir agora.
Ela tenta me alcança mas não consegue então faço um esforço e consigo pegar uma faca que está no meu cinto começo a cortar a rede mas estava difícil, parecia que a lâmina era feita de manteiga,as minhas mãos estavam tremendo e suando,começo a ouvir passos rápidos em nossa direção:
-Anna! Foge pelo amor de Deus!
-Não Peg eu não vou te abandonar agora!
Ela agarra a lança com mais força e ataca um rapaz que logo aparece enquanto isso continuo tentando corta a rede, fico alternando o olhar entre a luta de Anna e no corte que estou fazendo na rede,o rapaz está socando a Anna, a mesma revida e tenta enfiar a lança no rapaz mas ele a agarra e puxa batendo sua cabeça no chão ele sobe encima dela,Anna consegue sair debaixo dele e começa a chutar e socar,algumas vezes acertando e outras socando o ar,alguns segundos depois outra garota aparece e agarra os cabelos de Anna e tenta imobilizala o garoto grita para a outra garota:
-Tiffany! Mata a outra antes que ela fuja,eu cuido da pirralha!
A garota se levanta e vem até mim com um sorriso maldoso no rosto e com os olhos castanhos com sede de sangue ela em seu caminho tropeça na nossa catapulta,e abre um sorriso:
-Que droga é essa ehn 10? Uma catapulta é?
Ela pisa encima da nossa catapulta e começa a chutar, destruindo a por completo,solto um grito.
-Não!
-Ah me desculpa 10! Eu sinto muitíssimo.
Ela abre um sorriso enorme e caminha ate mim segurando a lança da Anna,até que uma flecha acerta a sua testa ela cai no chão jorrando sangue,escuto um grito e percebo que é o de Anna outra flecha passa e acerta a cabeça do garoto,escuto dois canhões,alguém matou o garoto e a garota e logo vai matar a mim e a Anna,é o fim; consigo me virar com dificuldade na rede e vejo Jared,ele sobe na árvore e consegue soltar a rede caio e machuco ainda mais os joelhos, um segundo depois escuto outro canhão e corro até Anna,vejo um corte em sua garganta, o seu olho esquerdo está roxo e há marcas de dedos em seu pescoço e pulsos mas a pior parte são os seus olhos sem vida,não sei se choro ou se fico confortada, ela vai pra casa e provavelmente eu também vou:
-Você vai pra casa Aninha,você vai voltar pra sua família.
Fecho os seus olhos e sinto lágrimas escorrerem por meu rosto eu duvidei da sua amizade,ela deu a vida por mim ela me proporciono mais alguns minutos,sinto uma mão em meu ombro me viro,o vejo olhando para mim:
-Vamos é melhor agente ir embora antes que algum outro tributo apareça e além disso temos que cuidar dos seus machucados.
Ele não pediu mas eu acho que agora somos aliados,seco as minhas lágrimas e me levanto com dificuldade,Jared tenta segurar a minha mão mas eu a retiro consigo ver um pouco de tristeza em seus olhos mas não sei se é pelo que ele acabou de fazer ou pelo modo como o rejeitei, vamos nos afastando quando estamos longe me viro a tempo de ver o aerodeslizador levantando o corpo de Anna e de seus agressores quando ele finalmente se vai me sinto aliviada, ela vai pra casa,ela finalmente vai pra casa.

Jogos vorazes -Peg-Histórias para pegar e não largar. Descubra agora