"Você está bêbada?"

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Sábado sempre foi meu dia da semana favorito. É o dia em que eu posso dormir até a hora que bem entender, sem me preocupar em perder a hora para a escola. E como todo sábado, aqui estou eu, jogada em minha cama, sem ter qualquer intenção de fazer algo produtivo. Juntei o edredom em meu corpo quando uma corrente de ar fria adentrou o quarto. Assim como todos os dias em Londres, o tempo estava nublado e frio. Por mais amante que eu seja do frio e do inverno, as vezes sinto falta do calor do sol e de passar a tarde em uma piscina.

Meu celular começou a apitar, informando que alguém estava me ligando. Permaneci na mesma posição que estava, sem nenhuma vontade de me mover para atender. Depois de tocar mais alguns segundos, o som parou, e suspirei aliviada. Fechei meus olhos, tentando voltar para meu sono, mas logo o som voltou a preencher o quarto, a pessoa havia ligado novamente.

Sem nenhum ânimo, me desenrolei da coberta e me sentei na ponta da cama. Meus olhos demoraram para se acostumar com a luz que entrava pela janela. Caminhei a passos lentos até a escrivaninha ao lado da cama, onde meu celular apitava de forma frenética. Olhei no visor e o nome da Giovana aparecia em letras garrafais.

- Alô - atendi ainda sonolenta.

- Bom dia minha flor - Gigi falou com sua animação matinal.

- O que foi? - Meu tom de voz saiu mais áspero do que eu queria.

- Quanto mal humor, Melzinha - Não precisava olhar para o rosto da minha amiga para saber que ela estava com um sorriso aberto nesse momento.

- Não me chama por esse apelido estúpido - revirei os olhos. Giovana sempre me chama por esse nome quando quer me irritar, e ela sempre consegue.

- Preciso que você vá ao shopping comigo - Ela disse por fim. Já imaginava que ela iria querer algo assim no momento em que vi seu nome na tela do meu iPhone.

- Você já tem roupas demais, não precisa de mais nenhuma - Me joguei novamente em minha cama que ainda se encontrava quente.

- Não tenho nada para usar essa noite - Ela falou de forma dramática.

- Ah - respondi. Só então me lembrei de que a festa que o Dylan havia me convidado seria hoje a noite.

- Você esqueceu - Gigi concluiu antes de eu ter dito qualquer coisa.

- Talvez - respondi para a garota do outro lado da linha.

- Não importa, você vai a festa e vai ao shopping comigo. Te pego aí em meia hora. - E ela desligou antes que eu pudesse protestar.

Juntei toda a minha energia para erguer meu corpo da cama, e por mais que ele lutasse para ficar em meio as cobertas, no fim, eu venci. Corri para tomar um banho decente antes que minha amiga chegasse. A tubulação rangeu em meio a parede quando girei o registro e a água quente caiu sobre minha cabeça. A água sobre meu corpo fez com que meus músculos relaxassem por completo. E depois de ficar alguns minutos sob o chuveiro, vesti um short e uma camisa sem mangas.

Após tomar meu café, fui até meu quarto pegar um casaco por conta do frio que se instalava na cidade. Entre as várias roupas espalhadas em meu armário, achei um moletom do Zayn que eu havia "roubado" a alguns meses atrás. O tecido deslizou em minha pele e se ajeitou em meu corpo, mesmo que tenha ficado um pouco cumprido nas mangas e pegava na metade da minha coxa.

Assim que ouvi a buzina do carro da Gigi, caminhei até a porta de casa. Ao sair para a rua, senti um vento frio cortar meu corpo me fazendo encolher dentro do moletom. Nunca agradeci tanto quando entrei no carro e fui envolvida pelo calor do ar condicionado. Giovana, ao contrário de mim, estava arrumada quase que de forma impecável. Ela vestia um longo sobretudo de cor rosa e uma bota de couro. Seus cabelos loiros estavam presos em um rabo de cavalo frouxo que deixava alguns fios cair sobre seu rosto.

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