"Eu quero você"

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Era fim se tarde quando minha mãe chegou do trabalho. Passei meu dia jogada no sofá, enfiada de baixo de um cobertor, vendo televisão. Meu celular aptou algumas vezes durante as últimas horas, mas preferi ignorar, seja quem for, não deve ser tão importante. Minha mãe parou em minha frente, seu rosto estava marcado pelo cansaço de um longo dia de trabalho. As olheiras abaixo de seus olhos denunciavam as noites viradas em frente ao computador. Seus olhos me deram uma analisada rápida, seu sensor materno estava ativo.

- Tem algo para me contar? - Minha mãe questionou se acomodando ao meu lado.

- Não, está tudo bem - Respondi forçando uma naturalidade, e claro que não deu certo.

- Sou sua mãe, sei que tem algo errado - Ela deu um sorriso acolhedor - É o Niall, não é?

- Como você sabe? - Olhei para minha progenitora que aumentou o sorriso.

- Desde do dia do jantar eu sabia que toda aquele ódio era algo a mais. - Minha mãe deu leves tapinhas na minha perna.

- Ele me deixa confusa, uma hora é gentil, mas na outra é um babaca - Confessei, finalmente, conseguindo tirar o peso das minhas costas.

- Infelizmente, homens são assim. Não sabem como demonstrar o que sentem, fazem tudo errado. - Seus olhos focaram os meus e ouvi atenta cada palavra. - Niall me lembra um pouco seu pai, quando éramos jovens.

- Mãe, usar o papai como exemplo não me faz sentir melhor. Ele abandonou nós duas. - Disse com sinceridade e minha mãe concordou varias vezes com a cabeça.

- Seu pai era um homem bom, sempre me tratou bem, me fazia sentir especial - Ela fez uma pequena pausa, sua mente parecia viajar ao passado - Ele ter ido embora foi outro motivo, mas não é sobre isso que estamos falando.

- Mas o que eu faço? - Perguntei dando um longo suspiro.

- Não lute contra o que sente, se gosta dele, então vá atrás, lute por isso - Tentei absorver cada sílaba dita.

- Obrigada, mãe - Deixei meus braços envolverem sua cintura, aninhando meu corpo, como fazia quando era pequena.

- Por nada, meu anjo - Suas mãos pararam sobre meu cabelo, acariciando de forma delicada, me permitindo fechar os olhos e relaxar.

A noite, minha mãe e eu nos juntamos para fazer o jantar. Fazia tempo que não tínhamos esses momentos mãe e filha. Ajudei a preparar a massa, e em pouco tempo, uma travessa de lasanha estava em cima da mesa. O queijo borbulhava, só de olhar eu sabia que estava ótimo. Não foi difícil acabar com toda a comida, pelo menos da minha parte. Minha mãe comeu dois pequenos pedaços, mas eu, oh deus, já tinha passado do quarto.

- Parece que não come a séculos - Minha mãe me assistia devorar um enorme pedaço.

- Mas isso tá muito bom - Respondi ainda de boca cheia e acabei ouvindo um sermão por isso.

Depois de ajudar a lavar a louça, me despedi da minha mãe e subi para o meu quarto. Eu estava tão cheia que não conseguiria comer nem uma ervilha no momento. Após escovar meus dentes, me joguei em minha cama.

23h13min.

Meu estômago parecia se revirar, mesmo que não houvesse espaço para isso. Eu estava me remexendo na cama, virando de um lado para o outro e ainda não consegui achar uma posição ideal.Não se passou alguns minutos quando saí correndo para o banheiro, e me agarrei ao vaso sanitário. Fechei meus olhos para não precisar ver todo o meu jantar ir embora. Ouço som de passos em meio aos meus gemidos e grunhidos de incomodo. Tenho uma rápida visão da minha mãe parada na porta antes de enfiar minha cabeça de volta ao vaso.

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