Não falei com Zeno durante todo o final da semana, nem a seguinte que passou. Ele estava em seu modo off, com todo o processo do álbum. Minha preocupação era que, estando longe de mim, ele pudesse retornar com alguns vícios, como o cigarro ou a bebida. Me ligou alguns dias para cantarolar algo ou apenas "ouvir minha voz". Ouvi dezenas de vezes sobre como minha voz era sua força e lhe fazia bem; uma das vezes, me perguntei se me ver também não causava um efeito renovatório. Resolvi ficar calada.
A notícia sobre mim não explodiu, como achei que iria ser, graças a Deus. Na verdade, milhares de pessoas jogavam um verde para saber a verdade e, na quinta, logo antes do happy hour que costumávamos fazer, Zach me puxou para um canto quando voltava do banheiro para pegar minha bolsa e disse:
- Vamos jantar.
Abri um pequeno sorriso e mudei o peso de perna, cruzando meus braços.
- Eu já te disse que o seu timing é péssimo?
- Eu queria poder estar brincando, mas acabei de ouvir Lane falando com Marie pelo telefone. Acho que a People estará no happy hour. Sica disse que está livre hoje, então vamos juntar o útil ao agradável e ter o nosso jantar. Você pode até ligar para Melanie, se ela já não estiver em alguma festa.
Zach realmente parecia nervoso. Olhava para os lados enquanto falava e sussurrava tão rápido que eu poderia me perder na conversa, se não estivesse tão focada nela. Engoli seco. Eu sabia que minha chefe era uma traíra, mas colaborar com uma revista que era o oposto com princípios que a que ela trabalha era demais. Eu sempre imaginei que aqui não era o lugar dela, mas nunca imaginei que ela fosse me usar para tentar ir para onde deveria estar.
- Tudo bem, vou inventar uma desculpa. – concordei e ele sorriu.
- Vamos para o apartamento da Sica, ela disse que preparará um jantar para nós. Vou chamar o taxi para daqui a dez minutos. Esteja no saguão até lá. – e sem ouvir minha concordância, deu-me as costas e foi para sua mesa.
- Pronta, Bardot? – Lane olhou para mim, sorridente, enquanto eu voltava para minha mesa. As pessoas ao meu redor encaravam meus movimentos, mas não falaram nada. Não era mais uma incógnita para mim o fato de todo mundo confirmar presença no happy hour de hoje.
- Na verdade, não vou hoje. – disse, vendo-a parar repentinamente, virando-se para mim com uma expressão completamente oposta à que vi há dois segundos.
- Não vai?
- Não. Estou passando mal desde manhã, lembra? – aproveitei a deixa da minha reclamação logo que chegamos e Lane piscou duas vezes antes de se lembrar. Limpou sua garganta e veio até mim, colocando sua mão em minha testa.
- Você não está com febre, consegue sobreviver. Vamos lá, não dizem que uma bebida cura a dor?
- A ressaca, você quis dizer. – eu a corrigi, enquanto as pessoas ao meu redor concordavam com ela. – Eu não vou hoje, deixa para a próxima.
- Apenas porque sua chefe vai, você decidiu não ir, Bardot? Que tipo de funcionaria você é? Depois não vá me dizer ao RH que temos problemas de comunicação. – ela apontou para mim, seu rosto avermelhando.
Suspirei, massageando minhas têmporas. Eu poderia ir e negar tudo para Marie e o pessoal da People, mas isso daria só mais margem para todos saberem quem sou e me perseguirem até conseguir o que querem.
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Chain Reaction
RomantizmFama, dinheiro, poder e toda a abundância que uma celebridade merece receber pelos seus esforços e a disposição em transformar sua própria vida em uma série de TV. Queen Bardot nunca quis nada disso, mas vê seus planos de ter uma vida comum longe da...
