A conversa com Hilary me fez ficar pensativa durante todo o final da semana. No domingo, quando Mel passou em casa para sairmos para caminhar um pouco, me contou que o quadro de Zeno havia melhorado bastante, mas não a ponto de sair da zona de risco.
- Mesmo assim, nunca vi os médicos tão positivos com alguém tão... – sua voz morreu ao perceber que seria insensível. Essa, inclusive, é uma das características que estou acompanhando nascer em Mel. Por causa de Morgan, que deve estar entrando em um verdadeiro colapso, ela anda mais cautelosa com o que diz ou expressões que mostra, afinal, para quem está na amargura, qualquer sinal de chuva é motivo de tempestade. Suas mãos foram até os bolsos enquanto procurava um assunto para desviar. – Que tal um japonês?
- Topo. – sorri. Não precisamos mencionar qual restaurante que queríamos ir, pois só havia um japonês que nós frequentávamos desde que chegamos em Manhattan. O Wagamama possuía um ambiente simples e pratos executivos baratos. O dono do local, Koi, nos deu a nossa mesa de sempre, longe do banheiro e isolado do salão principal. Mel e ele tiveram um rolo há um tempo; ele foi a única pessoa que manteve um relacionamento saudável com ela depois do término, porque foi ele quem terminou. Na época, Mel ficou arrasada e ao mesmo tempo admirada, pois sabia que seus ex todos não tinham coragem suficiente para terminar com ela.
- O mesmo de sempre, garotas? – ele sorriu. – Vou mandar uma entrada nova por minha conta para vocês experimentarem. – enviou uma piscadela para Mel antes de sair.
- Ele está louco para me comer de novo. – ela riu. – Bem que queria.
- Se você realmente for masoquista, vá em frente. – sorri, vendo-a fazer uma careta. Nós duas sabíamos que Koi era o único cara que Mel se desmanchava na cama. Nem Morgan havia conseguido; era claro que ele nunca ficaria sabendo disso.
Durante o jantar, contei para ela da conversa que tive com Hilary; ou do monólogo que ouvi dela. Mel manteve-se calada o tempo todo, ouvindo com atenção, como se fosse uma psicóloga; essa é outra característica que vem sendo melhorada nela: o dom de ouvir E prestar atenção ao mesmo tempo, quando ela não é o assunto principal.
Assim que terminei, esperei que ela soltasse um muxoxo e fizesse algum comentário grosseiro sobre Hilary. Me surpreendi ao vê-la beber um gole de sua bebida para ganhar tempo em pensar no que me dizer. Não posso dizer que achei legal da parte dela tomar cuidado com o que diz, mas não estou entrando em colapso como o namorado dela; além disso, estou acostumada com seu egoísmo, de modo que vendo-a dar tanta atenção e demonstrar tanto interesse no que falei, me faz chegar à conclusão de que Hilary disse muito mais do que falou, e que eu estava sendo orgulhosa demais de dar atenção ao assunto.
- Eu só preciso da sua opinião. – disse, desistindo de esperar por uma resposta.
Mel olhou para os lados, como se quisesse conferir quem estava ao nosso redor; ela ainda tem a esperança de me ver sendo reconhecida por alguma fã do Dukhan e poder se gabar da posição em que está; muito ao contrário de mim, que até cheguei a pesquisar na internet o valor de uma cirurgia plástica.
- Olha, a gente não sabe bem como é ser mãe. – ela ergueu os ombros. – E nós sabemos, ou pelo menos temos a impressão, que Hilary é uma louca desvairada que só liga para o próprio umbigo. Ainda assim, é praticamente impossível que ela nunca tenha se importado com Zeno. Quero dizer, mães não têm essa sensibilidade quando se trata de sua cria?
- Ela o abandonou, Mel. – argumentei em um tom exausto, como se isso fosse o suficiente para ignorar toda a história que ela havia me dito. – Ela e o pai de Zeno o deixaram na rua ou sabe-se lá na casa de quem, já que, para eles, ele estava na casa de familiares.
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Chain Reaction
RomanceFama, dinheiro, poder e toda a abundância que uma celebridade merece receber pelos seus esforços e a disposição em transformar sua própria vida em uma série de TV. Queen Bardot nunca quis nada disso, mas vê seus planos de ter uma vida comum longe da...
