Capítulo 4 - She got hit.

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Abri os olhos devagar e senti minha cabeça doer. Demorei para focar os olhos em algum lugar, e quando consegui enxergar alguma coisa eu percebi que eu estava em um hospital. Tentei me mexer e senti uma dor horrível demais no meu braço esquerdo, quando o olhei o mesmo estava enfaixado.

Olhei em volta e tentei achar algum jeito de chamar alguém pra me explicar o que estava acontecendo. Encontrei um botão ao lado da cama e com muito esforço consegui aperta-lo. Logo uma moça entrou e me olhou com um sorriso.

- Olá, como se sente? – ela chegou perto de mim com uma prancheta.

- Estou com dor no corpo e com dor de cabeça também, o que aconteceu comigo?

- Você foi atropelada. – ela anotava algumas coisas na prancheta.

- Atropelada? Como assim? – perguntei confusa me lembrando vagarosamente de tudo.

- Você estava correndo na rua, o carro vinha em alta velocidade e você atravessou na frente dele. – ela disse sorrindo torto.

- E como eu vim parar aqui? – só faltava essa, fui atropelada e abandonada na estrada, ótimo.

- O rapaz que te atropelou chamou a ambulância e eles te trouxeram. – menos mal, pensei.

- Ah sim. – olhei para os lados.

- E você quebrou o braço.

- É, eu vi, que droga – eu disse olhando para meu braço enfaixado.

- Mas você deu sorte por não ter sido algo mais grave, você podia ter morrido.

- É. – eu disse tentando terminar aquela conversa.

- No mínimo 2 meses usando gesso – ela me olhava com dó.

- Eu já posso ir embora? – perguntei mudando de assunto.

- Só quando um responsável por você vir e assinar alguns papeis. – DROGA DROGA DROGA, MIL VEZES DROGA. EU ESTAVA FERRADA. QUE RESPONSÁVEL? EU NÃO TINHA NINGUÉM!

- Ah, entendi. – disse tentando não transparecer meu olhar de preocupação.

- Bom, agora eu vou sair e deixar o garoto que te atropelou entrar, ele ficou aqui a noite toda. – ela riu fraco.

- Ta. – pelo menos ele não me abandonou na estrada, ri fraco.

A moça saiu e cerca de 5 minutos escutei o barulho da porta se abrindo e abri os olhos. Vi entrando no quarto um garoto branquelo e que tinha um topete bem feito em sua cabeça. Ele andava parecendo um pato, e não pude deixar de reparar no quanto ele era lindo. Lindo demais.

Se eu soubesse que seria atropelada por um cara desses, queria ser atropelada mais vezes.

- Oi? – ele disse chegando perto de onde eu estava.

- Ahn.. Oi – eu disse sem graça, eu já disse que ele é lindo? Mas não é só lindo, é tipo aqueles garotos quevocê vê pela primeira vez e se apaixona? Ele é maravilhoso, até supera aqueles meninos do colégio que você nunca viu, nunca conversou, mas paquera sabe? Não que tenha acontecido comigo, é que eu vi em filmes algumas vezes...

- Você está bem? – ele perguntou.

- E... Eu ... To .. To bem agora. – me repreendi mentalmente por ter gaguejado.

- Foi mal ter te atropelado. – ele disse parecendo ser sincero, e rindo fraco pelo nariz.

- Não foi nada. – sorri pra ele.

- É claro que foi, olhe ai, esta até de braço quebrado... Só espero que não me denuncie para a policia – ele riu nervoso.

- Mas é claro que não, foi um acidente – eu sorri e ele pareceu respirar tranquilizado. E logo depois disso o silencio reinou.

- Qual é seu nome? – ele disse um tempo depois.

- Me chamo Kimberly, Kimberly Marshall, e você?

- Kimberly Marshall? Por acaso seu pai é o Thomas Marshall? – ele perguntou.

- Bem... Meu pai era o Thomas Marshall – olhei pro lado.

- Era? – ele perguntou confuso.

- Era. Caso você não saiba, ele morreu alguns anos atrás. – eu disse me sentindo desconfortável com o assunto.

- Ah, eu ... Tinha ouvido falar uma época, mas tantas vezes inventaram isso e era mentira, que e eu não acreditei. – ele disse olhando para seus pés.

- Entendo... E como você se chama? – perguntei.

- Meu nome é Justin, Justin Bieber. – ele sorriu, e que sorriso. Acho que ele vai ser meu garoto do colégio.

O silencio surgiu novamente, mas foi quebrado mais uma vez por ele.

- Posso te fazer uma pergunta? – ele disse me olhando.

- Claro.

- Ahn... Antes de eu, você sabe... Te atropelar, você estava correndo e chorando, não é? Eu quando fui até você. – fiquei surpresa.

- É...É, sim – disse desviando o olhar.

- E por que chorava? – ele perguntou.

- É uma longa história... Você não vai querer saber. – ri fraco.

- Se eu estou perguntando, então, bem, eu quero saber – ele sorriu de lado me encarando. Suspirei.

- Bom, a 4 anos atrás, meus pais foram mortos por caras que invadiram nossa casa para rouba-la. Eu e meu irmão conseguimos fugir, mas no caminho me perdi dele e acabei indo parar num orfanato. Nenhum dos meus parentes quis ficar comigo então eu fiquei naquele mesmo orfanato até hoje. Hoje de manha fui surpreendida pelo pessoal de lá, hoje é meu aniversário de 17 anos e eu havia me esquecido. Depois de uma pequena comemoração eu recebi uma visita. Era minha tia que a 4 anos não me via, e ela me deu a noticia de que meu irmão que eu achei que estava morto, estava vivo esse tempo todo e eu não sabia. Ele achou que eu estava morta também. Mas o motivo de eu ter saído chorando foi porque eu soube que ele morreu em um acidente de carro, alguns dias atrás. – eu tentei me segurar, tentei me controlar, mas quando vi, já estava derramando algumas lágrimas. Aquila ferida ainda era nova para mim. Ele parecia ter ficado sem reação.

- Nossa... Eu... Não sei nem o que dizer – ele disse passando a mão na nuca. - Não chora. – ele chegou perto de mim e segurou meu rosto. Ficou um tempo me encarando e foi quando eu reparei na cor de seus olhos. Eram perfeitos.

- Justin... Me... Me faz um favor? – eu disse um tempo depois. Limpei as lágrimas do meu rosto, me lembrando da emboscada em que eu estava metida e pensando que ele seria minha chance de salvação.

- Pode falar. – ele me olhou.

- Eu não quero voltar para o orfanato nem que me paguem, e eles me disseram que eu só posso sair daqui se alguém assinar pra isso, e eu realmente não tenho ninguém. – engoli o choro. - Você poderia assinar pra eu sair daqui? – pedi e esperei com todas as minhas forças que a resposta fosse positiva.

Love HurtsHistórias para pegar e não largar. Descubra agora