Capítulo 38 - On the highway to hell.

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- O que esta acontecendo? – escutei a voz de Justin. Eu estava paralisada no lugar.

- Saiam daqui. – eu sussurrei.

- O que você disse queridinha? Eu não ouvi direito. – ela arqueou uma sobrancelha.

- EU DISSE PARA VOCÊS SAÍREM DAQUI! – num rápido impulso eu me levantei do chão, entrei em meu quarto correndo e tranquei a porta em seguida.

Eu nunca pensei que eu me sentiria assim, eu nunca pensei que eu desejaria tanto a morte como eu desejo agora.

As pessoas não se importam comigo, eu não sou nada para ninguém, não significo nada neste mundo vazio. Meu coração esta sangrando e eu não vejo outra saída a não ser a morte. Quem sabe lá eu não encontro alguém como eu? Alguém que sinta a mesma dor que eu sinto?!

Fui ao banheiro e coloquei a banheira para encher; voltei ao quarto e pensei no jeito mais rápido para acabar com isso de uma vez por todas.

Abri a porta do meu quarto e não escutei nenhum barulho por perto. Maravilha. Fui ao escritório de Justin e assim que abri a segunda gaveta da sua escrivaninha, eu encontrei o que estava procurando. Uma arma. Com muito cuidado eu sai de lá e voltei para meu quarto. Eu não conseguia acreditar que eu estava mesmo segurando aquilo.

Deixei minha nova amiga em cima da cama e peguei meu celular, eu tinha que me despedir da Savannah. Respirei fundo e tentei escolher bem minhas ultimas palavras.

"Esses 4 anos que passei com você, foram definitivamente os melhores da minha vida. Eu não tenho palavras para te agradecer por tudo que você já fez por mim. Eu te amo MUITO! Nunca duvide disso... Mas, é que... Eu não estou aguentando mais, essa dor no meu coração parece que nunca vai passar e eu não vejo outro jeito de me livrar dela a não ser acabando com a minha vida. Eu espero que você me entenda e me perdoe por isso. Eu te amo."

Apertei "ENVIAR" e imediatamente comecei a chorar. Eu sou uma pessoa horrível, uma péssima amiga e eu mereço sofrer por isso.

Peguei a arma e levei até a pia do banheiro. Peguei uma gilete, quebrei ela e segurei uma lamina entre os dedos. Respirei fundo e a apertei contra meu pulso esquerdo. A dor foi quase insuportável, mas antes que eu pudesse gritar, fiz vários outros cortes por todo o braço. O sangue pingava no chão e eu só queria que eles pudessem levar minha dor também.

Eu merecia aquilo, aquela dor. Aliás, eu merecia muito mais. Peguei a arma e fui em direção a banheira, sendo seguida pelos rastros de sangue. Não me preocupei em tirar a roupa, entrei vestida e me sentei. De repente comecei a rir. Aquilo tudo era tão ridículo, a vida é tão ridícula, as pessoas são ridículas.

Respirei fundo e me deitei na banheira. Meu plano inicial era eu me afogar até perder a consciência, e se não desse certo, a arma que estava em minhas mãos daria conta do recado.

P.O.V Savannah.

(Alguns minutos antes)

Eu estava em casa com David vendo um filme qualquer na TV. Eu estava tão feliz por ter achado alguém como ele que eu queria estar junto a ele 25 horas por dia. Ele me completa e me faz feliz de um jeito que ninguém jamais conseguiu fazer.

Meus pensamentos foram interrompidos quando meu celular apitou, indicando que eu tinha recebido uma mensagem. Pensei em ignorar, mas algo aqui dentro me fez saltar do sofá e ir pegar o celular logo em seguida.

[...]

- Você tem certeza que não quer que eu vá com você? Você esta muito nervosa, amor...

- Sim, eu tenho certeza, eu ficarei bem, obrigada. – eu disse nervosa enquanto saia do carro. Eu não contei a ele sobre o que a mensagem dizia.

- Tudo bem, te vejo mais tarde?

- Sim, eu te ligo, se cuida!

- Você também. – escutei ele gritar enquanto eu corria até os portões da casa de Justin.

Eu não sabia se ela estaria ali, mas eu precisava tentar. Eu disse meu nome ao segurança e quando ele se virou dizendo que ia anunciar minha chegada, eu passei correndo por ele e fui em direção a porta. Eu estava nervosa e furiosa, com certeza isso tinha a ver com Justin e se alguma coisa acontecer com ela, quem morre é ele.

Entrei sem bater na porta e corri em direção as escadas. Entrei na primeira porta aberta que eu vi, e por sorte era o quarto de Justin. Pelo menos devia ser, pois tinha algumas roupas jogadas pelo chão. Escurei o barulho do chuveiro e me direcionei para a porta do banheiro.

- JUSTIN?! EU ESTOU POUCO ME LIXANDO PELO FATO DE VOCÊ ESTAR TOMANDO BANHO, SAIA DAI AGORA! – dei vários chutes na porta. - VOCÊ ESTA ME OUVINDO? ABRE A PORRA DESSA PORTA! – comecei a chutar com mais força.

- O que foi caralho? – ele disse assim que abriu a porta. Ele estava de bermuda e com uma toalha terminando de se enxugar.

- O QUE FOI? EU É QUE PERGUNTO. O QUE VOCÊ FEZ COM ELA? ONDE ELA ESTÁ?

- Ela quem porra? A Britney? Saiu agora pouco daqui, eu...

Interrompi. - A KIMBERLY, EU QUERO SABER ONDE ESTA A KIMBERLY! O QUE VOCÊ FEZ COM ELA? EU VOU TE MATAR A SE ALGUMA ACONTECER COM ELA. ESTA ME ENTENDENDO?!

- Do que você esta falando porra?! – ele disse, ja nervoso. Em seguida joguei meu celular em sua direção e por pouco ele não cai no chão.

- DO QUE EU ESTOU FALANDO? ESTOU FALANDO DESSA MENSAGEM, É DISSO QUE EU ESTOU FALANDO! – ele leu rapidamente a mensagem.

- Não... – ele sossurrou e correu em direção a outra porta e eu o segui. - ABRE A PORTA KIMBERLY. – ele tentava desesperadamente abrir a porta.

- KIM?! VOCÊ ESTÁ AI? SOU EU, ABRE A PORTA POR FAVOR! – comecei a chorar. - ARROMBA LOGO ESSA PORRA! – gritei e em seguida Justin começou a dar mais chutes e socos na porta.

Assim que ele conseguiu abri-la, eu entrei correndo no quarto mas ele estava em perfeito estado e sem sinal da Kim. Quando passei o olho pelo quarto novamente, vi Justin em frente a uma porta, e pela sua expressão facial eu deduzi que ela também estava trancada. Corri até lá e comecei a dar socos desesperados na mesma.

- Por favor Kim, não faça nenhuma besteira, abra essa porta, por favor, eu não vou conseguir viver sem você. – cai ajoelhada adiante a porta.

- Me dê licença. – Justin sussurrou sério e eu sai dali.

Num único chute ele conseguiu abrir a porta e em seguida entrou no banheiro. Seu rosto se suavizou e pude notar que seus olhos se encheram de água. Não esperei nem mais um segundo e me levantei, entrando no banheiro em seguida. Quando eu vi rastros de sangue e um corpo dentro de uma banheira ensanguentada, meu mundo desabou. 

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