Rebecca abriu os olhos e demorou alguns segundos até se lembrar do local onde estava. Nele se encontrava a cama onde estava deitada, um guarda-roupa a sua frente, um mesinha ao seu lado e a porta de madeira do lado esquerdo do quarto. Ela coçou seus olhos e se sentou na cama, sua cabeça estava doendo. Colocou a mão na testa e sentiu que ela estava quente, muito quente. Havia se passado uma semana desde aquele dia.
Três batidas na porta fizeram Rebecca se assustar. A porta se abriu e lá estava sua avó. Com cabelos curtos grisalhos, aquelas roupa que ninguém nunca usaria, algumas bijuterias presas ao pescoço e o perfume caseiro que Rebecca havia lhe dado de aniversário alguns anos atrás. Nas mãos trazia uma bandeja com pão e uma xícara que exalava fumaça.
— Você está bem, minha querida?
— Ainda com dor de cabeça. — Rebecca passou a mão na testa novamente.
— Depois do que aconteceu não me admira você estar assim. — Sua avó se aproximou e se sentou na cama ao seu lado. — Tome, isso é pra você...
— Vovó não precisav...
— Ah, cale a boca e beba logo isso. — Rebecca riu e sua avó passou a mão em seus cabelos. O que Rebecca estava bebendo com certeza era algum tipo de chá feito com alguma planta do enorme jardim de sua avó. — Quando você estiver melhor, venha até mim para termos uma conversa...
E assim a avó de Rebecca se foi fechando a porta com o maior cuidado.
Depois de escovar os dentes, pentear o cabelo e arrumar uma boa roupa Rebecca foi ao encontro de sua avó.
Ela estava na sala sentada em sua cadeira de balanço costurando alguma roupa que Rebecca não conseguiu identificar o que era.
— Aí está você! — Disse sua avó. — Venha, sente por aí.
Rebecca sentou no tapete que estava estendido no chão e ali ficou como ficava quando era pequena.
— Oh, querida. Você cresceu tanto de lá pra cá. — Sua avó riu ao dizer isso. — Mas já que você sentou aí, lhe contarei o porquê do seu pai ter feito aquilo. — O estômago de Rebecca embrulhou e ela se lembrou do sangue espalhado pela cozinha de sua casa. — Tudo começou a dezoito anos atrás, quando o seu pai conheceu sua verdadeira mãe, ambos eram jovens e não sabiam o que estavam fazendo. Seu pai a engravidou mas nove meses depois sua mãe morreu ao te dar a vida. Mas ela tinha uma irmã da qual seu pai convenceu a cuidar de você, ela não foi boba e disse que só cuidaria de ti se lhe fosse dado uma boa quantia em dinheiro. Eu e seu pai vinhamos pagando esse dinheiro desde o seu nascimento. — Os olhos de Rebecca se encheram de lágrimas, mas não porque ela estava triste, mas sim por raiva. Ela não conseguia engolir que eles haviam mentido para ela todo esse tempo. — Iriamos te contar isso quando você fosse maior, mas seu pai insistia em...
— Por favor, pare. Não precisa me dizer mais nada.
— Ok, querida. Não irei mais comentar sobre o assunto.
A campainha tocou e Rebecca olhou em direção a porta.
— Você está esperando alguém, vovó?
— Não...
Rebecca enxugou as lágrimas dos olhos e foi atender a porta. E assim que abriu toda sua tristeza parecia ter ido embora ao olhar para aqueles olhos castanhos escuros.
— Você não responde minhas mensagens, precisava saber se você está bem! — Disse Samuel.
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Lágrimas e Chuva
RomantizmRebecca inicia seu primeiro ano do Ensino Médio em uma escola nova da qual não conhece exatamente ninguém. Suas amigas da antiga escola já não conversam com ela como antes, sua única amizade com qual mantem contato é com o seu melhor amigo virtual q...
