— REBECCA? REBECCA? VOCÊ ESTÁ BEM? — Perguntou uma voz.
Rebecca arregalou os olhos e quase caiu da cadeira onde estava sentada. Mas ela foi segurada por Isabel e Daniel que estavam ao lado dela, eles se encontravam na sala dos professores. Rebecca reconheceu a grande mesa oval no centro da sala.
Rebecca coçou a cabeça e bagunçou uma parte do cabelo.
— O que aconteceu? — Perguntou ela.
— Você desmaiou. — Falou Isabel. — Do nada.
— Logo depois deu perguntar...
— Sim, eu quero.
— O quê? — Perguntou Daniel surpreso. — Ah, sério? Que ótimo. Que ótimo pra nós.
— Sim, é. — Rebecca segurou as mãos de Daniel e se levantou.
Ambos se olharam nos olhos e se beijaram. Isabel fez uma cara feia e saiu da sala.
Rebecca abraçou Daniel, que por sua vez retribuiu fortemente. Eles ficaram ali por um tempo, até que um de seus professores entrar na sala. Eles foram expulsos, óbvio.
Então os dois foram para aquele banquinho distanciado dos demais.
— O que a gente faz agora? — Perguntou Rebecca.
— Não sei, nunca tinha passado por isso antes...
Rebecca riu e colocou a cabeça no ombro de Daniel. Ambos ficaram por ali um bom tempo encarando o nada.
Um celular vibrou e Rebecca viu que era o seu. Na aba de notificação vinha escrito:
Mãe - 11h23: VENHAM PARA CASA AGORA! PRECISO DE VOCÊ.
Rebecca colocou o celular no bolso e beijou Daniel. Um beijo longo e sem presa.
O celular dela vibrou mais uma vez, mas ela ignorou.
Porém aquilo não parecia parar. O celular vibrava a cada segundo. Rebecca desbloqueou a tela e leu de relance algumas mensagens.
Mãe - 11h25: POR FAVOR, VENHA LOGO.
Mãe - 11h26: EU NÃO SEI O QUE DEU NELE, PRECISO DE AJUDA.
Mãe - 11h27: SEU PAI ESTÁ LOUCO!
— Não... de novo não! — Disse ela.
Rebecca nem se despediu de Daniel e correu para casa o mais rápido que pode.
*******
Quando chegou, ela tirou a chave do bolso e quase não conseguiu abrir o portão porque estava tremendo. Lá de fora se dava para ouvir os gritos de seus pais. Ela olhou para o poste mais próximo e viu uma coruja branca com os olhos pretos lhe encarando.
— Não, por favor. Não!
Quando abriu, ela passou pela área e cruzou a porta tão rápido que quase caiu na sala. Virou o corredor e entrou na cozinha.
Sua mãe estava na extremidade da cozinha ao lado da geladeira com uma faca na mão. Seu pai estava perto tentando ataca-la, mas sua mãe desvia com faca.
Rebecca foi tentar ajudar mas foi empurrada e bateu a testa na quina da mesa. Ela ficou tonta e sua visão embaçada. Ela ouviu um grito mas não conseguia saber de que lado vinha.
Quando conseguiu ver novamente se deparou com seu pai em cima de sua mãe lhe dando vários socos e murros. O rosto dela estava meio roxo e cheio de sangue.
Rebecca pegou uma panela de pressão que estava em cima da mesa e com um só golpe derrubou seu pai. Ele caiu ao lado de sua mãe e ficou sem se mover.
Sua mãe colocou dois dedos no pescoço dele e disse:
— Ainda está vivo! Pegue aquela faca.
Rebecca ficou parada.
— Ande, Rebecca. Antes que ele acorde! Me dê essa faca!
— Não, mãe! Não!
— Você não sabe o que acontece aqui dentro não é? — Ela se levantou e Rebecca deu alguns passou para trás. — Eu não sou sua mãe. Sua mãe morreu ao te dar a luz. Esse idiota me convenceu a cuidar de você, como eu era idiota naquela época achei que seria legal. — Rebecca colocou a mão na boca. — Isso mesmo minha querida. Eu não sou e nunca serei sua mãe.
Rebecca andou para atrás até que encostou na parede e ficou cara a cara com ela. Dava pra sentir o calor de sua respiração.
Mas com um golpe rápido a garganta dela foi cortada de uma extremidade a outra, o sangue jorrou molhando toda a cara de Rebecca. O corpo caiu e ela pode ver seu pai com uma faca na mão.
Rebecca focou em seu pai e ficou parada até ele dizer:
— Chame a polícia.
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Lágrimas e Chuva
RomanceRebecca inicia seu primeiro ano do Ensino Médio em uma escola nova da qual não conhece exatamente ninguém. Suas amigas da antiga escola já não conversam com ela como antes, sua única amizade com qual mantem contato é com o seu melhor amigo virtual q...