A Terça-feira de Rebecca foi de mal a pior depois que ela recebeu seu teste de matemática com um zero bem redondo onde devia estar uma nota aceitável. Ela fez uma cara de quem não se importava mas por dentro estava se sentindo uma inútil.
Hoje Daniel não fora para escola, disse que precisava ir ao dentista ou ao assim. Isabel também tinha faltado, provavelmente teria acordado atrasada e desistido de vim.
Passou a manhã toda sozinha, nada de diferente. Mas Rebecca não achava ruim, até que gostava.
Indo para casa enquanto voltava da escola ela cruzou com duas corujas, a primeira que estava na esquina do colégio em um poste de luz era branca com algumas penas negras. Rebecca ficou encantada, a outra que estava em um outro poste de luz na esquina de sua casa tinhas todas as penas negras, mas seus olhos eram brancos como uma luz ao fundo de um túnel escuro. A coruja parecia encarar Rebecca e ela podia confessar que estava apaixonada.
Após entra dentro de casa, jogar sua mochila no quarto e ir para cozinha para comer. Sentou-se na mesa e respondeu a mesma pergunta que sua sempre fazia:
— Então, querida. Como foi a escola hoje?
— Ah, foi normal. De novo.
— Vai querer abóbora cozida, também?
— Vou sim. Ah não, espera! Hoje eu vi duas corujas, ambas eram lindas. — Disse Rebecca com um sorriso.
— Coruja é? Sua avó dizia que isso significa que tem morte vindo, tome cuidado!
— Mas mãe, você sabe que a maioria das superstições da vovó não passavam de coincidência ou mentiras né.
— Mas é bom ficar esperta. Nunca se sabe o que pode acontecer.
Rebecca comeu sua comida em silêncio. Imaginando se alguém poderia morrer mesmo naquele dia.
Saiu para o curso um pouco adiantada. Chegou lá faltando 10 minutos para entrada. Sentou num banquinho lá no fundo do pátio, longe dos demais.
Um menino sentou ao lado dela e abriu um livro. Devia haver uma regra sobre pessoas que deviam levantar a capa do livro para as outras poderem ler e saber qual o nome do tal.
O menino estava com uma calça jeans, uma blusa de manga longa preta e o óculos redondo da cor marrom clara. Os cachos pulavam da cabeça num lindo espetáculo de marrom escuro. Mas Rebecca ficou vermelha de vergonha quando reconheceu quem era. Era o menino com quem tinha esbarrado no outro dia e sem querer dito que ele era lindo (mesmo sendo verdade).
Ela virou o rosto e olhou pro chão torcendo para que ele não a reconhecesse.
Todos começaram a entrar e ela não perdeu tempo entrando na multidão.
Chegou na sala e entrou rápido. Duas pessoas tinham chegado primeiro que ela, a outras foram entrando aos poucos. Ela sentou em uma carteira perto da mesa da professora.
— É aqui a sala 24? — Perguntou um menino, Rebecca pensou que só podia ser brincdeira quando viu quem era aquele menino.
— É sim. — Disse uma garota.
O menino entrou e sentou ao lado dela, Rebecca voltou a ficar vermelha.
Quando a professora entrou, a conversa cessou.
Ela parecia abatida, parecia que havia sido atropelada por um carro.
Seu cabelo estava sujo e bagunçado, seus óculos manchados, seu batom vermelho borrado, tinha esquecido de colocar um lado do brinco, suas blusa branca estava suja de terra, sua saia rasgada e calçava um tamanco em um pé e uma sandália havaiana na outra. Na mão ela levava uma garrafa de uísque e na outra tinha sua bolsa. Claramente estava bêbada.
Uns risinhos foram escutados lá no fundo.
— Hola, classe! — Falou ela animada. — Abram os cadernos, que hoje... — Ela caiu na cadeira e colocou a mão na testa. — Muito barulho... muito barulho...
— Professora, a senhora está bem? — Perguntou alguém lá do fundo.
— Senhora? Por acaso você me acha velha? — Ela encarou a menina. — EU POR ACASO PAREÇO VELHA? — Ela gritou. — Escutem meninas. — Ela pontou a garrafa parar todas as meninas. — Nunca acredite em um homem, são todos uns inúteis! E nunca acredite quando um deles disser que te ama, pois é mentira! — Ela caminhou até sua mesa onde tinha jogado sua bolsa. Jogou a garrafa no chão e soltou um "ops".
Rebecca estava assustada, nunca em sua vida havia passado por aquilo.
— Ele também me disse que eu parecia velha... mas ele também não é muito novo! — Uma lágrima escorreu no rosto dela. Ela abriu a bolsa e começou a procurar algo. — Mas mesmo assim eu o amava... eu o amava! — Ela pareceu achar o que procurava e de lá tirou uma arma. As meninas gritaram e todos se abaixaram embaixo da carteira. Menos Rebecca, ela ficou encarando a professora atordoada. — E ainda assim o filho da mãe me trocou por ela! — A professora olhou para Rebecca. E com uma movimento rápido ela levou a arma até encima da orelha e disse: — Nunca confie em ninguém, minha querida.
O barulho que aquilo tinha feito mais os gritos que todos faziam deixou Rebecca tonta, mas com o rosto coberto de sangue e com os olhos ainda arregalados ela não se moveu e continuou ali parada olhando para o nada.
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Lágrimas e Chuva
RomanceRebecca inicia seu primeiro ano do Ensino Médio em uma escola nova da qual não conhece exatamente ninguém. Suas amigas da antiga escola já não conversam com ela como antes, sua única amizade com qual mantem contato é com o seu melhor amigo virtual q...
