Capitulo 6

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ANTES

Tudo naquele rapaz me prendia à ele. E eu sei que é muita loucura um romance suspirar. Mas eu não costumava perder meu sono por rapazes, principalmente por rapazes que eu não conhecia.

AGORA

Depois do despertador tocar pela terceira vez me levantei; ainda sentia sono, mas tive que ignora-lo.
Sentei-me na cama e suspirei exasperada. Cabelos caiam sobre meu rosto; levantei-me e fui tomar um banho, quando saí do banheiro, ainda secando meus cabelos com o secador fui pra frente do espelho; passei uma base e pó compacto, sem me esquecer de usar o rímel. Não demorei muito e logo desci para tomar café.
- Bom dia Campeão. - Comprimentei papai dando um beijo em sua cabeça.
- Bom dia Eliza. - Respondeu papai sorrindo; papai já se servia, e eu fiz o mesmo.
- Bom dia. - Disse seco, comprimentou meu irmão entrando na cozinha.
Eric, ele costumava ser mais mal-humorado que eu, e passava o dia trabalhando jogando video game. O que fazia de seu estranho mal humor algo extremamente patético; o muleque deu sorte, ele testava todos os jogos, e organizava tudo, então era tudo muito bom pra ele.
Mas, ele não era tão social conosco, não costumava falar muito, ele ficou assim desde a morte de nossa mãe, e eu nunca soube o por quê disto, dessa distancia de nós.
- Bom dia. - Comprimentamos papai e eu em uníssono; o silêncio logo se instalou e eu comi em silêncio.
- Como está o trabalho filho? - Perguntou meu pai à meu irmão tentando puxar assunto.
-Bem. - Respondeu seco e foi tudo que disse.
O silêncio se instalou de novo.
Papai ficou um pouco sem jeito. Abaixei meu olhar e comecei a beliscar algo novamente. Meu pai fingiu uma pequena tosse para que chamasse a minha atenção.
- Não demore Eliza. - Pediu papai se levantando; ele bagunçou meus cabelos e eu revirei os olhos irritada. Ele ia mesmo me levar ao colégio, queria ter certeza que eu não estava matando aula, nem que eu havia mentido sobre ontem; não adiantaria discutir; eu sabia que não iria adiantar. Papai era muito teimoso, e quando colocava algo na cabeça, dificilmente tirava. Acho que herdei isso dele.
Meu irmão se levantou logo depois, lavando a louça que tinha usado na pia.
- Juizo Eliza. - Pediu em um sussurro e saiu indo trabalhar.
Logo terminei e corri para o carro; não demoramos quase nada e logo chegamos ao colégio, que não era muito distante de casa. Desci rapidamente e bati a porta do carro com força.
- Hey! - Reclamou meu pai e eu ri sem deixar que ele percebesse.
- Vamos Campeão. - Chamei e ele fez um gesto negativo com a cabeça enquanto tentava esconder um sorriso. Ele desceu e correu para me alcançar; vários alunos conversavam e  entravam no colégio.
Assim que entramos papai viu Walker que estava no corredor reclamando algum pobre e azarado "delinquente" por ter feito alguma besteira; eu assoviei chamando sua atenção, ele seguiu o som e seus olhos encontraram meu pai e eu. Papai me repreendeu com o olhar por eu ter  chamado o diretor da escola daquela maneira.
- Bom dia Steve, bom dia Eliza! - Comprimentou o Diretor com um sorriso.
- E aí, Walker. - Eu disse levantando minha mão para que ele batesse. Walker hesitou por um segundo, mas logo bateu; não fazia a praia dele essas coisas. Segurei uma leve gargalhada.
- Vejo que está melhor Srta. Boston. - Concluiu Sr. Walker; mordi os lábios para evitar sorrir.
- Bom dia Sr. Walker! - Comprimentou meu pai ao diretor; me lançando um olhar desaprovador por minhas atitudes.
Talvez papai quisesse que eu fosse mais como minha mãe, ele dizia que ela era tão doce quanto o mel, tão delicada quanto uma tulipa; mas eu estava mais para o contrário. Talvez eu fosse uma decepção de garota, mas papai me amava mesmo assim e era isso que importava.
- Louis! - Gritei assim que o avistei no meio daquela multidão de alunos que se dirigiam para as classes, chamando atenção dele
- Campeão... - Comecei a falar para meu pai, mas fui interrompida pelo mesmo.
- Tudo bem. - Assentiu papai; ele entendeu que eu queria encontrar-me com Louis. - Comporte-se Elizabeth. - Advertiu meu pai me dando um beijo na testa; eu revirei os olhos por ele dizer tamanha besteira.
- Eu sempre me comporto Papai. - Falei fingindindo indignação. Walker sorria de toda aquela situação; dei um aceno com a cabeça e fui em direção a Loius que estava parado com um sorriso enorme me esperando; ele me abraçou rapidamente.
- Vejo que tua mentira não durou muito menina. - Concluiu Loius apontando com o queixo em direção a meu pai e o diretor que agora se direcionavam para a sala do mesmo.
- Ele só quer ter certeza de que está tudo bem; agora vamos Loius. - Expliquei e o empurrei para a sala em seguida.
Por acaso Louis era bem bonito; devia ter seus 1.85 de altura, era moreno claro, e estava sempre com a barba por fazer; algo que eu gostava; a barba o deixava mais bonito. Ele usava óculos de grau também, o deixava com ar de mais sério.
Entramos brincando distraidamente na classe, o resto das pessoas conversavam e coxixavam distraidamente enquanto o prófessor ainda não havia entrado; eu tinha me esquecido de qualquer outra coisa naquele momento, até que meus olhos encontrarão o mesmo rapaz do estacionamento, o mesmo cara da diretoria. Parei abruptamente, meu coração começou à se acelerar em meu peito.
Ele estava de cabeça baixa, seus cabelos louros numa bagunça maravilhosa; levantou sua cabeça e seus olhos logo encontrarão os meus; voltei a sentir tudo aquilo que senti no dia anterior ainda mais forte, e agora me perguntava como havia conseguido ficar tanto tempo longe dele; parecia impossível qualquer proposital distância entre nós, eu sentia que poderia morrer, isso mesmo. Morrer se passasse mais tanto tempo longe dele.
- Elizabeth! - Chamou-me Loius me balançando pelos ombros violentamente, voltei minha atenção à ele.
- O quê há? - Perguntei ainda confusa.
- Eu que lhe pergunto! Estás pálida! Branca feito neve! Vistes um fantasma Elizabeth ? - Indagou Louis ainda segurando-me fortemente pelos ombros. É claro que eu estava pálida, ver aquele cara mechia mais do que só com meu emocional bem mais que o esperado.
- Louis! LOUIS! Solte-me! Está me machucando. - resmunguei chateada. Ele havia me apertado demais; largou assim que percebeu que estava me machucando; ouvimos um rosnado e ambos olhamos pro lado no mesmo instante encontramos os olhos cinzas de Alec ... sim Alec. Franzi o cenho confusa. Ele tinha... rosnado?
Ele nos observava atentamente, estava com os punhos cerrados sobre a mesa, uma coisa que eu não entendi o por que.
Antes que eu me perdesse novamente no deslumbre daqueles olhos, Louis me empurrou levemente, então caminhei até o lugar onde sempre me sentava, todos fizeram o mesmo; o professor havia entrando na sala de aula. Alecssandro estava sentado na fila ao lado da minha, porém mais à frente
Logo me apossei do meu lugar, e voltei meu olhar para o estacionamento; vi papai, ele ia em direção a seu carro, então quando abria a porta olhou pra cima e encontrou meus olhos, eu sorri pra ele, meu pai fez um sinal para que eu prestasse atenção na aula. Eu mexi  meus lábios sem deixar que a voz saísse, apenas para ele ler meu lábios e entender eu dizendo um:
"Deixa comigo Campeão" e em seguida dei uma piscadela pra ele.
Papai sorriu balaçando a cabeça em negativa como se dissesse "Essa garota não tem jeito." Ele entrou no carro e me deu um tchauzinho com a mão, logo deu a ré e foi para o trabalho.
Voltei minha atenção para a sala, e percebi que agora era aula de filosofia; um papel caiu em cima de minha mesa, o peguei e levantei meu olhar para descobrir quem o havia jogado; encontrei os olhos de Harriet, ela estava com um enorme sorriso no rosto, e estava sentada à frente de Alecssandro; voltei a baixar meu olhar, abri o pequeno papel e li:

"Já vi o seu olhar pro galego. O Lourinho é MEU!
;D "

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