Capitulo 8

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ANTES

Eu não ouvia o que ela dizia, mas pelo jeito como falava, e começava a deslizar a mão pelo peito de Alec ela estava claramente flertando com ele. Senti-me arder por dentro.
Eu não sabia o que pensar, e não queria cogitar a hipótese deles dois juntos daquela forma, meu coração se apertou com esta ideia.

AGORA

O corredor já estava praticamente vazio; Alec nem Harriet havia nos notado ali até então.
- Elizabeth! - Gritou Louis me arrancando de meus devaneios; eu me assustei com o grito dele em meus ouvidos e praticamente saltei para o lado de susto; Louis me olhava confuso, ele devia estar me chamando há muito tempo, mesmo assim lhe lancei um olhar confuso; sentia meus olhos lacrimejarem, mas apenas engoli em seco. Olhei pro lado e percebi que Louis e eu agora estávamos sendo observados. Nossa posição havia sido invertida, de novo.
Harriet nos olhava com tedio e entretida ao mesmo tempo.
Aquela vaca devia estar feliz por eu ter visto o seu show. Além dela, Alec também nos olhava ... seu olhar era dificil de se interpretar, talvez nervoso, intrigado, talvez, só talvez um pouco desesperado.
- Por que não nos vemos depois do colégio gatinho ? - Perguntou Harriet alto o suficiente para que eu ouvisse desta vez; ela passou a língua pelos seus lábios e deslizou uma de suas unhas por uma costeleta de Alec.
Alec não respondeu, ele continuava com o olhar para nós, perdido em seus pensamentos. Devia estar pensando no quanto eu era idiota.
Eu já tinha passado vergonha o suficiente, empurrei Louis e corri, literalmente corri para a sala, entrei na sala de vez, a porta ainda estava aberta, me sentei rapidamente na carteira e não fiz questão de dar nenhuma explicação para a professora. Ignorei os olhares e cochichos que o resto da turma me lançava e prendi meus olhos no meu caderno que eu tinha acabado de pegar, abrindo-o em qualquer página e comecei a desenhar, rabiscava, escrevia um monte de bobeira sem noção, só para me distrair, pra tentar tirar aquela raiva e tristeza que me enchiam naquele momento.
Eu me sentia estranhamente triste, por saber que eles começariam a se ver depois da escola; pela aproximação dela com ele, eu só queria que tudo aquilo passasse, ou acabasse, só isso; eu só queria não sentir mais nada, absolutamente nada.
Fiz tanta força na caneta que acabei a quebrando. Me assustei arregalando os olhos. Desisti de escrever/desenhar e coloquei os fones de ouvido e comecei a escutar uma música qualquer. Virei-me para a janela e fingi que não vi quando os três - Alecssandro, Harriet e Louis - entraram na sala levando bronca da professora pelo atraso; passei toda a aula com o olhar vazio, distante, fixo para o estacionamento, para a rua de frente ao colégio, menos para o rapaz que sentava-se praticamente ao meu lado.
Eu sentia medo, porque era loucura demais se apaixonar por alguém que não sei nada a respeito, pra ficar ainda pior eu não o conseguia tirar de minha cabeça, de meus pensamentos mesmo que eu quisesse eu não conseguia esquece-lo, ou simplesmente não sentir, mas no fundo eu sabia que não queria esquece-lo, que o sentimento fosse embora. Deixei esses pensamentos de lado e me lembrei que hoje teríamos treino de futebol americano, finalmente algo que me distrairia.
Ao contrário de todas as outras garotas que eram líderes de torcida - ou sonhavam em ser - eu não tinha o mesmo desejo.
Louis vinha sempre comigo ver os caras jogarem, apesar de alguns serem uns gatinhos eu realmente vinha porque me interessava pelo jogo, mas só havía o time masculino, as meninas achavam Futebol Americano violento demais, eu não tirava a razão delas, mas eu via arte naquela "violência".
Há pouco mais de um ano consegui convencer ao Diretor Walker e ao Treinador do Time, Sr. Ben Gadolt a me deixarem participar dos treinos. Exatamente dos treinos, nada de jogos oficiais. Meninas não podiam jogar oficialmente, e como eu era a única que me interessava, consegui a permissão para participar dos treinos.
Seriam só os treinos e foi pouco mais de um mês de muita persistência minha para conseguir convencer o Diretor Walker, o treinador Ben e meu pai. Com muita inssistência e muita retulância da parte deles, até que finalmente consegui e desde então nunca mais parei. Entretanto, nem todos me aceitaram, dois otários até hoje não gostam absolutamente nada da ideia de ter uma garota no time, mesmo que só participe dos treinos.
Harry Nolasco era o que mais me atormentava; não passava de um cara mitido, cheio de musculos, machista, sujo e trapaceiro. Dhyones era seu melhor amigo e pau mandando do mesmo.
Os rapazes que jogavam eram legais - a grande maioria. - eles não me davam mole pelo fato de ser uma garota e eu gostava disso, me dava mais determinação; o fato deles serem bem mais altos e fortes que eu ajudava bastante. Treinei demasiado minha agilidade, força e reflexos, e todo meu esforço se resumiu no fato de hoje ser uma boa jogadora. Mas isso não quer dizer que não tive boas quedas e ossos deslocados ou quebrados até.
Assim que o sinal tocou me levantei rapidamente pegando o livro e o caderno que havia pegado do armário e rapidamente me dirige para a porta, sendo um dos primeiros a sair da sala. O corredor já começava a se encher de alunos; ouvi Louis me chamar, mas o ignorei absolutamente. Caminhei ainda mais rapidamente e cheguei no meu armário, joguei o material lá dentro, e logo me dirigi praticamente correndo para o trocador feminino - das líderes de torcida. - e abri meu outro armário tirando lá de dentro
as luvas que eu usava para pegar melhor a bola; protetor bucal; visores dentro do capacete; pads adicionais nas pernas e torso; bandagens; camisa de lycra por dentro do uniforme para evitar quiemaduras de grama. Tinha também pintura anti reflexo em baixo dos olhos por causa dos refletores, mas isso era para jogos a noite, por causa dos refletores do enorme campo. E por último o capacete, começando a me vestir e colocar tudo.
Eu era um Running back, o corredor. Eu realmente jogava futebol americano; eu era responsavel por carregar a bola nas jogadas terrestres. Os running backs recebem a bola diretamente das mãos do quarterback, num movimento que é chamado de handoff.
As líderes de torcida já haviam chegado e conversavam animadamente sobre os garotos novos; aquilo me fez lembrar que Alec estava incluso no assunto. Me perguntei se ele iria embora, ou se teria escolhido alguma outra aula, ou se ele iria assistir ao nosso treino. Mordi meu lábio, e encostei minha cabeça no armário frio e me perdi levemente em devaneios.
"E se ele achasse que jogar futebol americano fazia de mim alguém pra motivo de chacota?" Me perguntei.
Ele seria um idiota! Tentei me convencer de que ele não estaria lá assistindo e que muito menos passasse a me desprezar. Entretanto, o receio ainda batia em meu peito.
- Não. Ainda não, mas é só questão de tempo acreditem. - Uma voz feminina disse.
Harriet! Reconheci a voz.
Elas conversavam do outro lado do vestuário, e só o que tinha entre nos eram os armários. Ouvi risos.
- Então, ele topou sair contigo ? - Alguém perguntou.
"Ele ? Ele quem ? " me perguntei. "Ah, mas é claro!" A resposta veio a minha mente no mesmo instante. Era Alecssandro.
- Acredita que ele me dispensou?! - Respondeu Harriet com óbvia descrença e arrogância na voz; segurei um riso e meu coração bateu rápido contente. Ninguém em sã consciência dava um fora na Harriet; ela se achava a rainha do colégio e que por acaso as pessoas também achavam isso.
- Mas ele só está se fazendo de dificil. Alecssandro não resistirá aos meus encantos. - Ela continuou. Eu senti um aperto dentro de mim. Talvez Alec só estava flertando com ela e se fazendo de dificil, por enquanto. Uma onda de tristeza me atingiu.

- Aew, a Eliza tá aí? - Alguém gritou lá de fora e foi mais que o suficiente pra me trazer de volta a realidade.
Eu tiraria esse cara da minha cabeça. Haja o que houver eu tirarei.

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