19 - O Desaparecimento

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O feriado de Natal passou para, enfim, todos os alunos se reencontrarem em Hogwarts. Audrey havia ficado na escola sozinha e acordou bem cedo numa manhã para tomar o café da manhã e esperar Hermione no saguão.

-Hermione! -Exclamou assim que viu a grifinória entrar pelos portões da escola e correu para abraçá-la. -Como foi o feriado?

-Foi muito divertido, principalmente porque meus pais desistiram da ideia de nos fazer ir visitar meus tios. -Disse, fazendo-a rir. -Ei, onde está a Olívia?

Audrey franziu a testa para ela.

-Vocês não voltaram na mesma cabine?

-Do que está falando? Hermione perguntou, confusa. -Olívia não foi para casa no feriado.

-Foi, sim. -Audrey riu, confisa. -Ela combinou que iríamos ficar juntas e me abandonou, mas felizmente eu conheci umas...

-Espera, Audrey, foco! -Hermione pediu a ela, tentando não surtar por dentro. -Quem te disse que a Olívia iria para casa?

-Ela me enviou uma carta. -Audrey respondeu, confusa. -Por quê? O que está acontecendo?

-Eu não sei, mas ela não veio comigo. -Disse veemente. -Não vi ela no trem nem na estação. Vamos esperar ela aparecer.

Audrey ficou plantada como uma estátua, olhando Hermione se afastar. Então seu olhar se fixou em Draco Malfoy, que estava entrando pelo saguão com uma mala e acompanhado por Pansy Parkinson e Blásio Zabini.

-Draco. -Chamou ela, agarrando seu braço e puxando-o para longe dos dois.

-Ei, Parker. -Reclamou, soltando seu braço do dela. -O que é?

-Olívia voltou como você no trem?

Draco a olhou como se ela fosse uma criança boba fazendo perguntas estúpidas.

-Olívia ficou em Hogwarts no Natal. -Disse ele, como se fosse óbvio. -Ela me disse numa carta, me desejou Feliz Natal.

-Não, eu fiquei em Hogwarts no Natal. Olívia sumiu! -Exclamou Audrey, sentindo o rosto se avermelhar mais a cada segundo. Seus olhos arderam. -Draco, ela sumiu, eu acho que ela sumiu de verdade.

O garoto alternou o olhar entre os olhos de Audrey sem entender. Ainda que não parecesse possível, Audrey jurava que ele havia ficado um tom mais pálido.

Áquela altura, no Salão Principal Hermione corria em direção à mesa da Grifinória para falar com seus amigos, que abriram sorrisos quando a viram de aproximar.

-Oi, Hermione!

-Não vai acreditar no que aconte...

-Vocês viram a Olívia?

Os dois franziam as testas e se entreolharam, lançando um olhar confuso a ela.

-Quem?

-A Olívia da Sonserina, minha amiga, ela passou o feriado aqui na escola.

-Acho que não. -Respondeu Harry não muito interessado.

-E você devia parar de andar com essa garota. -Rony disparou, revirando os olhos.

-Por que vocês não gostam dela?

-Ela deixou o trasgo entrar! E também achamos que ela pode ter enfeitiçado a vassoura do Harry no jogo.

-Foi o Snape quem fez isso, vocês sabem, estão querendo acusá-la sem motivos. E tem mais, uma garota do primeiro ano não seria capaz de dominar um trasgo ao ponto de trazê-lo para Hogwarts, eu já disse isso mil vezes. -Hermione falou, irritada.

-Vai saber o que eles ensinam naquela casa, talvez eles virem a noite treinando maldições no Salão Comunal, ou pisando em duendes.

-Vocês são tão idiotas! -Resmungou a garota, sentando-se ao lado deles.

No fim do dia seguinte, quando tiveram certeza de que Olívia, de fato, não estava em nenhum local em Hogwarts, Audrey, Draco e Hermione se dirigiram ao gabinete do Diretor. De primeira, ele não pareceu acreditar no que os três estavam falando, mas logo estava chamando Snape e Minerva e mandando-as retornarem às suas respectivss salas comunais.

-E se não acharmos ela?

-Vamos achá-la. -Draco e Hermione responderam ao mesmo tempo, mas ele estava agindo como se a Granger não estivesse ali desde o início, então não a olhou.

-Acham que ela está em Hogwarts?

-Ela está. -Draco garantiu a ela. -Olívia não entregou no trem para voltar para a estação e nenhum aluno foi liberado para ir a Hogsmeade, então ela tem que estar aqui.

-Espero que ela apareça logo. -Disse Hermione.

A garota sentiu um aperto forte e extremamente desconfortável em seu peito quando entrou em seu Salão Comunal e viu Harry. Ele estava jogando uma acirrada partida de xadrez-bruxo com Rony, alheio ao fato de que a única família decente que lhe restava havia desaparecido.

¤¤¤

Cordas.

Foram as primeiras coisas que ela viu quando acordou na manhã de Natal. As cordas prendiam seus braços e suas pernas e, havia muitos dias, Olívia desistira de tentar se soltar. Aliás, ela desistira de fazer muitas coisas, o que incluía gritar pedindo ajuda ou até mesmo chorar, nenhuma das possíveis alternativas pareciam capazes de tirá-la daquele lugar, seja lá qual fosse.

-Olha só quem acordou. -Cumprimentou Professor Quirrell. Ele tinha um sorriso cínico no rosto e Olívia logo teve consciência desde o início que o verdadeiro Quirrell não era gago ou atrapalhado. O verdadeiro Quirrell sabia falar muito bem e se mostrava uma pessoa pior do que ela pensava que fosse a cada segundo.

-ME SOLTA!

-Não poderei fazer isso, Olívia. Você me será muito útil num futuro próximo, acredita.

-Por quê? -Ela perguntou, fazendo o sorriso dele apenas aumentar enquanto o homem lhe dava as costas. -QUIRREL!

-Tenho uma aula para dar. -Disse. -B-bom D-dia, Srta. K-king.

A porta pela qual ele saía se trancava assim que elr passava, Olívia sabia. Então a garota ficava ali, sozinha naquela sala escura sem ninguém além de si mesma.

-AAAAAHHHHHHHH! -Gritou mais uma vez, sentindo suas forças sendo sugadas mais uma vez. Ela deitou a cabeça nas costas da cadeira e sentiu as lágrimas caírem. -Alguém, por favor...

Mas ninguém veio.

Ninguém ouviu.

OLÍVIA POTTER [1]Onde histórias criam vida. Descubra agora