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Onde estou e que dor de cabeça é essa que estou sentindo? Por que tudo está tremendamente confuso? Afinal, porquê tudo está escuro? Cadê o quarto de Ravena e onde está aquela coisa?

Aí, bato a cabeça em alguma coisa dura, mas que com toda aquela escuridão não consigo enxergar o que é. Tento me levantar, porém mal consigo mover meus pés, eles estão tão pesados que sinto uma tremenda exaustão sem ter feito qualquer mero esforço.

De repente as lembranças vêm à tona, e me atingem pôr em cheio, no entanto elas me parecem fragmentos perdidos no tempo como se elas não se encaixassem, não fizessem sentido algum como um pequeno sonho irreal, como se fossem algo errado, algo ilusório.

A dor na cabeça onde algo duro havia me atingido começa a dar os seus sinais, encosto em minha testa e vejo algum líquido dela escorrer muito provavelmente deva ser sangue. Tudo volta a parecer vago e sinto a dor latente em minha cabeça cada vez mais forte, tento me levantar do chão, mas é como se eu fosse jogado para baixo e tudo parece girar e ter se transformado em dois.

Acabo me deitando novamente fechando os meus olhos que subitamente ficaram extremamente pesados, me aconchego ao chão e apago como se nunca tivesse acordado.

*.*.*.*

-O que você está fazendo aqui? -Ouço alguém gritar no meu ouvido, a voz me parece vagamente familiar, lembro-me de conhecer alguém com essa voz doce com pitada de mal humor, eu certamente conheço a dona dessa voz aveludada.

Mas ainda assim abro os olhos para confirmar minhas suspeitas e me espanto ao ver ela em sua majestosa túnica com os olhos levemente vermelhos, nossa os olhos dela estão inchados será que minha pequena Ravena estava chorando?

Era o que seus olhos indicavam, mas no meio de tanta raiva que eles transmitam era difícil reparar apenas na tristeza que deles emanavam.

Eu e ninguém nunca havíamos presenciado ela chorar então isso podia muito bem ser coisa da minha cabeça, contudo algo me dizia que eu estava errado.

-Hein, o que estás fazendo aqui?

Eu tento me levantar e dessa vez obtenho êxito, ela continua a me escarar com os olhos flamejando raiva, como se eu tivesse feito a maior tolice por estar ali.

-Ainda estou esperando.

-Eu...hãã, tinha um monstro horrível no seu quarto... Ele e eu, nossa minha cabeça está martelando. - Coloco as duas mãos nela porque a dor é insuportável -Aí...aí.

-Provavelmente deve ter se deparado com Louise, ela não faz mal a ninguém à não ser que à ataquem. Por que você à atacou?

-Eu, é, como dói minha cabeça parece que vai explodir, Aaaah- urrei de dor só assim Ravena parece ter despertado e parando com seu interrogatório que no momento eu me encontrava incapacitado de responder.

-O que é isto na tua testa?

-Eu... Eu acho que é sangue. - Toco no ferimento presente em minha testa.

-Deixe me ver.- ela afasta minha mão para colocar a sua no lugar. -Oh! - ela se espanta.

-Você brigou com Louise não é mesmo? -eu apenas dou um aceno confirmando com a cabeça. - Você está infectado pelo veneno dela, se não tratar disso logo irá morrer.

-Aí

-Me diga como conseguiu entrar em Azarath.

-Eu não sei.

-Isso é pior do que imaginei, vamos sair daqui não é seguro -ela diz olhando para os dois lados- E enquanto não terminei o que vim fazer aqui não posso levá-lo para casa. Consegue andar?

-Eu posso tentar. - Digo dando um passo em sua direção e logo em seguida ficando zonzo.

-Deixe-me ajudá-lo.- ela se prontifica e vem ao meu lado.

-Tu estás ardendo em febre, provavelmente não se lembrará de nada do que acontecer aqui.

-Eu...

-Não diga nada, poupe suas palavras.

Não falámos nenhuma única palavra sequer e isso me deixava agoniado, nunca havia ficado tanto tempo em silêncio à não ser quando dormia.

-Você pode me dar algumas respostas. - falei mesmo arriscando que ela não me dessa nenhuma palavra, era isso ao menos que aconteceria na torre.

-Era você que devia me dar satisfações- por incrível que pareça ela não estava brava, aquilo aquilo no canto da boca dela era um sorriso? Eu só podia estar delirando como Ravena havia falado que aconteceria, não era possível que Ravena estivesse sorrindo para mim. -Mas sim se eu puder te responder, você pode me perguntar o que quiser.

-Aqui era o lugar que você morava não é mesmo? - digo pois ela falou que estávamos em Azarath se é que me recordo bem e assim queria ter a confirmação afinal eu e meus amigos não sabíamos praticamente nada sobre ela.

-Ah sim, era.

-O que aconteceu com esse lugar para estar assim, totalmente destruído?

-Posso resumir tudo em uma palavra Trigon.

-Seu pai?

-Que eu saiba ele é o único pai que possuo, então sim! -disse irônica.

-Hm, por que você veio até aqui?

-Meu aniversário. -disse simplesmente

-O que tem ele?

-Era hoje.

-Era?

-Sim, terminou a 5 minutos atrás.

-Exatamente quando você me encontrou.

-É.

-Sinto muito.

-Por quê?

-Eu sei que você me detesta então...- ela me olhou desconfiada enquanto enxugava o pano sujo do líquido viscoso meio amarelado que saía do meu ferimento.

-Ah coisas que detesto muito mais que tu.

-Ah é? Poderia me citar algumas?

-Inúmeras, uma delas são os meus irmãos.

-Sim...si... Pera você tem irmãos?

-Infelizmente sim.

-Como....

-Não quero falar sobre minha família, tudo bem?

-Cla-claro. - Isso me trouxe uma enxurrada de perguntas a mente, mas não falei nenhuma em voz alta, sabia que ela não às responderia.

-Agora descanse, já tirei todo o veneno não irá demorar muito para que possa voltar para casa. -disse ao levantar da cadeira.

Não lembro do exato momento que havíamos chegado aolugar que nos encontrávamos agora, só sei que era uma casa modesta e bastantesimples, com poucos cômodos e bem aconchegante, era um lugar simpático resumindotudo. Eu estava deitado na única cama que a casa possuía, já que existia apenasum quarto no local, tudo naquele lugar me parecia medieval, como se fosse construídoa muuuuuiiittttooo tempo, era louco e incrível de um jeito bom eu diria.

Adormeci confuso, sem entender muito do que estava havendo comigo, eu estava delirando e imaginando coisas, mas acho que tudo iria se resolver depois que eu acordasse novamente, então fechei os olhos vendo Ravena com um livro de bruxaria nas mãos muito concentrada, e aquilo definitivamente me assustou principalmente quando seus olhos encantadores ficaram escuros, mas como eu já disse estava delirando e imaginando coisas então eu não podia confiar no que meus olhos me mostravam, e isso era realmente esquisito.

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Segue lá no Instagram: Jenna Aramlis

Ravena & Mutano Onde histórias criam vida. Descubra agora