"Garota promíscua, você está me provocando
Você sabe o que quero, e eu tenho o que você precisa"
Promiscuous (feat. Timbaland) - Nelly Furtado
O estádio não é o mesmo quando estou do lado de fora do gramado, mas a arquibancada ainda tem sua emoção, não vou mentir. O som da torcida ecoa como uma mistura de alívio e ansiedade, inclusive toca meu coração no momento que os torcedores me ovacionam quando a câmera me flagra e apareço no telão do Signal.
Enrolo as mãos em volta do copo de plástico quando o jogo começa. O olhar fixo no gramado, enquanto assisto Dortmund contra Bayern, um clássico que sempre promete fogo em campo.
Olho para o lado e vejo os rostos famintos por vitória. Cada passe que o time faz, cada finalização, me dá um frio na barriga. A vontade de estar ali, de ajudar, de fazer a diferença, bate forte, mas sei que meu lugar é ali, na torcida, por enquanto.
O tempo parece correr mais devagar enquanto observo a bola girar pelo campo. Torço por cada lance, e comemoro cada gol que meus amigos fazem. O apito final ecoa no estádio, e a torcida explode em um rugido ensurdecedor. Dortmund venceu. Gritos, abraços, euforias que chegam até mim, que estou ali, mas ainda distante.
Sorrio, mesmo com o aperto no peito. Vitória sempre foi motivo de festa — e hoje não é diferente. Olho para o campo, vejo os jogadores comemorando e sei que essa vitória não é só deles, é minha também.
No salão, luzes piscam, música alta e risadas ecoam pelo ar. Estamos na comemoração pós jogo, e todos estão animados, comentando sobre cada gol e cada lance que nos trouxe até aqui.
Alguns me puxam para o meio da roda, pedindo um brinde. Levanto o copo com um sorriso verdadeiro, estou muito feliz do que conquistamos hoje rumo à final do campeonato. O som da música cresce, as conversas se tornam mais soltas. Tento entrar na festa, mas a lesão é uma sombra que insiste em me acompanhar. Sorrio, brindo, me esforço para ficar, mas me retiro na primeira oportunidade que tenho, porque ainda não aguento ficar muito tempo em pé.
Enquanto caminho mancando em direção a um canto mais tranquilo, uma voz feminina interrompe meu caminho.
— Você está parecendo precisar de uma pausa de verdade.
Olho para cima e encontro Joanne, uma mulher com postura de quem está acostumada a comandar ambientes. Cabelos loiros impecáveis, vestido elegante, sorriso que não deixa espaço para recusa.
— Sou Joanne — ela se apresenta, estendendo a mão. — Talvez eu possa ajudar a tornar essa festa mais interessante para você.
Aceito o aperto de mão, surpreso com a firmeza dela. Há algo no jeito como ela me olha que me faz esquecer, por alguns segundos, da dor no tornozelo.
— Marco. E agradeço, mas não sei se festa é o que preciso agora.
— Mas talvez seja o que você precisa — ela responde, com aquele brilho no olhar de quem não se intimida fácil.
Joanne me puxa suavemente para perto do balcão de bebidas, longe do burburinho da festa. A música ainda bate forte, mas ali é um refúgio — um lugar onde posso me sentar, descansar um pouco sem o peso do olhar dos outros.
— Não quero parecer intrometida — ela começa, com um sorriso que mistura sinceridade e malícia —, mas você parece alguém que carrega mais do que só uma lesão no tornozelo.
Respiro fundo, segurando a dor que insiste em reclamar. Não sei se é coragem ou teimosia que me faz abrir um pouco a guarda. Ela parece ser uma mulher interessante e que vai conseguir me distrair por alguns momentos.
— Nem sempre é fácil ser o cara que todo mundo espera que seja invencível — digo, olhando para o copo na minha mão. — A lesão é só a parte visível.
— Eu entendo mais do que imagina. Às vezes, a parte que mais dói é aquela que ninguém vê — o jeito como ela fala me surpreende. Há uma sinceridade crua ali, uma conexão inesperada que me chama a atenção. — Então, Joanne, o que uma socialite como você faz quando não está em festas?
— Além de dominar festas? — ela sorri, tomando o líquido do seu copo através do canudo. — Trabalho com eventos, arte e, ocasionalmente, faço umas loucuras que nem todo mundo aprova.
— Loucuras? — repito, arqueando a sobrancelha, curioso.
— Ah, Marco, a vida é curta demais para ser levada só a sério — ela inclina a cabeça, um brilho divertido nos olhos. — Talvez eu possa te mostrar um pouco disso.
Enquanto conversamos, mal percebo que terminamos os copos quase ao mesmo tempo. A festa parece ficar ainda mais distante, como se estivéssemos em um mundo à parte ali no canto do salão.
Joanne me encara com um sorriso mal intencionado, quando ficamos em silêncio.
— Sabe, Marco, não precisa acabar por aqui. Tenho um lugar onde a música é mais calma e a conversa, mais interessante.
Ela pausa, deixando o convite no ar, como uma promessa de algo diferente.
— Quer me acompanhar?
— Por que não? — respondo, com um sorriso leve, aceitando o inesperado.
Ela estende a mão, e eu a seguro firme, enquanto saímos da comemoração. Seu carro já está nos esperando do lado de fora, e o caminho da sua casa é curto.
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IMPEDIMENTO [COMPLETO]
FanfictionDepois de meses se recuperando da lesão que o tirou da Copa do Mundo de 2014, Marco Reus se vê novamente agonizando no chão depois de colocar seu clube na final do campeonato. O diagnóstico é cruel: mais uma vez, ele está fora de uma grande competiç...
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