"Para fazer parte da onda, não consigo parar
Já se perguntou se tudo isso é para você?"
Can't Stop - Red Hot Chili Peppers
POV ALICE
Chego a Dortmund com uma mistura de alívio e ansiedade. O avião pousa e, ao sair do aeroporto, o ar familiar da cidade me envolve, mas meu coração ainda está pesado pelas conversas e emoções que vivi na Rússia.
O caminho até meu apartamento parece mais curto do que imaginei, mas cada rua desperta lembranças que me fazem refletir sobre tudo o que deixei para trás para estar aqui.
Quando entro, respiro fundo e deixo as malas no canto, tentando espantar a sensação de vazio que insiste em me acompanhar. Olho para o celular e vejo uma mensagem do Marco:
"Bem-vinda de volta. Quero te ver."
Sorrio levemente, o calor daquelas palavras amenizando um pouco o peso do meu retorno. Respondo rapidamente:
"Sim, claro. Quero te ver também."
Enquanto me preparo para encontrá-lo, sinto que, apesar de tudo, esse é um novo começo — cheio de incertezas, mas também de possibilidades.
Chego a casa de Marco com o coração acelerado. A noite já caiu, e as luzes da cidade parecem dançar através das janelas, criando um clima tranquilo e íntimo. Marco abre a porta antes mesmo que eu possa tocar a campainha, com aquele sorriso que, por mais que eu tente, nunca deixa de me aquecer.
— Senti sua falta — confesso, olhando nos olhos dele.
— Eu também — responde, sussurrando no meu ouvido.
— Quero ouvir tudo sobre sua viagem — Marco diz, enquanto entramos. Sparrow corre e pula em mim. — Oi, amigão!
Nos sentamos na sala, a conversa flui natural, repleta de confidências e risos, e eu percebo que, apesar dos desafios, estar ali com ele é exatamente onde quero estar.
— Estou ansioso para conhecer seus pais. Eles devem ser legais — diz.
— Quem sabe na próxima vez que eles vierem? — beijo seus lábios com carinho.
— E quero que conheça minha família — tira o cabelo que insiste em cair sob meus olhos.
— Ok...
— Amanhã? — eu arregalo os olhos e ele ri. — É que meu pai está organizando um churrasco, queria que você fosse.
— Tudo bem, eu acho — falo. — E não vou poder mais te atender como psicóloga.
— Por estarmos juntos, né? — ele ri. — Sem problemas, vou procurar um psicólogo fora do clube, acho que é melhor.
Ligamos a televisão e ficamos assistindo alguns episódios de uma série, mas não demoro a cair no sono de cansaço. O voo foi longo, ainda tem a questão do jet lag por causa do fuso horário.
Entramos e sou recebida por um calor acolhedor: o cheiro de churrasco no ar, risadas que ecoam pela casa e a energia de uma família unida. A mãe dele me abraça forte, com um sorriso genuíno que me deixa um pouco mais tranquila.
— Alice, é um prazer finalmente te conhecer — Soraya diz, puxando minha mão para perto.
O pai de Marco aparece logo em seguida, um homem alto e de olhar gentil. Ele me cumprimenta com um aperto de mão firme, mas amigável. Se apresenta como Liam.
Ele tem duas irmãs: Kim, que é a mais nova e está aqui. E Rose, que mora em outra cidade e só vem em datas comemorativas. Tem também um sobrinho fofo, chamado Nico, já vi fotos dele espalhadas pela casa.
Mario, amigo de longa data e jogador do BVB, é quase como um irmão para Marco, também está presente. Eles parecem compartilhar uma história profunda, uma amizade construída não só entre eles, mas entre as famílias. A proximidade deles traz uma sensação de lar, algo que me conforta.
Enquanto a tarde avança, essa mistura de novas conexões e histórias faz com que eu me sinta parte de algo maior, um pedaço importante do mundo de Marco, e talvez, do meu também.
A festa está animada no quintal quando decido dar uma volta para espairecer. Caminho até o jardim dos fundos, onde o barulho da conversa diminui, e me deparo com uma cena que me deixa paralisada por um segundo.
Lá estão Kim e Mario, próximos demais para ser apenas amizade. Eles trocam sorrisos cúmplices, as mãos se entrelaçam discretamente, e o jeito como ele olha para ela revela algo que vai muito além do casual.
O ar fresco da tarde me envolve enquanto me afasto devagar, tentando organizar os pensamentos que fervilham na minha cabeça. A felicidade verdadeira de Kim é contagiante, e, por um instante, isso me tranquiliza — talvez manter esse segredo não seja tão pesado quanto pensei. Mas também sei que esconder algo assim de Marco pode criar uma tempestade inesperada. Respiro fundo, decidida a estar ao lado dele, seja qual for o desfecho.
Volto para a festa com um sorriso leve, disfarçando a mistura de emoções que me acompanham, pronta para aproveitar o restante do dia e fortalecer os laços que, aos poucos, me fazem sentir em casa.
O celular de Marco vibra em cima da mesa, e quando ele vira a tela, é o nome de Joanne. Meu coração dispara, um frio escorrendo pela espinha. Ele atende, porque pode ser alguma emergência.
— Marco, eu preciso falar com você — a voz dela, firme e urgente, atravessa a linha. Consigo escutar de onde estou.
Ele fecha os olhos e balança a cabeça. Sua família parece alheia ao que está acontecendo aqui, então seguro sua mão como apoio.
— Aconteceu alguma coisa com o bebê?
— Não, mas...
— Agora não é hora, Joanne — ele diz, tentando encerrar a ligação.
— Preciso marcar o dia que iremos montar as coisas do quartinho, e...
— Joanne, agora eu realmente não consigo falar com você — ele diz mais uma vez. — Eu te ligo mais tarde.
Sinto o peso da tensão no ar, e meu coração dispara ainda mais. A voz dela, insistente e cheia de expectativas, invade aquele momento que deveria ser só nosso, com a família, em paz. Ele respira fundo, desligando o celular com um clique que parece ecoar por todo o quintal. Fica parado por alguns segundos, os olhos fechados, tentando se recompor.
— Vai ficar tudo bem — digo, sentindo que preciso ser forte para nós dois.
Ele me olha, e eu percebo que, apesar de tudo, ele quer acreditar nisso também. O churrasco continua, mas a sombra daquela ligação permanece pairando, um lembrete de que nem tudo é simples na vida dele — e na nossa.
Estou sentada na pequena sala do responsável pelo departamento médico, o silêncio denso entre eu e ele. Sinto o peso do que vou dizer, mas sei que é o correto.
— Preciso conversar sobre o Marco — começo, escolhendo as palavras com cuidado. — Nós... estamos nos relacionando. E por isso, acho que não posso continuar como psicóloga dele no clube.
Ele me observa atentamente, sem interromper, esperando que eu continue.
— Entendo a importância da terapia para a recuperação dele, mas acredito que essa situação pode comprometer a neutralidade e a ética do tratamento.
Sinto um misto de alívio e tristeza ao dizer aquilo.
— Já conversei com ele sobre isso — completo. — Queremos encontrar uma solução que seja melhor para todos. Mas, para o meu trabalho, preciso ser profissional e separar o pessoal do clínico.
— Obrigado por ser transparente, Alice — ele acena com a cabeça, compreensivo. — Vamos pensar numa alternativa para que ele continue recebendo o suporte necessário sem prejudicar sua recuperação.
Saio da sala com o coração apertado, mas tranquila por ter feito o que era certo.
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IMPEDIMENTO [COMPLETO]
FanfictionDepois de meses se recuperando da lesão que o tirou da Copa do Mundo de 2014, Marco Reus se vê novamente agonizando no chão depois de colocar seu clube na final do campeonato. O diagnóstico é cruel: mais uma vez, ele está fora de uma grande competiç...
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