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"Um beijo, resolva tudo com um beijo, querido"

Kiss It Better - Rihanna


Acho estranho ter sido convocado para uma reunião no meio da tarde. A porta do escritório se fecha atrás de mim, e sinto o olhar firme dos meus assessores me acompanhar. Sento-me à mesa, ajeito a jaqueta e aguardo o que vão dizer.

— Marco, precisamos conversar — começa Thomas, meu assessor mais experiente, com o cenho franzido. — Algumas coisas vazaram sobre você e essa tal de Joanne.

— Vazou o quê? — Franzo a testa, tentando entender o que querem dizer.

— Coisas que podem complicar sua imagem pública — ele troca um olhar rápido com a outra assessora, Julia, antes de continuar. — Histórias que estão circulando nas redes e na imprensa.

— Tipo fofocas? — pergunto, tentando manter a calma.

— Exatamente. E num momento em que você precisa focar na recuperação e no time, não é bom alimentar esse tipo de especulação, muito menos comparecer em festas.

— Nossa recomendação é clara: evite comentar sobre ela, não confirme nem negue nada — Julia fala agora, com um tom firme. — Deixe o assunto morrer naturalmente.

Sinto um aperto no peito, não só pelo receio do julgamento público, mas pela complicação que essa história com Joanne virou.

— Entendi. Vou seguir a orientação.

— Ótimo. E qualquer coisa, estamos aqui para ajudar a administrar essa situação.

Saio da reunião com a cabeça cheia, sabendo que nem tudo na vida pode ser controlado, especialmente quando envolve o que o público quer ver.

Estou caminhando pelo corredor do CT, ainda sentindo o peso da reunião com meus assessores. Quero entender como esses boatos começaram, porque não lembro de ter visto ninguém suspeito dentro da festa que pudesse nos entregar para a mídia.

Quando, de repente, quase bato em alguém. Ela está correndo, o celular na mão, a respiração acelerada, o olhar preocupado.

— Alice? — digo, surpreso com a velocidade dela.

— Preciso buscar uma amiga no aeroporto, mas estou presa aqui com um monte de coisa pra fazer — ela para, tentando recuperar o fôlego, e balança a cabeça em confirmação.

Vejo o estresse estampado no rosto dela, e, sem pensar duas vezes, ofereço:

— Posso te dar uma carona? — pergunto.

Ela hesita por um instante, olhando para o celular como se pesasse as opções.

— Sério? Isso seria uma grande ajuda.

Sorrio, sentindo que, talvez, esse seja o começo de algo diferente naquele turbilhão que é o dia a dia no CT.

— Então, vamos nessa.

O motor do carro ronca suave enquanto seguimos pela estrada rumo ao aeroporto. Voltei a dirigir alguns dias atrás, porque o médico disse que o carro automático não teria problema.

Alice está ao meu lado, ainda um pouco tensa, mas começando a relaxar com o ritmo da viagem.

— Então, essa amiga sua... vem de longe? — pergunto, tentando puxar assunto.

— Sim, vem da Rússia — ela sorri, ajeitando o cabelo ruivo que teima em escapar do rabo de cavalo. — A gente se conhece desde a infância. Ela é como uma irmã pra mim.

IMPEDIMENTO [COMPLETO]Onde histórias criam vida. Descubra agora