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"Se parecer amor

Então deve ser amor"

Must Be Love - Niall Horan

POV ALICE

Se Marian falasse mais rápido, provavelmente não precisaria respirar. Desde que entramos no carro que ela alugou para ficar ali um tempo, o assunto não mudou um milímetro.

— Ele é divertido, Alice. Tipo... não é só bonito, sabe? Ele é engraçado de verdade. A gente combinou de se ver no sábado — ela sorri tão largo que dá para sentir a energia transbordando. — Você precisava ver como ele dança. Meu Deus...

Olho para a estrada, tentando manter a atenção no trânsito, já que ela não parece tão atenta. Ela não deixa espaço para fuga.

— E o jeito que ele fala comigo... não é aquele papo ensaiado que a maioria dos caras usa. Ele realmente ouve e é raro encontrar alguém assim, ainda mais nesse meio.

Ela segue falando, descrevendo cada gesto, cada palavra, cada risada do Aubameyang na noite anterior. Eu sorrio de vez em quando, mas por dentro, minha cabeça está longe dali.

O beijo. A cena volta com detalhes irritantes: o barulho abafado da música, o cheiro do perfume dele, a maneira como se inclinou devagar, os lábios quentes, deliciosamente saborosos e ao mesmo tempo é como se estivesse me dando tempo para decidir... e eu decidi recuar depois de tocarmos.

Não sei explicar por quê. Não foi por falta de vontade — e é aí que mora o problema.

— Alice? — Marian me chama, dando uma risadinha. — Tá ouvindo o que eu tô falando?

— Tô, claro. Aubameyang, dança incrível, conversa boa... — resumo, sem conseguir disfarçar um tom neutro demais.

— Isso! — ela suspira, olhando pela janela como se já estivesse sonhando acordada. — Acho que faz tempo que eu não sentia essa empolgação.

O resto do caminho é preenchido apenas pela voz da Marian, entusiasmada como se tivesse acabado de ganhar na loteria. Ela descreve, com detalhes quase cinematográficos, o sorriso do Aubameyang, as piadas que ele fez e a cada nova lembrança, seus olhos brilham mais.

Chegamos ao meu apartamento, e ela ainda está falando sobre possíveis lugares para sair no sábado. Restaurante à beira do lago, bar com música ao vivo, até um passeio de barco — e eu só penso em como vou evitar o Marco pelo resto dos dias. É como se cada palavra dela fosse um pano de fundo distante, enquanto minha mente tenta desenhar rotas de fuga para não esbarrar nele.

— Sabe de uma coisa? — ela interrompe o próprio raciocínio, parando no meio da sala como se tivesse acabado de ter uma epifania. — Vamos pra praia.
— Praia? — ergo uma sobrancelha, surpresa.
— Sim! Passamos o fim de semana lá, só nós duas. Sol, mar, drinks... Vai ser perfeito. — Ela pega o celular, já digitando alguma coisa. — Vou mandar mensagem pro Auba agora, dizendo que não vai dar pra sair.

Fico observando ela, com aquele sorriso travesso no rosto, como se estivesse tramando algo muito maior do que apenas uma viagem rápida. Talvez esteja. E, mesmo que eu tente negar, a ideia de passar alguns dias longe daqui — e longe dele — começa a soar tentadora.

Marian acorda cedo no sábado, como se estivesse prestes a embarcar para Ibiza e não para uma praia a duas horas daqui. Ela entra na cozinha carregando uma bolsa de viagem maior do que o necessário, óculos de sol no cabelo e um sorriso que brilha mais do que o dia lá fora.

IMPEDIMENTO [COMPLETO]Onde histórias criam vida. Descubra agora