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"Mas só porque queima não significa que você vai morrer

Você precisa se levantar e tentar, tentar, tentar"

Try - P!nk

POV ALICE

O corredor do Signal Iduna Park está mais movimentado que o normal, mesmo para um dia sem jogo. Há fotógrafos, jornalistas e alguns funcionários correndo de um lado para o outro, como se todos estivessem ansiosos para o que está prestes a acontecer. Eu deveria estar acostumado com isso, mas hoje... hoje é diferente. Meu estômago dá um nó só de pensar.

Respiro fundo e ajusto a jaqueta do Borussia antes de atravessar o hall. É quando vejo, lá no fundo, a figura alta, postura ereta, conversando com um assessor. O cabelo está mais curto, o uniforme do Barcelona impecável, mas o sorriso... o sorriso é o mesmo.

— Lewan — minha voz sai baixa, quase num sussurro, mas ele ouve.

Ele se vira imediatamente, e por um segundo, tudo à nossa volta parece desacelerar. Os flashes, as vozes, os passos... tudo some. É como se estivéssemos de volta a 2014, na mesma sintonia de sempre, prontos para entrar em campo.

— Marco! — ele abre um sorriso largo, e em poucos passos, já está na minha frente. O abraço é forte, quase esmagador. Eu sinto o peso da saudade, dos anos, de tudo que passamos juntos.

— Caramba, quanto tempo... — digo, tentando disfarçar a emoção. — Continua roubando todos os gols do mundo, né?

Ele ri, aquele riso que sempre vinha antes de um comentário sarcástico.

— E você continua dando passes impossíveis... só que agora, parece que não pra mim.

— Culpa sua, que foi embora — respondo, mas sem mágoa. A verdade é que a gente sempre soube que ele iria seguir o próprio caminho.

Ficamos um tempo só nos olhando, como se estivéssemos avaliando as mudanças. Ele parece mais maduro, mas o brilho competitivo nos olhos é o mesmo. Eu me lembro dos treinos intermináveis, das piadas no vestiário, das conversas sobre a vida enquanto fazíamos alongamento. Lembro também das vezes que ele me puxou para cima quando eu estava no fundo do poço — e, talvez, das vezes que eu fiz o mesmo por ele.

— Vi sobre a final... e sobre a lesão — ele diz, a voz ficando mais baixa, séria. — Sinto muito, Marco. Eu sei o quanto isso dói.

— Eu vou ficar bem — respondo, e dessa vez é verdade. — Não é a primeira vez que caio, Lewan. E você sabe... eu sempre levanto.

Ele sorri, mas os olhos denunciam que está tocado.

— É por isso que você é quem é. Sempre admirei isso em você.

— Além disso, tá acontecendo alguma coisa, não é? — o amigo pergunta, se encostando na parede.

— Eu... acho que me apaixonei.

— E isso é ruim por quê?

— Porque a Joanne foi em casa ontem — Lewan faz uma careta. — Disse que está grávida.

— E... é seu?

— Ela afirma que sim, e eu me lembro de termos usado proteção, mas tudo pode acontecer, não é? — Marco fecha os olhos, como se dissesse aquilo o fizesse doer ainda mais. — Mas agora eu não sei o que fazer.

— Lute pela sua garota — ele diz. — As coisas vão dar certo.

Conversamos por mais alguns minutos, relembrando histórias que só nós dois entendemos. Ele me fala sobre a vida na Espanha, sobre como os filhos estão crescendo rápido demais. Eu conto como é estranho ver o vestiário sem ele, como algumas parcerias nunca são substituídas.

Quando chamam seu nome para uma entrevista, ele me dá um último abraço.

— Não importa onde a gente jogue, Marco... você sempre vai ser meu parceiro.

— E você o meu — respondo, sentindo o peso e a leveza daquela promessa.

Enquanto ele se afasta, percebo que algumas coisas mudam, outras não. O uniforme, o escudo, a cidade... tudo pode ser diferente. Mas o respeito e a amizade que construímos no Borussia... isso é intocável.

Depois do treino, fico andando pelo campo sozinho, a bola nos pés, a mente a mil. Já faz tempo que carrego isso comigo, e a cada dia fica mais difícil esconder. Não é justo nem comigo, nem com ela. Pego o celular, respiro fundo e mando uma mensagem para Alice:

"Podemos conversar?".

Ela responde rápido, aceitando. Minutos depois, estou batendo na porta do apartamento dela. Quando ela abre, seu olhar está cauteloso, mas não hostil.

— Eu precisava falar com você — começo, a voz mais baixa do que eu esperava. — Eu... estou apaixonado por você. Não dá mais pra fingir que não. Sei que as coisas não estão como eu queria, mas... Não quero ficar sem você, Alice.

— E como você vai fazer em relação ao bebê?

— Eu vou assumir o bebê, mas vou ficar com você — ele diz. — Nunca quis ficar com Joanne. Essa nunca foi uma opção.

— E como vai ser isso? Ela precisa de apoio.

— Eu sei, e vou fazer isso da melhor forma possível — mexe nos cabelos, talvez analisando tudo. — Mas é isso, não estou disposto a te perder. Eu te amo.

— Marco — ela choraminga enquanto me abraça. — Não sei como as coisas serão, mas também não quero te perder, então vamos ter que passar por essa juntos.

— Com certeza, amor.

Ele dá um passo na minha direção e, quando sua mão toca a minha, é como se um peso saísse dos meus ombros. Não porque todos os problemas desapareceram, mas porque eu finalmente decidi: quero tentar. 

IMPEDIMENTO [COMPLETO]Onde histórias criam vida. Descubra agora