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"Dizem por aí que o Papai Noel vai chegar essa noite"

Mistletoe - Justin Bieber

POV ALICE 


Estou no aeroporto, sentindo o frio cortar a pele enquanto aguardo o embarque para casa. O voo para a Rússia não é só uma viagem, é um refúgio — um retorno às raízes, àquela casa que me acolheu e moldou.

Ao chegar, o ar gelado da cidade me envolve, e o cheiro familiar da neve misturado ao pinheiro me traz um conforto imediato. Na casa dos meus pais, tudo está decorado para o Natal: luzes brilhantes, enfeites coloridos, a árvore imponente no canto da sala. Eles me recebem com abraços apertados, seus rostos iluminados por sorrisos sinceros que aliviam a saudade que acumulou no peito.

Na cozinha, o aroma do pão fresco e dos pratos tradicionais enche o ambiente, enquanto conversas calmas e risadas preencham os espaços. Na noite de Natal, trocamos presentes sentados perto da árvore, as luzes piscando suavemente. Meu pai sorri enquanto me entrega a caixa cuidadosamente embrulhada.

— Para você, minha filha — ele diz, o olhar cheio de carinho.

Desembrulho devagar e encontro um livro antigo, de capa desgastada. Meus olhos brilham.

— Pai, você sabia que eu queria esse! — digo emocionada.

— Pensei que poderia te ajudar a lembrar das histórias que amávamos quando criança.

Minha mãe, com um sorriso doce, passa para mim um pacote menor, enrolado em papel de lã.

— Feito com minhas próprias mãos, para te aquecer nos dias frios — ela diz.

Desenrolo e descubro um cachecol, com cores vibrantes que me lembram a floresta perto de nossa casa.

— É lindo, mãe. Obrigada — abraço-a, sentindo o calor do momento.

Eles se entreolham e logo recebo de volta os presentes que preparei para eles. A troca não é apenas de objetos, mas de amor e memórias que nos unem, mesmo quando estamos longe. O momento é simples, sem pressa, sem alarde. Apenas a certeza de estar em casa, cercada por quem me ama, me dá forças para enfrentar qualquer tempestade que vier depois.

Sentados à mesa, o aroma dos pratos caseiros mistura-se com o calor da lareira. O clima é de conforto e nostalgia.

— E como foi a viagem? — pergunta meu pai, olhando para mim com interesse.

— Foi longa, mas necessária. Senti falta de casa — respondo, sorrindo.

— E como está o trabalho na Alemanha? — ela quer saber, curiosa.

— Desafiador, mas gratificante. Estou aprendendo muito — digo, tentando não revelar o turbilhão que tem sido.

— E o Marco? Vocês estão bem? — a pergunta paira no ar.

— Na verdade, não. É complicado.

— Eu vi algumas matérias, mas você nos contou o que aconteceu, então não entendo... — meu pai fala. — Vocês não conseguem ficar juntos?

— Na verdade é que estão cobrando muito isso, e não sei se é algo que vá me fazer bem.

— Por que você não fala com a Joy? — minha mãe pergunta. — Ela sempre te ajuda.

— Ela está de férias, mas assim que conseguir, vou falar com ela — minha mãe me alcança a mão. — Espero que dê tudo certo, querida.

Sorrio, sentindo o apoio que só a família pode dar. A conversa continua leve, com risadas e histórias antigas, e por um momento, esqueço as preocupações, apenas vivendo aquele instante de paz.

IMPEDIMENTO [COMPLETO]Onde histórias criam vida. Descubra agora