"Me desculpe, tenho que partir antes que você me ame"
Leave Before You Love Me (feat. Jonas Brothers) - Marshmello
A luz da manhã entra tímida pela janela, iluminando o quarto desconhecido onde acordei. A cabeça ainda lateja levemente, e a dor no tornozelo parece mais distante nesse momento. Joanne está ao meu lado, ainda dormindo, com o rosto tranquilo e um sorriso sutil.
Por um instante, penso em ficar, esquecer as preocupações lá fora, mas o relógio não espera, e eu também não posso, porque hoje tenho muitos compromissos no CT. Procuro minhas roupas pelo chão do quarto e é quando ela acorda.
No silêncio da cozinha, preparamos um café rápido, trocamos poucas palavras — um misto de familiaridade e distância que só quem vive um encontro casual conhece.
Na porta, ela para, me olha nos olhos, decidida.
— Foi bom, Marco. — O tom é leve, quase como se estivesse dizendo "até logo".
— Digo o mesmo... — sorrio. — Bom, até qualquer dia desses, então.
Ela sorri, acena e fecha a porta atrás de mim. No caminho para casa, me sinto um pouco mais aliviado. Acho que foquei em tantas coisas voltadas para a lesão, que eu precisava de um momento de descontração e foi justamente isso que fizemos juntos.
Foi uma noite boa.
O sol já está alto quando chego ao centro de fisioterapia. A noite mal dormida pesa nos olhos, e a lembrança do quarto de Joanne e de tudo que fizemos ainda dança na minha mente, misturando conforto e distância.
O fisioterapeuta me cumprimenta com um sorriso, mas eu mal consigo corresponder. Cada movimento da perna exige esforço, e a dor está sempre presente, como um lembrete constante da minha fragilidade atual.
— Ok, Marco, vamos começar com os exercícios de mobilidade. Tente não forçar demais, tá? — Harry bate na minha perna machucada, chamando minha atenção.
— Fácil falar — respondo, tentando aliviar a tensão. — Parece que a dor só quer aparecer quando eu menos espero.
— Normal. — Ele sorri, paciente. — O processo é lento, mas você está no caminho certo. É importante respeitar os limites do corpo. E mentalmente? Como está lidando com tudo isso?
— Não é fácil. Não só a dor física, mas a frustração de estar parado... de não poder jogar.
— Muitas vezes, a recuperação depende tanto da cabeça quanto do corpo. Se precisar conversar, sabe onde me encontrar.
— Valeu. Isso ajuda.
Termino a sessão exausto, não só fisicamente, mas mentalmente. A recuperação é mais que músculos e articulações; é também aprender a lidar com o que ficou para trás. Já comecei a aceitar que a lesão mexeu não só com meu corpo, mas com tudo ao redor.
Quando saio da sala da fisioterapia, me apoiando na bengala que Harry arrumou para mim, encontro Alice preenchendo alguns papéis na recepção. Os cabelos caem em cima das folhas, mas isso não tira sua atenção do que está fazendo.
Por um momento, hesito. A lembrança das nossas primeiras conversas ainda pesa um pouco, mas decido me aproximar.
— Alice — digo, tentando soar casual. — Preciso de uma orientação sobre aqueles exercícios que você comentou.
Ela ergue o olhar, surpresa e, ao mesmo tempo, com um sorriso acolhedor.
— Claro, Marco. Estou aqui para ajudar. Vamos sentar um pouco?
Aquele convite, simples, quebra um pouco das barreiras que eu vinha mantendo. Sento-me ao lado dela, e pela primeira vez, sinto que essa recuperação pode ser menos solitária do que imaginei.
Alice fala com calma sobre os exercícios, misturando dicas físicas com sugestões para lidar com a ansiedade que sinto quando a dor aperta. Sua voz tem aquela firmeza que me dá segurança, mas percebo um cansaço diferente no olhar dela — um peso que ela tenta esconder.
Durante a conversa, tento puxar assunto para fora do que me disseram na terapia, tentando criar uma conexão, mas ela mantém a postura profissional.
— Está tudo bem, Alice? — arrisco perguntar, sentindo que algo está fora do normal.
Ela desvia o olhar por um instante, respira fundo e responde rápido:
— Estou bem, Marco — ela sorri, tentando me convencer. — Mas o importante é que mantenhamos o foco no seu tratamento.
Sei que ela tenta afastar, preservar o espaço entre terapeuta e paciente, mas aquela resposta curta só aumenta minha curiosidade — e minha vontade de ajudar. Ainda assim, engulo a dúvida e volto a ouvir o que ela diz, tentando não ultrapassar o limite que ela deixa claro.
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IMPEDIMENTO [COMPLETO]
FanfictionDepois de meses se recuperando da lesão que o tirou da Copa do Mundo de 2014, Marco Reus se vê novamente agonizando no chão depois de colocar seu clube na final do campeonato. O diagnóstico é cruel: mais uma vez, ele está fora de uma grande competiç...
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