Dez segundos de torpor depois, ao ver os olhos do entregador fixos em mim eu acordei e raciocinei que tinha que pagar também, não iria deixá-lo pagar sozinho. Levantei pesada, como se tinha um fardo enorme sobre meus ombros, já com as mãos no bolso para pagar a minha parte. Vi que o rapaz não tirava os olhos de mim e do meu corpo, mas não me importei, estava no modo automático depois de tudo.
Peguei o dinheiro do bolso e estendi para o moço, que tocou minha mão segundos a mais que o normal, lançando um olhar e um sorriso galanteador na minha direção, então quando menos esperava senti uma mão puxar-me de supetão pela cintura. Fiquei surpresa ao ver além da tristeza, um olhar de raiva no rosto do Draco. Ele encarou o entregador como se fosse estuporá-lo agora mesmo, mas não fez isso, apenas puxou meu corpo para o seu e apertou minha cintura, fazendo com que um arrepio percorresse a minha coluna.
Não sabia falar português, apenas o Draco, então o vi dizer alguma coisa em português para o entregador, que soava como "Não olhe ou se aproxime dela, senão você irá se arrepender de ter nascido, trouxa" o que fez o rapaz ter um olhar assustado, dar um sorriso nervoso e fez ele sair na mesma hora dali, sem nem pedir gorjeta. Não entendi o que ele disse, mas conhecendo o Draco ele não foi nada legal com o rapaz.
Ouvi o Draco bufar contrariado e ele se distanciou de mim, levando a pizza para uma cadeira perto do sofá.
Eu ainda estava abalada por tudo o que ele falou e pela proximidade dele. Era estranho para mim, mas todo esse tempo eu não senti falta só das nossas conversas, eu senti falta da proximidade física que adquirimos durante esse tempo.
Nós sempre estávamos abraçados, eu deitava no colo dele, ele deitava no meu... E senti saudade disso. Senti saudade dele fazendo carinho em meu rosto, senti saudade dele sorrindo para mim quando eu ficava brava, senti saudade do simples toque dele... Eram coisas que eu não imaginava que sentiria falta, mas eu senti. E muita. Dava vontade de implorar para ele me abraçar, mas sabia que não poderia abusar, ele já me abraçou hoje, coisa que desde aquele dia – o dia do nosso beijo – não acontecia.
Sentei no sofá ao seu lado e comemos a pizza em silencio. Apesar de toda a tristeza no meu peito, senti meu rosto se iluminar em um discreto sorriso ao vê-lo pegar a pizza com a mão, coisa que ensinei a ele há algum tempo...
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Flashback on
"Vamos comer, estou faminta." Disse pegando meu pedaço com a mão e levando direto à boca.
Malfoy me olhou com os olhos arregalados em descrédito.
"Granger, deixe-me te apresentar os talheres. Granger, talheres. Talheres, Granger." Ele disse gesticulando entre mim e o garfo e a faca.
Bufei.
"Não seja ridículo, Malfoy. Nós estamos na sua casa, não em um restaurante cheio de pessoas. Não precisa ser tão formal quando vai comer. Comida até que vai, mas pizza? Pizza nasceu para ser comida com as mãos, baby." Exclamei levantando as mãos.
"Não sabia que só se deve ter modos quando se está na frente das pessoas, Granger" me disse franzindo os olhos.
"Idiota. Faça como quiser, sei que EU vou continuar comendo assim, com as mãos." disse dando de ombros.
Ele me olhou como se eu fosse um e.t.
"Só você mesmo, Granger." Ele disse negando com a cabeça.
Então quando fui na geladeira pegar outro copo de suco de abóbora, vi ele pegando um pedaço de pizza com as mãos.
Sorri com isso.
Idiota orgulhoso.
Flashback off
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Era inevitável que lembranças como essa preenchessem minha mente. Tínhamos tantas lembranças boas... Não lembrava em todos esses anos de ter ficado tão feliz e a vontade quanto nesses meses ao lado de Draco. Ao lado dele eu dava os meus mais verdadeiros sorrisos. Eu via o verdadeiro homem por trás daquela armadura fria e irônica, do mesmo jeito que ele via através de mim, e nem mesmo para o Harry eu era tão transparente assim... Mas para o Draco sim. Era como se nos conhecêssemos há muito tempo. Aprendi muito com ele. Ele me fazia querer ser uma pessoa melhor, e principalmente, ele me fazia bem. Com ele eu era totalmente verdadeira, sem filtros, me sentia livre, leve. Não tinha medo de dizer nada a ele, pois sabia que ele não iria me julgar... E apesar de tudo isso eu errei com ele e estava arcando com as consequências...
Mas isso não poderia ficar assim!
E por esse motivo, depois de mais ou menos vinte minutos de um tenso silencio, eu decidi respirar fundo e tomar uma atitude. Irei finalmente tentar me justificar e pedir perdão ao loiro que mudou a minha vida.
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VOCÊ ME AMA - DRAMIONE
FanfictionEles não se odiavam, mas também não eram amigos. Eles eram o completo oposto do outro, mas não imaginavam que ao mesmo tempo eram seu espelho. Eles não podiam relacionar-se por conta da premissa de pureza do sangue da família dele, mas depois da Se...
