Capítulo 2

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UM MÊS DEPOIS DE DIANA FALECER

POVS CHARLOTTE 

Esse era o seu desejo. Ela queria acabar com a sua vida se esse estúpido cancro se espalhasse pelo resto do seu corpo. Mesmo assim o cancro levou-a primeiro... Eu tenho que me acalmar. Eu disse tudo o que queria dizer antes dela morrer. Mas sinto tanto a falta dela... Estúpido cancro!!! Porquê ela? Onde estás tu Deus? Ela disse-me que tu estarias sempre do meu lado! E agora?!

-Charlotte?

Huh? Estava tão perdida nos meus pensamentos que nem reparei que a mãe estava a falar...

-Sim mãe, disseste alguma coisa?

-Come alguma coisa. Ficaste tão magra desde que...

-Desde que a minha avó morreu? Desde o dia em que decidiram desligar as maquinas e mata-la? Decerto foi o desgosto que a levou! 

Oh, acho que exagerei...

-Desculpa - digo arrependida. 

-Não, já chega. A tua avó fez a escolha dela. Não a conheces tão bem como eu a conheço, acredita. Não me culpes pelo que aconteceu, ela quis as coisas dessa maneira. Não voltes a repetir isso. Vai para o teu quarto. - ela diz com uma voz calma.

-Não a conheço tão bem como tu? O quê? - o que será que ela quer dizer com isso? Que disparate, passei muito mais tempo com a minha avó do que ela... Nem se falavam praticamente. 

-Vai para o teu quarto, já! - ela diz quase a gritar. 

Eu subi as escadas e subi para o meu quarto, no sótão. Sempre gostei deste sítio, é o único onde me sinto realmente bem. E finalmente sozinha. Quer dizer, não é que não seja costume... Mas é melhor assim. Ninguém me consegue compreender por agora. Os meus amigos basicamente não querem saber. Isto se eu os posso chamar de amigos. "Eles não são boas influências para ti!". Talvez a minha mãe esteja certa, talvez não. Estou completamente perdida. "Às vezes a felicidade parece estar a quilómetros de distância, mas na realidade está sempre ao teu lado, apenas tens que esperar por isso". Estou a esperar pela felicidade avó, espero que venha rápido.

Parece que estou a ouvir os passos do meu pai. Sim, é ele. Chegou, finalmente. Mas ele não me pode ver assim, é melhor limpar estas lágrimas todas, que horror... 

-Cher! - ele bate à porta- Posso entrar?

-Oh! Claro pai!

-Olá querida, como estás? Como foi o dia?

O meu pai passa parte da semana em viagens. Sinto muito a falta dele. 

-Um bocado complicado. Eu e a mãe tivemos mais outra discussão...

- Outra vez? A tua mãe está só um pouco nervosa com tudo isto. Não a julgues, ela não mostra mas é um momento complicado para ambas. - ele diz com um sorriso.

-Eu sei, às vezes não consigo controlar os meus sentimentos... E explodo. Não é por mal, mas eu vou tentar mudar!

-És uma rapariga forte Cher. - ele fala enchido de orgulho. - Estamos muito orgulhosos pela pessoa que te tornaste! Tenho a certeza que a tua avó também estaria. Estás a tornar-te cada vez mais linda, tanto interiormente como exteriormente. - ele faz-me festas no cabelo.

-Obrigada pai, fazes-me sempre sorrir. Adoro-te. - abraço-o.

-Eu também te adoro querida. Vou tomar banho. Boa noite.

-Boa noite pai.

-Ah! Não te esqueças de acordar cedo amanhã. Temos que ir ouvir o testamento da tua avó, boa noite.

-Ok, vemo-nos amanhã.

NO DIA SEGUINTE

Odeio esta porra deste despertador! Ao menos dormi bem esta noite. Já não dormia assim desde o último mês, soube tão bem.

Credo, a minha cara! Não me preocupei comigo durante estas semanas, mas realmente estou horrível. Para variar a minha mãe tinha razão, estou mesmo magra. Isto tem que mudar. E vai mudar.

- Estás pronta Charlotte? 

-Sim mãe, podemos ir.

-Desculpa a minha atitude ontem. Estava fora de mim.

- Eu também me comportei mal. Desculpa.

-Tudo bem, vamos.

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- Estamos agora a ouvir o testamento de Diana Grant Peterson, que passou todos os seus bens para a sua filha, Darcy Peterson Horan , e para a sua neta, Charlotte Alexandra Horan Ralston. Darcy Horan tem agora na sua posse Fatal wishes design, bem como um milhão de euros. "Faz cada cêntimo contar", diz Diana no seu testamento. A Charlotte Ralston foi-lhe fornecido um livro fechado a cadeado, sem nome, e também cem mil euros que serão depositados na sua conta, podendo ela apenas levanta-los, segundo a vontade de Diana, quando tiver 20 anos. É tudo o que tenho, obrigado.

Um livro? Ela deu-me um livro? Porquê? Eu pensava que ela sabia que eu não gosto de ler. E está fechado? Muito estranho. Bem, preciso de ar fresco, acho que vou até lá fora. 

-Charlotte! 

-Huh?

-Estás tão crescida!

-Tia Liliana? Tinha tantas saudades suas! Há tanto tempo!

-Eu também querida! Mas já não sou mais uma pessoa saudável, desculpa- ela diz com um sorriso cansado- Está tudo bem contigo?

-Hmm...

-Eu sei, era demasiado cedo para a minha irmã... - ela hesitou - Mas não há nada que possamos fazer. Ela partiu, mas estará sempre nos nossos corações. - a sua face torna-se triste e pensativa.

-Sim, ela está... No entanto é difícil. 

-Bem, tenho algo para ti. - ela sorri.

-Tens? - olhei-a surpreendida.

-Toma. Ela preferiu que eu a guardasse. Sabes como ela é. - ri-se. 

-Sim, sei... - faço um sorriso forçado - uma chave? 

-Sim, para o livro que recebeste.

-Pois, tens razão! - eu sorri.

-Cher, temos que ir! - gritou.

-Está bem pai!- olhei de novo para a minha tia Liliana - Bem, espero poder vê-la brevemente! Farei os possíveis para conseguir ir a sua casa.

-Sim querida, estamos sempre prontos a receber-te lá em casa. Estás quase a ficar de férias, certo? Que tal vires lá a casa uma semanita? 

-Só me faria bem. Vou mesmo pensar nisso! Vá, adeus.

-Adeus Charlotte.  

Deu-me dois estalos na cara. Por momentos fiquei a olhar para ela, mas apercebi-me de que era um costume na sua terra. Fui para casa. [NA: Era mesmo para dar um momento cómico à fic  ahah]

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Mas que livro mais estranho. Estou a morrer de curiosidade, tenho de o abrir. Mas...Onde pus as chaves? Será que as perdi? Ah, que susto, estão mesmo aqui no meu bolso. Que cabeça a minha. Ora vamos lá abrir. O quê? Um diário?!

Strange CoincidenceOnde histórias criam vida. Descubra agora