A FAZENDA STORM - CAPITULO 3

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CAPÍTULO 3

Uma sombra aterrorizante surgiu na porta da cozinha, Sr. Luiz não queria que Saulo olhasse, mas ele não sabia que apesar de não ver, o menino sentia o mesmo medo que ele.

A sombra entrou através da porta da cozinha, e um grito se ouviu.

– NÃÃÃÃÃOO! – era a voz da mãe de Saulo.

Saulo não teve tempo de olhar para sua casa, desmaiou no exato momento que ouviu o grito de sua mãe, e a sua única lembrança era de quando ainda estava inconsciente mas abriu os olhos por um instante e viu 2 corpos sendo carregados de dentro casa.

Saulo acorda após o repetido pesadelo com as cabeças no teto e a sombra do corredor. Todos os dias fica deitado por 2 horas após acordar, lembrando daquele maldito dia. Seu quarto estava empoeirado, com teias de aranha, seus brinquedos se tornaram um amontoado desordenado ao lado de sua cama, a energia elétrica havia sido cortada, estava sozinho. Quando levanta, não joga mais o cobertor no chão, apenas o deixa escorregar pelo canto da cama.

Todos os dias ele seguia a mesma rotina, plantava e comia apenas o essencial para sua própria alimentação, apenas sobrevivia. não havia mais ninguém na fazenda, os funcionários nunca mais voltaram após aquele acontecimento trágico.

Saulo caminha até a porta do quarto, olha em direção a cozinha, por onde sempre saía para ir até a horta, porem nunca teve coragem de entrar naquele cômodo novamente, em vez de sair pela porta dos fundos, ele caminhava até a porta da sala, e por ela saía. Dava a volta na casa, passava pela piscina que estava seca e cheia de entulhos que ele mesmo jogou, passava por entre o jardim que já não era colorido, apenas um chão seco e árido, dava a volta na estufa, onde também não tinha coragem mais de ir, apenas olhava seu reflexo nos vidros enquanto contornava o local, e chegava na horta.

Ali ele plantava coisas básicas como alface e cenoura, acionava o sistema de irrigação, que pegava água de um rio próximo, onde a água era limpa e potável, a mesma que sempre foi usada em toda fazenda. Sentava-se na guarita central da horta, que tinha cerca de 5 metros de altura, onde Lúcia costumava vigiar as pessoas que trabalhavam sob seu comando naquele local.

Saulo toda semana recolhia frutas e as guardava na guarita, passava o dia inteiro olhando para o céu deitado no chão da guarita, que era toda feita de madeira, quando chovia, o jovem abria o enorme guarda-chuva que era fixado no centro daquele local. A guarita era grande o suficiente para Saulo deitar com certo conforto, se ficasse esticado, apenas seus pés ficavam fora do piso. Gostava daquele local, pois deitado, não conseguia ver a fazenda, e assim ele tentava esquecer o passado.

"Faz tanto tempo" pensou. E na mesma hora algo o veio a cabeça.

– Tempo!?

Uma expressão de confuso e assustado tomou conta do rosto do menino. Analisou a rotina que viveu até ali... Havia algo errado.
Levantou-se, desceu a guarita, correu para casa, procurava algo, jogava tudo o que via pelo chão, estava decidido a encontrar alguma coisa. Correu para seu quarto e vasculhou sua pilha de brinquedos antigos, e então encontrou, um relógio em formato de foguete que havia ganhado em seu aniversário de 11 anos de seu avô, Marcos. A data marcava 20 de Abril de 1989, se passaram 3 anos e 6 meses do ocorrido. Saulo estremeceu, pensou estar louco, lembrando de mais cedo, quando estava a caminho da horta, apesar de não entrar na estufa, olhou para as paredes de vidro, e o que viu não era possível que fosse real. Não sobraram espelhos em sua casa, então correu novamente para a estufa, ainda com o relógio na mão, e deu uma bela olhada em seu reflexo na parede de vidro.

– Como é possível?!

Seu rosto ainda era de uma criança de 12 anos, olhou o relógio novamente, porém agora ele estava apagado. Saulo, assustado, o soltou no chão, voltou a olhar seu reflexo, e notou outra coisa estranha; tudo dentro da estufa ainda estava lindo como era antes.

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