prólogo

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"Preso em um limbo
Meio hipnotizado
Cada vez que deixo você passar a noite
Quando chega a manhã
Enrolados nos lençóis Trocamos este momento repetidamente"

(DNCE- toothbrush)

Já tiveram um amor não correspondido?
Eu tive. Passei minha infância e adolescência ao lado dela, sem nunca expressar o que sentia.

Já viveram um amor de infância? Daqueles inocentes, que com o tempo deixam de ser?
Meu Deus, como eu amava aquela garotinha. E como eu a desejava aos 14.

Já se apaixonaram por um(a) amigo(a)?
A amizade mais verdadeira que alguém pode imaginar - e a paixão mais pura que eu já vivi.

Jamais vou me esquecer do dia em que a conheci. Eu tinha 9 anos.
Meus pais tinham resolvido se mudar e, assim que chegamos em frente à nova casa, eu a vi. Ela brincava sozinha no quintal ao lado. Seus cabelos já eram longos. Seus olhos brilhantes me encantaram desde o primeiro instante.

Não nos separamos desde aquele dia.
Nos tornamos melhores amigos. Mais do que isso: confidentes, cúmplices.
Aos olhos de muitos, uma amizade estranha.
Júlia Mendes sempre foi diferente. Sempre foi - e ainda é - totalmente sem vergonha.

Nossa amizade era do tipo que passávamos o dia brincando até tarde e, no fim, dormíamos juntos.
Nossos pais se tornaram amigos, o que só nos aproximou mais.

O tempo foi passando, e o sentimento - uma vez puro e inocente - foi crescendo.
No amor já existente, nasceu uma atração. Um desejo.
A cada ano que se passava, eu a queria mais.
Cada mudança em seu corpo, eu notava com detalhes.

Mesmo mais velhos, não abandonamos o hábito infantil de dormir juntos.
Esses eram meus momentos favoritos - quando eu podia tocá-la, admirar cada parte de perto.
Seria ótimo dizer que, como nos livros e filmes, ela percebeu meus sentimentos.
Que fui eu seu primeiro beijo... sua primeira vez...
Mas não.

Eu fui apenas o confidente.
Sempre o primeiro a saber de tudo sobre ela.
Sabia de coisas antes mesmo da mãe dela.

Aos 13, 14 anos, já precisávamos esconder nossas noites juntos - afinal, dois adolescentes dormindo na mesma cama chamava atenção.
Mas esses momentos aconteciam sempre que um de nós precisava de apoio.
E eram, pra mim, os mais intensos.
Sempre agradeci por ela ser tão livre comigo. Por confiar tanto a ponto de dormir ao meu lado usando apenas uma das minhas camisetas largas... e uma calcinha.

Com o tempo, ficou mais difícil controlar o quanto eu a queria.
Vê-la com outros caras era tortura.
Eu ainda tinha um fiapo de esperança.
Mas quando fomos pra faculdade...

Ela começou um namoro sério.
E a tortura virou inferno.

A garotinha que conheci aos nove virou uma mulher... indescritível.
E eu, mesmo a amando, tive que aturar seus relacionamentos - enquanto desejava ser o relacionamento dela.

Pra tentar não pensar nela 24 horas por dia, comecei a sair com várias.
Todas o mais diferentes possível dela.
Enquanto ela era morena, eu procurava ruivas e loiras.
Ela era alta, eu buscava as baixinhas.
Ela tinha curvas, eu me envolvia com mulheres mais magras.

Mas os sentimentos continuavam.
Eu só tentava extravasar.
E fazia isso com noites e noites de sexo.
Mesmo assim, no final, era nela que eu pensava.
Era o nome dela que escapava da minha boca.

Então, um dia, ela veio até mim.
Disse que ia ficar noiva.

Meu mundo desabou.

Depois disso, ela foi se afastando.
Se distanciou tanto... que já faz um ano desde que sumiu.
Minhas ligações? Não atendia.
Minhas mensagens? Ignoradas.

Tentei não me preocupar.
Mas como?
Um ano.
Um ano sem nenhuma notícia.

Até que...

Bem vidos ao mundo do Nick.
Espero que gostem
Votem⭐ e comentem💭 por favor.
Bjss 😘❤

Sempre Fui SeuOnde histórias criam vida. Descubra agora