Já viveu um amor não correspondido?
Eu vivi. Passei minha infância e adolescência ao lado dela... sem coragem de dizer o que sentia.
Já teve um amor de infância? Daqueles inocentes que, com o tempo, deixam de ser?
Meu Deus, como eu amava aquela garo...
Se alguém me perguntasse qual é o meu hobby preferido, eu diria: observar a Júlia dormindo. Ver suas feições tranquilas, sentir seu cheiro. Ontem, depois do restaurante, viemos direto pra casa e simplesmente apagamos. Já passava das dez da manhã e ela ainda dormia profundamente. Estávamos tão cansados que só caímos na cama.
Eu afagava seus cabelos quando ela abriu os olhos.
— Hmm… Isso é bom. — Chego mais perto, ainda com a mão em seu cabelo, e dou um beijo em sua testa. — Tá acordado há muito tempo? — Mais ou menos. — A verdade é que já fazia mais de uma hora.
— Ontem foi uma das melhores noites. — diz, abraçando meu corpo. — Vai entrar pro top 5.
— Não sabia que tinha um top 5.
— Pois é, eu tenho. — responde, colocando uma perna sobre a minha.
— E não vai me contar quais são?
— Você realmente quer? — olha pra mim.
— Sem dúvida. — sorrio.
— Ok, então. Em quinto lugar: a noite de ontem, nosso reencontro com a juventude. Quarto lugar: aquela depois da festa da escola, quando você largou tudo pra ficar comigo. — Ela acaricia meu rosto. — Não foi nada.
— Foi sim. Todo mundo sabia que a Ana estava doida pra transar com você, e mesmo assim você ficou comigo. — Só fiz o que era certo.
— Em terceiro: a noite em que você tirou a carteira de motorista. A gente foi pra praia escondido, lembra? — Lembro. Aquela noite foi incrível.
À essa altura, já estávamos sentados, frente a frente, no meio da cama.
— Em segundo lugar: a noite dos vagalumes. Já estávamos na faculdade, e fomos pra aquele campo afastado. Tinha vagalumes por todo lado… Foi mágico. — Foi mesmo. Eu nunca esqueci.
— E em primeiro: a noite em que terminei aquele namoro no terceiro ano da faculdade. — Me lembro. Mas por quê essa? A gente nem fez nada demais.
— Porque sim. Foi a melhor noite.
— Ok… Eu ainda acho que a melhor foi a da festa da escola. A gente saiu escondido e nadou no lago, naquela água congelante.
— Cada um com seu ranking. — diz, se levantando e indo para o banheiro.
Enquanto ela caminhava, eu a observava. Ainda vestia o vestido da noite passada, que abraçava seu corpo perfeitamente. Minha mente começou a viajar… imaginei minhas mãos ali, tirando o vestido, sentindo a maciez da sua pele, colando seu corpo ao meu… O que estou fazendo? Assim que ela fechou a porta, me levantei e fui pra cozinha. Ter esse tipo de pensamento — e ainda por cima ter uma ereção na cara dura — me fez refletir.
Quando ela saiu, eu já estava preparando o café. Já tinha tomado banho e estava vestido. Ainda sentia o perfume do sabonete em sua pele. O vestido havia dado lugar a um short simples e uma blusa lisa; o cabelo, preso em um coque desarrumado.
— Amo esse cheiro de café fresco. — disse do outro lado da bancada.
— Eu também. — Evitei olhar diretamente pra ela. Ainda pensava no que havia acontecido.
— O que foi?
— Posso te fazer uma pergunta? — Ela apenas assentiu. — Alguma vez eu já fiz algo inapropriado ou que te deixasse desconfortável?
— O quê? Claro que não! — se aproxima de mim. — Por que essa pergunta?
— Nada demais. É que já faz tempo que não ficamos assim, tão próximos, e agora você está novamente dormindo ao meu lado. Eu só… não quero ser invasivo ou te deixar desconfortável. — Falei o que sentia, sem medo do seu julgamento.
— Nick… claro que não. Sempre tivemos essa intimidade. Eu sei que não somos mais crianças, mas somos como irmãos. — Talvez eu tivesse preferido que ela me julgasse. — Mesmo naquela vez em que você teve uma ereção enquanto dormíamos.
— O quê?! Quando?
— Tudo bem. Éramos adolescentes. Eu sei como o corpo funciona nessa fase. — disse rindo.
— Desculpa… Você nunca disse nada.
— Claro que não. E relaxa. — O riso dela me fez rir também. — Agora você ficou com vergonha.
No fundo, eu desejava que, por um instante sequer, ela tivesse sentido algo a mais.
— Que tal a gente tomar esse café e depois fazer seus currículos? — perguntei.
— Acho ótimo. — respondeu, pegando um biscoito do pote.
Nosso café da manhã foi mais simples do que os anteriores: pães, alguns frios e um bolo de ontem. Mesmo assim, estava delicioso — tudo parecia melhor em sua companhia. Depois de comer, nos sentamos à frente do computador para preparar seus currículos. A formação dela era boa e, sem dúvida, isso ajudaria muito. Além disso, já tinha trabalhado com pessoas bem conhecidas em suas respectivas áreas.
— Pronto. Agora é só enviar para algumas empresas e esperar. — digo, fechando o notebook.
— Isso é o pior: a espera. — Ela estava sentada no chão; eu, confortável no sofá. Mas abandonei o conforto e fui me juntar a ela.
— Não se preocupa. Em breve você vai conseguir algo. E se não conseguir… eu dou um jeito. — Ela deita a cabeça no meu ombro e estende o mindinho na minha direção.
— Promete?
— Prometo. — respondo, entrelaçando o meu dedo ao dela.
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Meus amores, voltei. Espero que esse capítulo não tenha decepcionado depois da longa espera que tiveram. Até o próximo, beijos 😘💋