8

246 42 11
                                        

Eu escutava o som de passos apressados pela casa, e isso me despertou. Depois de apenas cinco dias acordando um pouco mais tarde que o normal, voltar à rotina já me parecia um desafio. Fui despertando aos poucos; no relógio de cabeceira, vi que eram seis da manhã. Eu costumava acordar por volta das sete. Júlia não estava na cama, e a luz do banheiro estava acesa.

— Jú? — chamei, ainda sonolento. — Que correria é essa?

— Tenho uma boa notícia! — disse ela, lá de dentro.

— O quê? — me espreguicei na cama.

Ela saiu do banheiro só de lingerie.

— Nossa... — não pude evitar o comentário.

— Adivinha quem vai fazer duas entrevistas hoje? — Ela esticou os dedos, mostrando o número dois, toda animada. Aquela, à minha frente, era a Júlia que eu conhecia: tão alegre, que nem se importava com os detalhes ao redor.

— Isso aí, garota! — Sentei-me à beirada da cama. — Que horas?

— Uma às oito, e a outra às dez.

— Ótimo! Então eu venho almoçar com você, e você me conta como foi.

— Combinado! — disse com aquele brilho nos olhos que eu amo. — Vou colocar meu vestido e preparar nosso café.

Ela voltou ao banheiro e, quando saiu, estava usando um vestido preto justo em suas curvas, com um blazer branco.

— Tá linda. — Me levantei e lhe dei um beijo na bochecha antes de ir para o banho.

Debaixo do chuveiro, eu sentia o cheiro gostoso do café fresco. Consegui até imaginar a cena no almoço: ela me recebendo com um grande abraço, feliz porque as coisas estavam dando certo. Planejaríamos algo para a noite, e então tudo começaria a parecer como antes.

Vesti uma roupa mais social para o trabalho. Apesar de ser uma empresa séria, não é todo dia que vou de terno. Assim como nos outros dias, tomamos nosso desjejum sem falar muito. Hoje, no entanto, ela tinha um sorriso largo — e eu sabia que sua cabeça estava a mil, imaginando o futuro no novo emprego. Júlia sempre foi assim: qualquer possibilidade já era motivo para fazer planos para os próximos anos. Quando comecei meu primeiro namoro, ela não parava de falar sobre festa de noivado e casamento — e, por mais que eu fingisse o contrário, adorava ouvir ela planejando coisas tão bonitas.

Quando já estávamos no elevador, perguntei:

— Quer que eu te leve até lá?

— Não, é pertinho. E também não quero te dar mais esse trabalho. Ainda tenho o dinheiro que você me deu, então posso ir de táxi.

— Vou te dar mais um pouco. — Fui pegar a carteira, mas ela me impediu.

— Não precisa. Tenho o suficiente, obrigada. — Ela passou os braços pela minha cintura e apoiou a cabeça no meu ombro. Eu a apertei forte contra mim.

— Boa sorte. Quando eu voltar, vamos comemorar.

Fiquei observando enquanto ela saía da garagem, depois entrei no carro e fui para o trabalho.

O prédio alto e espaçoso abrigava várias empresas, incluindo a Alfa Publicidades. A agência era nova no mercado, mas já tinha conquistado uma boa reputação. Nosso escritório ficava no décimo quinto andar. Assim que cheguei, fui recebido por Lara, nossa recepcionista — jovem, com boa parte dos cabelos rosa, sempre trazendo alegria ao ambiente.

Fui direto para minha mesa. Já tinha trabalho esperando por mim. Duas horas se passaram — e sim, eu estava contando. Fazia tempo que não ficava tão ansioso para voltar pra casa.

Sempre Fui SeuOnde histórias criam vida. Descubra agora