5

337 39 2
                                        

— Afinal de contas, onde vamos?

— Será uma surpresa.

Enquanto ela se aprontava no banheiro, eu terminava de me arrumar no quarto.

— Isso não vale.

— Relaxa, alguma vez já te decepcionei?

— Nunca. — sua voz estava mais presente, e isso me fez olhar em direção à porta do banheiro. Ela estava lá, linda em seu vestido. — Nossa! Eu tenho muito bom gosto. — a frase a fez rir, apesar de eu não estar me referindo ao que ela estava pensando.

— Mais uma vez, obrigada. Eu adorei.

— Já disse que não precisa agradecer.

— Nick, você está me dando muito mais do que um abrigo, e eu preciso agradecer por isso.

— Eu não estou te dando abrigo, Júlia. Onde eu estiver, lá será sua casa também. — seus olhos se mantiveram nos meus por um breve instante e, logo depois, ela me abraçou apertado.

— Jamais existirá um amigo como você.

Seria muito mais que um amigo, se me permitisse, pensei.

— Sei que sou único. — brinco. — Bem, se já estiver pronta, podemos ir.

— Então vamos, estou ansiosa. — ela diz, esfregando as mãos.

Assim que descemos, percebo que ela estranhou o fato de não irmos para a garagem.

— Estou de folga e pretendo me divertir ao máximo hoje, então preferi pedir um carro pelo aplicativo. — explico, mesmo sem ela perguntar.

Entramos no veículo e entrego um papel com o endereço ao motorista.

— Você quer mesmo fazer uma surpresa, não é?

Não respondo. Apenas olho para ela e dou um pequeno sorriso. O caminho não era longo, mas também não tão curto. Entre conversas minhas, dela e algumas com o motorista, uma música começa a tocar no rádio. Se me perguntarem o nome da música ou do artista, eu não saberia dizer. A batida era leve, mas animada, e tanto eu quanto a Jú estávamos curtindo o som. Quando o refrão se repetiu, já o tínhamos decorado. Nos deixamos levar e, ali mesmo, dentro do carro, começamos uma dança desajeitada.

Os risos eram involuntários e se misturavam entre os meus, os dela e os do motorista. Ele terá uma ótima história para contar a partir de agora.

— Estamos chegando. — ele avisa pouco antes do fim da música.

Cerca de 10 minutos depois, ele para em frente ao endereço que entreguei.

— Não acredito. — Júlia diz, ainda de dentro do carro.

— Surpresa. — sussurro em seu ouvido enquanto ela olha encantada pela janela. — Espera aí.

Saio do automóvel, entrego o dinheiro ao motorista e vou abrir a porta para minha dama.

— Por aqui, senhorita. — estendo a mão para ela.

Ainda olhando encantada para o parque de diversões à nossa frente, ela vem até mim.

— Por quê? — seus olhos estavam lacrimejando, e seu sorriso era de alegria.

— Porque eu não sei dizer quantas vezes fomos felizes em um lugar desses na nossa adolescência. — digo.

— Então o que estamos esperando?

De mãos dadas, corremos em direção à entrada. As luzes coloridas e os sons traziam uma sensação de nostalgia, como se tudo aquilo me fizesse voltar aos 17 anos, tentando fazer com que ela me notasse. Os jogos, os brinquedos... não importa onde seja, um parque de diversões tem esse poder sobre mim — e acredito que sobre ela também, já que sua euforia era tão grande quanto a minha.

Sempre Fui SeuOnde histórias criam vida. Descubra agora