Já viveu um amor não correspondido?
Eu vivi. Passei minha infância e adolescência ao lado dela... sem coragem de dizer o que sentia.
Já teve um amor de infância? Daqueles inocentes que, com o tempo, deixam de ser?
Meu Deus, como eu amava aquela garo...
— Jú, eu só tenho uma cama. Então, qualquer coisa, eu fico no sofá — digo enquanto coloco suas coisas no meu quarto.
— Tá louco, Nick — me viro e a vejo sentada na beira da cama. — Por quantos anos a gente não ficou indo, pelo menos uma vez por semana, passar a noite toda juntos?
Ah... como esquecer os melhores momentos da minha adolescência.
— É que... talvez você pensasse diferente agora. Faz muito tempo desde que passamos uma noite assim. Você ainda se lembra de como era?
— Jamais esqueceria. Eu com uma das suas blusas — que já nem devem caber em mim —, um filme, lanchinhos, boas risadas e meu melhor amigo pra me consolar, sem se importar com o motivo — ela diz, e posso ver passar um filme nos olhos dela, assim como nos meus. Eu já tinha me esquecido de como era doloroso ouvir essas palavras: "melhor amigo".
— Pois é... Sabe, Jú, eu sei que você passou por um momento difícil. Mas que tal, agora, a gente tentar abstrair tudo e focar nisso? — me refiro a nós dois. — E, pra começar, você pode ir tomar um banho pra relaxar. Pode ser?
— Seria ótimo.
Enquanto ela vai para o banheiro, termino de colocar suas coisas ao lado do meu armário — provisoriamente, até arrumar um espaço pra ela. Abro uma das portas para ver o que posso tirar, e encontro as toalhas que deveriam estar no banheiro. Pego uma e vou levá-la até Júlia.
— Esqueci de te dar uma toalha — digo ao abrir a porta.
Ela estava de frente para o espelho e, assim que meus olhos repousam sobre seu corpo, um choque me atinge. Estava apenas de lingerie, o que não era novidade pra mim... mas os hematomas sim. Ela havia mostrado o do braço, e eu achava que era o único. Mas havia mais: nas coxas, na barriga, nas costas. Marcas em diferentes tons de roxo e vermelho.
— Desculpa... devia ter batido — me aproximo, entregando o pano macio em suas mãos.
— Nada que você já não tenha visto — ela olha para baixo. — Mesmo que já faça tempo — completa, com um sorriso envergonhado.
Toco a marca roxa em seu braço, e ela se assusta um pouco. Mantenho a iniciativa e levo os dedos até a mais avermelhada, na barriga. Meu coração acelera. O desejo some. Sempre fui o refúgio dela. E onde eu estava quando isso aconteceu? Com alguma garotinha na minha cama, a culpando por ter sumido. Eu devia estar com ela. Ou melhor: ela jamais deveria ter passado por isso.
— Te espero na sala.
Saio dali, mas antes de preparar algo para nós dois, deixo uma coisa sobre a cama que sei que vai trazer boas lembranças.
Na cozinha, faço alguns sanduíches simples, duas fatias de bolo e um suco de laranja. Coloco tudo sobre a mesa de centro da sala e me sento no sofá. Na minha cabeça, ela já estava demorando... então, só espero.
Quando o cheiro do meu sabonete invade o ambiente, viro e me deparo com aquele olhar mais leve... e seu corpo coberto pela blusa que deixei pra ela. Não tinha certeza se usaria, mas usou. E pra completar, uma calcinha preta simples, "comportada".
Ela mantém os olhos em mim e vem ao meu encontro, se aconchegando ao meu lado, deitando a cabeça no meu peito, ainda me observando. Era um momento onde palavras eram dispensáveis. Passei a mão pelos seus cabelos e, depois, depositei um beijo em sua testa. Uma promessa: eu estaria com ela em qualquer situação.
Ela pode nunca me enxergar como homem. Pode agir como se eu fosse seu amigo gay, dormindo comigo e aparecendo só de calcinha e sutiã. Pode até se casar. Mas eu sempre serei dela. E jamais — por motivo algum — deixarei de ser.
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