Capítulo 25

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******Camille******

A pressão da arma me fez dar um passo para trás. A mão de Humberto sangrava e o maldito controle ainda estava perto dele.

- Vadia desgraçada. Eu vou matar você.

A primeira coisa que se passou pela minha mente, foi atirar mais uma vez e foi o que eu fiz, dessa vez em sua barriga. Agora ele estava agonizando de dor. Me aproximei do controle e ele apertou meu tornozelo me fazendo cair em cima dele.

- Nós vamos queimar vadia. - disse e apertou o botão e um cheiro de fumaça começou a invadir meu nariz.

- Não vamos não, idiota. - não sei como, mas consegui me libertar e sair de cima dele.

- Me mate de uma vez Camille, você me quer morto não quer?! - disse sorrindo sadicamente.

- Quero, e eu quero a sua agonia, mais que qualquer coisa, Humberto.

- Eu sempre soube que você não prestava Camille.

- Foda-se. - lhe dei mais um chute enquanto o ouvia gritar. Atirei e não fiz questão de olhar onde acertei.

Corri pelo corredor, sem rumo certo, a fumaça tomava conta de tudo e um calor insuportável me impedia de correr mais rápido.

Que Deus me ajude a sair com vida daqui.

******Arthur******

Quando chegamos ao galpão, tudo estava em chamas, a minha mulher estava ali e ela não podia morrer. Eu não podia deixar isso acontecer.

Corremos cada um para um lado e gritei seu nome desesperadamente​.

- CAMILLE! CAMILLEEE! - comecei a chorar como o grande covarde que sou, porém, ela não me respondia.

Os bombeiros logo chegaram e com eles a imprensa. Merda.

Arrombei a primeira porta que achei e entrei no galpão, eu ia encontrar minha mulher de qualquer jeito.

O fogo estava alto e a fumaça encobria minha visão.

- O senhor não pode entrar aí, é perigoso. - disse um homem segurando meu braço.

- Se você não me soltar agora, essa será a última frase que irá dizer.

Disse sentindo meu sangue ferver. Ele me soltou e eu entrei. Senti os jatos de água apagando o fogo logo atrás de mim e comecei a tossir com mais essa nuvem de fumaça. Cobri meu rosto com o casaco que estava usando e fui derrubando tudo que encontrava pela frente. Cheguei até uma sala devastada. Estava quase que totalmente queimada. Vi dois corpos no chão e estremeci. Não podia ser Camille ali. Não podia.

O fogo ali já estava instinto. Me aproximei com certo receio e vi que realmente era um corpo feminino, olhei para seus pés e vi os sapatos da minha mulher.

- Não, não, não, não, não... - a dor que eu senti naquele instante era inexplicável. Não podia ser verdade. Nós não lutamos contra tudo e todos, vivemos tudo que vivemos, para acabar assim.

O bombeiro que havia tentado me impedir de entrar me segurou novamente antes que eu caísse no chão. Mas o empurrei e me ajoelhei ali, naquele monte de cinzas.

A raiva que eu sentia, a dor da impotência e o sentimento de culpa me consumiam. Rasguei a camisa que estava usando, joguei o casaco no chão e chorei. Como um menino assustado. Um grito aterrador saiu de minha garganta antes que eu pudesse impedir.

- Eu sinto muito pela sua perda rapaz, mas você precisa sair daqui.

Olhei para o homem que me analisava a certa distância e senti minhas vistas escurecerem.

- Me ajude a sair daqui. - ele me ajudou a levantar e me amparou até o lado de fora, quando finalmente encontrei Ricardo e vi sua expressão de esperança meu mundo ruiu mais uma vez. - Ela não podia ter me deixado, não podia.

*****Ricardo*****

Não me deixaram entrar naquela porcaria de galpão. Minha amiga poderia estar lá dentro e eu não podia fazer nada.

Quando vi Arthur sair de lá, com a roupa rasgada, todo sujo com cinzas e com lágrimas nos olhos, senti meu mundo desabar. Ele se aproximou de mim e disse:

- Eu a encontrei, mas foi tarde demais. - ele caiu em meus braços chorando como uma criança e eu só pude abraça-lo e chorar com ele. Tentei parecer forte, me manter forte, mas a dor me venceu e assim que Arthur me soltou eu gritei. Com todo o ar que tinha nos pulmões.

- NÃO, A CAMILLE NÃO. MALDITO HUMBERTO, DESGRAÇADO.

Caí no chão soluçando até que senti os braços de Paul a minha volta.

- Vai ficar tudo bem amor.

- Nada vai ficar bem, a minha amiga morreu. Minha irmã, minha confidente. Ela morreu. MORREU. Isso não podia ter acontecido. Não com ela. O desgraçado mereceu morrer assim, mas ela não.

Paul me pegou no colo, e como uma criança me colocou no carro e pôs o cinto. Pegou Arthur e o colocou no carro também.

- Nós vamos para casa, vocês vão se acalmar e dar força para a Maria. Tenho certeza que ela já deve estar sabendo.

- Tudo bem. Só.. vamos logo. Por favor.

Ouvi Arthur sussurrar antes de mergulhar na escuridão.

*****Maria*****

Ouvi o barulho de um carro se aproximando da entrada da mansão, mas me mantive estática, assim como fiquei desde que soube da notícia.

Estava sentada no sofá, tentando ver além da televisão. Ela já estava desligada, eu não iria aguentar saber “mais informações”.

- Maria? - ouvi a voz de Arthur. Não consegui responder.

Ouvi seus passos se aproximando de mim. Eu não conseguia falar ou me mexer. Me sentia vazia.

- Maria.. eu, nem sei o que dizer eu.. eu juro que tentei chegar a tempo. - as lágrimas desceram sem eu perceber. Arthur se ajoelhou a minha frente e com os olhos opacos me encarou, como se olhasse no fundo da minha alma - Perdão.

Seu pedido foi tão sincero, porém não tive reação. Ele se levantou e ia saindo quando disse:

- O corpo será liberado às 15:00. Logo após a autópsia.

Senti uma pontada no peito, como se uma faca atravessasse meu coração.

Era apenas a comprovação de que aquilo era real.

*******

Novamente, sem comentários...

Até a próxima..

Bjs da Nah!!

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Blank Space [Projeto 1989]Onde histórias criam vida. Descubra agora