****** Narrador *******
O mundo havia parado com a notícia da morte de Camille Fairchild e de Humberto Gaspar. Ricardo e Maria eram os únicos que ainda tinham esperanças de encontrar Camille viva.
Arthur se sentia inconsolável, sozinho e vazio. Queria acreditar na teoria deles, mas tinha medo de ter esperanças e se decepcionar, seria ainda mais doloroso.
Arthur decidiu que ficaria no velório. O resultado da autópsia ainda estava nas mãos da polícia, ninguém sabia realmente o que havia acontecido, se fora realmente o fogo que matara Camille.
Ele sabia do medo de Camille e pedia em seu íntimo a qualquer Deus, que aquele homem não a tivesse tocado.
*****
Ricardo, Paul e Maria seguiram de volta ao galpão. O fogo já estava extinto e pouca fumaça ainda subia de alguns pontos. As faixas policiais que deviam estar isolando o local, já não estavam mais lá. Não haviam policiais, bombeiros, nada. Ninguém.
— A polícia é completamente inútil. Nem isolaram o local. – disse Paul mais a si mesmo que para alguém específico.
— Isso me revolta também amor, mas precisamos focar. Nós vamos encontrar Camille. - disse Ricardo olhando em volta, analisando por onde deveriam começar a procurar.
— Nós podemos nos separar e tentar encontrá-la. – sugeriu Maria.
— Maria, eu já assisti muitos filmes e isso nunca dá certo. Melhor ficarmos todos juntos. – disse Ricardo achando a ideia um absurdo, mas tentando falar da maneira mais doce possível.
Com apenas um aceno de cabeça, todos concordaram e seguiram Ricardo em silêncio, por uma trilha do lado de fora do galpão.
Por mais abandonado que o lugar parecesse, a natureza tratava de cuidar de si mesma, e o verde das florestas em volta contrastava com as cinzas do galpão.
Andaram cerca de quinze minutos e nada. Mais quinze e nada.
Ricardo chorava em silêncio e Paul tentava confortá-lo com seus toques vez ou outra. Maria seguia convicta, e apesar da idade e das dificuldades do caminho, seguia em frente sem reclamar e sem perder nem sequer uma gota de esperança.
De repente ouviram um barulho vindo ao lado oposto de onde estavam. Alguém tossindo.
— É ela. CAMILLE! CAMILLE QUERIDA! SOU EU MARIA, ONDE VOCÊ ESTÁ? – Maria gritava desesperadamente e todo o controle que tinha minutos antes se esvaiu.
Paul se mantinha em silêncio e enquanto Maria chorava, ouviram novamente o ruído.
— Daquele lado. Vamos! – Paul liderou agora.
Seguiram e em poucos passos conseguiram avistar a figura feminina encostada na raíz de uma árvore grande e esplendorosa. Era uma mulher, mas ainda não sabiam se era Camille.
Paul foi na frente, se aproximou devagar e pôde confirmar. Era Camille que estava ali.
Se aproximou ainda mais e a viu sorrir e logo desfalecer.
Maria abraçou Ricardo, numa forma calorosa de agradecimento e este logo retribuiu.
Paul pegou Camille em seus braços e seguiram de volta para o carro. O caminho era longo e era difícil caminhar carregando uma pessoa, mas eles foram assim mesmo.
Chegando no carro, colocaram ela deitada com a cabeça no colo de Maria e seguiram para o hospital de confiança da família Fairchild. A imprensa não precisava saber de nada agora. Não ainda.
********
A polícia chegou a mansão Fairchild por volta das 5:00 da tarde, trazendo consigo os resultados da autópsia.
— O que fazem aqui? – perguntou Arthur, revoltado demais para ser cordial com os policiais.
— Viemos trazer os resultados da autópsia. Há algum familiar de Camille Fairchild presente no velório? – perguntou o policial, entediado. Como se passasse por aquilo todos os dias desde sempre, e talvez fosse isso mesmo, Arthur não quis pensar muito a respeito.
— Eu. – o policial o olhou de cima abaixo, com os trajes de trabalho, Arthur era só mais um segurança da namoradeira mais conhecida do país.
— Bem, você pode receber os papéis, mas duvido que seja da família. – disse com desdém. – Assine aqui e cuidado para quem vai revelar o conteúdo destes documentos rapaz.
Arthur olhou para o policial com tanto ou mais desdém com o que este o olhava, assinou, pegou os papéis e entrou para o escritório de Camille. Estranhamente aquele lugar ainda tinha o cheiro dela.
Se sentou no chão, exatamente no mesmo lugar onde tinha se sentado na outra noite, na sua última noite com ela.
E ele se permitiu chorar, como um garotinho. Chorou o quanto pôde e decidiu ler o documento.
Abriu o envelope, com medo do conteúdo. Arthur nunca tinha sentido tanto medo como agora.
— Mas que porra é essa? – disse em voz alta, esbravejando com ele mesmo.
O documento dizia que aquela não era Camille.
Então por que a polícia havia liberado o corpo antes do resultado da autópsia? Quem era a mulher no caixão? O homem que estava morto ao lado dela, realmente era Humberto?
Tantas perguntas sem resposta, mas Arthur não queria saber de nenhuma delas, exceto uma:
Onde estava Camille?
*****
GENTEEEEEEEE!!!!!!!
Eu demorei mas cheguei, espero que vocês me perdoem e apreciem a reta final de Blank Space. Até logo!
Bjs da Nah
x

VOCÊ ESTÁ LENDO
Blank Space [Projeto 1989]
ChickLitCamille Fairchild é uma empresária do ramo da moda. É a nova versão de Miranda Priestley (O diabo veste Prada). Muito exigente no trabalho (desde o funcionário da limpeza até o vice presidente). Ela é nova, tem apenas 23 anos e já herdou um grande i...