Direto Para O Inferno

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Otabek se sentou na cama e ficou me encarando. Amarrei a toalha com dificuldade na cintura, já que uma mão estava ocupada com o celular.

— Está tudo bem por aí, vovô? - apoiei-me no batente da porta, de frente para o moreno.

Sim, a Rússia está maravilhosa. Esses dias deu problema na vizinhança, mas parece que está tudo resolvido. - franzi o cenho e o DJ especulou "O que houve?".

— Que problema vovô? Algum assalto? - coloquei em altofalante para que o outro saciasse a curiosidade.

Não, pior que isso! Você não acredita! Sabe o neto da Dona Afra? Que mora na nossa frente? - encarei o celular que estava afastado do meu rosto.

— Sei. O que tem, vovô?

Ela descobriu que ele é estragado e que estava namorando um homem, pensa, que nojo! Eu ri dela! Falei que resolvi isso quando você era pequeno e que ela deveria fazer o mesmo. No final das contas, olha aí, você vai casar esse ano, já que terminou a faculdade e já esta arrumando algumas namoradinhas. - arregalei os olhos e encarei Otabek que tinha as sobrancelhas juntas.

— É-é? - senti minha garganta fechar e um nó surgir.

— Sim, não é mesmo Yuratchaka?! Quando você vier, traga sua namoradinha. Quero ver se ela é uma boa pessoa para gerar meus netos. - fugi do olhar do Otabek.

— SIm, vovô. - o DJ olhou-me assustado. — Mas, eu não tenho namoradinha ainda, desculpa.

— Pelo menos está espalhando Plisetsky's pelos Estados Unidos. É disso que eu gosto! - Otabek levantou-se e foi para o banheiro. Eu estava com vergonha.

Vergonha do que meu avô estava falando e o Beka ouvindo e vergonha de mim.

— Sim, vovô. - sentei no chão.

Yuratchaka, me de mais notícias. Você nem me ligou esses dias. - coloquei a mão sob os olhos.

— Te ligarei mais, me desculpa.

Tudo bem, agora eu preciso ir pra tomar meu remédio.

— Que remédio, vovô?

Até depois, não esqueça dos meus bisnetos. - desligou a chamada, me deixando pesado.

Senti meus olhos arderem, cocei a cabeça e suspirei alto. Olhei em volta e não achei o meu moreno. Meu? puxei levemente alguns fios e cobri o rosto com a franja loira.

— Você não consegue bater de frente com ele, não é? - ouvi a voz grave próxima.

— Não dá, eu... me perdoe.

— Não tem problema. Relaxa, foi só uma ligação.

— Ele quer que me case esse ano. - meus olhos se encheram de lágrimas.

— Você não é obrigado.

— Mas se eu não fizer isso, ele vai ficar magoado comigo! - apertei as mãos contra o rosto e me permiti chorar, senti as lágrimas escorrendo pelo braço e os soluços saindo da minha garganta. As vezes eu só queria desaparecer, nunca ter existido, nunca ter nascido nessa família.

Senti uma mão passar pelos meus braços, ele puxou levemente os meus os afastando do meu rosto. Otabek estava parado na minha frente, ele estava sério, silenciosamente passou a mão pelo meu rosto secando as lágrimas que estavam ali. Eu comecei a chorar ainda mais a ponto de velo embaçado, Beka suspirou e me puxou para os seus braços.

— Yura, você tem que pensar na sua felicidade. Casamento é algo muito sério, vai conseguir passar o resto da sua vida casado com alguém que não ama? Vai abrir mão de quantas coisas que gosta para agradar alguém como ele?

One more night - HIATOSOnde histórias criam vida. Descubra agora