Eu estava deitado no sofá com os pés em cima de Victor, ele me olhava sorrindo enquanto massageava meus pés. Ele queria me distrair, mas eu simplesmente não conseguia me permitir relaxar.Hoje é aniversário de Yurio, ele faz 24 anos. Era para ser uma data boa, com festa e eu observando Victor o perturbar. Entretanto havia completado três anos em que eu perdi o contato com ele, as únicas notícias que eu tinha sobre como estava, era por Demyan . Que evitava me informar onde diabos Yurio estava.
Demyan apareceu na minha casa a dois anos atrás, me contando quem era e que estava ali contra por um recado de Yurio. O jovem médico havia me dito que achava errado o afastamento dele e que eu merecia saber pelo menos como ele estava já que não podia dizer onde. Yurio escondia isso até dele, pelo que havia entendido.Meu celular tocou me tirando dos meus devaneios, ri da ironia quando olhei o identificador de chamadas, Victor me olhou atento enquanto eu atendia.
— Alô, Yuuri? - A voz do outro lado da linha estava animada.
— Oi Demyan. - Victor fechou a cara quando soube com quem eu falava, por algum motivo ele não suportava Demyan.
— Oi, está tudo bem? Como vai Victor?
— Estamos bem, e como você está? Achei que estava no turno nesse horário.- Victor revirava os olhos fazendo bico. Resolvi por no auto-falante.
— Ah, eu acabei de sair. Eu precisava falar com vocês. O Victor está ouvindo, né?
— Sim, ele está aqui do meu lado. Te mandou um oi.- sorri vendo Victor me olhar de cara feia. — Pode falar.
— Tem como marcamos um dia para nos encontrarmos? Preciso contar algumas novidades pra você. Se Victor quiser ir...
Victor balançou a cabeça negativamente
— É só marcar e eu encontrarei você Demyan, Victor logo fará uma viagem a trabalho.
— Ah, que pena, queria ver ele, mas então tudo bem. Amanhã você tem algo às 4 horas?
— Não, estou livre. Quer que eu o encontre na cafeteria perto do hospital?- Victor se aproximou me dando uma mordida no ombro, o olhei irritado.
— Sim, por favor. Amanhã só estarei lá ajudando quem precisa, meu plantão é apenas de noite.
— Ótimo, nos vemos amanhã. Até Demyan, bom plantão para você.
— Até Yuuri, um beijo e mande um beijo para Victor.
Quando ele desligou olhei irritado para o platinado que agora estava de braços cruzados e fazendo bico.
— Não me olhe assim Yuuri, sabe que não gosto dele.
— Sei, ainda acho isso uma besteira. Ele sempre foi gentil, e além do mais pode ser notícias de Yurio.- ele me olhou triste.
— Sinto a falta dele.
— Eu também sinto e você sabe disso.- o puxei para um abraço e enfiei o rosto em seus cabelos. — Queria nunca ter falado aquelas coisas para ele, me arrependo tanto Victor.
— Você estava nervoso, Yuri. Nunca imaginamos que Nikolai morreria e Yurio sumiria no mundo.
— Eu tenho medo do que possa ter acontecido nesse tempo. Quero saber quem é essa mulher que mora com ele.
— Yuuri, você acha que ele casou? Que o trauma foi tão grande assim?
— Eu não sei o que pensar Victor, apenas não sei.
— Se ele tivesse algo com ela, esse tal de Demyan contaria.- Victor me deu um beijo e eu me deixei levar, eu precisava ser mais positivo.
Passei o dia ansioso esperando o encontro. Demyan sempre me manteve informado sobre Yurio e algo me dizia que ele tinha mais noticias hoje. Cheguei a cafeteria próxima do trabalho do de olhos azuis um pouco antes do combinado. Algumas enfermeiras lanchavam e relaxavam depois de um turno pesado. Não demorou vinte minutos e vi o homem alto entrando no estabelecimento dobrando o jaleco. Ele parou perto da porta e colocou o jaleco mal dobrado dentro da bolsa-carteiro. Olhou em volta, cumprimentou as enfermeiras que se derreteram com o médico e me viu. Veio em minha direção sorrindo e sentou-se.
— Boa tarde Yuuri, ainda bem que veio. - ajeitou-se no lugar e chamou a atendente.
— Boa tarde, esfomeado como sempre- falei rindo da pressa em que Demyan devorava o cardápio com os olhos.
— Ah, sabe como é, depois não vou ter tempo de comer. - ele riu um pouco e fez o pedido gigante. Me entregou o cardápio e eu pedi apenas um café e um croissant. — Yurio conseguiu resolver os problemas que tinha aqui na Rússia. - juntou as mãos e ficou me olhando.
— Os problemas que você não quer contar? - o olhei com expectativa, com o coração quase saindo pela boca. — Isso quer dizer que...
— Não é tão simples para que eu possa te contar, nem eu sei direito essa parte. É coisa da Megan, sabe? - começou a devorar o lanche que chegou. Agradeci a moça e fiquei olhando para do moreno de olhos claros. — Yuri vai voltar pra Rússia. - disse entre uma mordida e outra.
Senti meu coração parar, a garganta travou. Comecei a ver tudo embaçado e pude notar que eu estava me derramando em lágrima. Meu Yurio estava voltando.
— Tem certeza disso Demyan? Não brinca com meu coração.- o outro me olhou assustado e parou de comer, pegando um guardanapo e limpando meu rosto.
— Sim, Yuuri, não chore. Ele sente sua falta, sabia? Uns dois anos atrás, ele passou por umas coisas difíceis e vocês não saiam da mente dele.
— Eu-eu me arrependo tanto Demyan.- comecei a chorar mais forte. — Só quero que o Yurio volte e deixe Victor e eu cuidar dele. E finalmente se resolva com Otabek, aquele idiota ainda o espera!- olhei assustado para o moreno quando me toquei do que falava. Demyan não sabia quem era Otabek realmente.
— Beka, não? - meu susto foi maior ainda. — Ele vai voltar, vai tudo se resolver. - sorriu amarelo e voltou a comer.
— Desculpe, Demyan. - senti meu rosto corar.
— Ah, relaxa Yuuri, eu entendo sua preocupação sobre isso. Aliás, o que aconteceu entre eles, hm? - me olhou curioso e tomou o suco.
— Achei que você soubesse, Demyan.- olhei para meu café tentando distrair o constrangimento.
— Ah, sei por cima, sabe. Mas o que aconteceu realmente? - o sorriso sumiu e os olhos azuis brilhavam.
— Ele e Yuri tiveram um relacionamento, durante a nossa viagem em Vegas.- o que mais eu poderia falar sem invadir a privacidade dos dois?
— Hm, entendi. - sorriu e voltou a comer. — Ele vai voltar semana que vem, Yuuri.
— Será que ele gostaria de me ver?- fiquei aliviado pela mudança de assunto, realmente não saberia explicar logo a Demyan a relação daqueles dois e como ainda significava muito para um deles.
— Acho que sim, Yuuri. Ele pensa que é o contrário, que vocês estão bravos com ele... - chamou a atendente para pagar a conta e pagou o que eu consumi também. Fiquei observando em um silêncio constrangedor enquanto formulava o que responder.
— Eu não estou bravo com ele! Eu e Victor morremos de saudades! Você sabe disso Demyan. Ele sempre foi como um filho nosso.
— Eu sei disso, Yuuri, o porém é se ele sabe. Eu já falei para ele sobre isso!
— Fale que quero vê-lo. Eu quero muito ver ele de novo, por favor Demyan. Seria eternamente grato você.- o outro sorriu e acenou com a cabeça.
— Vou convencer ele, Yuuri. Deixe comigo. - apertou minha mão. Sorri para ele
— Muito obrigada, Demyan.
— Não há de quer, Yuuri. Eu tenho um plantão agora. - piscou para mim e se levantou.
Vi o médico sair às pressas e alguma das enfermeiras irem junto do mais alto. Assim que o outro sumiu do meu campo de visão, me levantei quase em um pulo. Precisava chegar em casa e contar para o Victor. Saí do café e peguei um táxi. Assim que cheguei em casa, não achei Victor na sala.
— Victor, amor, onde está você? - gritei no corredor do apartamento.
— O que foi Yuuri?- Victor apareceu de pijama com uma toalha secando o cabelo.
— Me encontrei com o Demyan. - o outro juntou as sobrancelhas e continuo a secar o cabelo.
— Sim, sei disso. O que tem demais em ver esse projeto de médico?- ele fez bico.
— Ah não Victor! Vai ficar com ciúmes dele? O que eu tenho pra contar é mais importante que isso! - Cruzei os braços e o outro seguiu para a sala.
— Estou ouvindo, Yuuurii! E eu não tenho ciúmes desse cara. - vi o outro fazer bico novamente.
— Yurio vai voltar para a Rússia! O Demyan ficou de convencer ele de nos ver. - falei agitado e quase atropelei as palavras.
— Você tem certeza disso? Oh meu deus!- Victor pulou em cima de mim me abraçando.
— Sim, sim! Vamos ver nosso pequeno tigre de novo! - comecei a chorar e abraçar meu marido.
— Ele vai vir aqui? Vou prender esse garoto aqui para nunca mais fugir!- sorri em meio ao choro e o outro me acompanhou. Victor pegou o celular e começou a mexer na agenda.
— O que está fazendo?
— Vou ligar para o Otabek! Ele precisa saber que finalmente Yurio decidiu aparecer, ele está a anos esperando por isso, e eu não aguento mais ver ele com aquela cara de cachorro sem dono quando JJ fala com a gente no Skype.
— Victor! Nem sabemos se o Yurio quer isso.
— Ele não tem que querer nada. Já se passaram três anos e o Otabek não seguiu a vida, eles precisam resolver isso de uma vez por todas. Nem que seja para o Yurio o dispensar logo.- ele fechou a cara e iniciou a chamada.
— Jean?
— Vitya! Tudo bom? - pude ouvir mesmo com Victor com o telefone na orelha. O platinado me olhou e colocou o telefone em alto falante.
— Tudo ótimo, mas não é isso que eu quero falar. Otabek está aí? Tenho uma notícia ótima para ele.
— Otabek? Pera aí. OTAA! - gritou. Eu e Victor fechamos os olhos com o som da voz do outro. — Ele está vindo, vou colocar em alto falante, espera aí.
— Tudo bem. Otabek? Está me ouvindo? - Pude ouvir um resmungo do outro lado da linha.
— Oi Yuuri e Victor, estou ouvindo, o que aconteceu? - JJ mexia o celular, fazendo interferência.
— Ele está voltando, Otabek. Ele está voltando para a Rússia!- eu falei no lugar de Victor, que estava sorrindo enormemente e com os olhos embaçados.
— Yura? O Yura está voltando? Jean me de esse celular! - ouvi o outro discutir.
— Não! Finge que você não ouviu isso! - Jean falou mais próximo do celular e pude ouvir Otabek brigando com o irmão. — Por que vocês estão falando isso para o meu irmão? Esse Yurio que não veio atrás dele e agora vocês querem confundir mais ele? Tirei do alto falante, o Otabek não merece sofrer mais do que ele sofre! - fechei o sorriso e Victor me olhou assustado.
— Você é idiota ou se faz JJ? Quem é você ou eu para decidir algo pelos dois? Otabek merece saber sim, se você não percebeu o seu irmão não é feliz! Ele merece, não, ele precisa saber de uma vez por todas o que aconteceu com o Yurio durante esse tempo todos. Eles se amavam, e talvez ainda se amem e como sabemos que o Yuri não o procurou? Você não sabe de nada!- respondi de forma ríspida, me deixando levar pela raiva. Victor me olhou triste me abraçando e pedindo para me acalmar. — Você está a anos impedindo de Otabek tentar encontrar o Yurio, de por um investigador atrás para saber seu paradeiro. Agora vai impedir talvez a última chance do seu irmão de ser feliz? Não pensei que fosse tão egoísta.
— Amor, se acalme, falar sem pensar já resultou em coisas ruins! - olhei meu marido e entreguei o celular, cruzando os braços.
— Me desculpe. - JJ falou baixo. — Só eu que vi como ele ficou depois daquele hotel ou então esperando em Vancouver, só é um pouco difícil.
— Jean me dá esse celular! - o moreno gritava do outro lado. — Me desculpem pelo meu irmão.- Otabek pegou o celular.
— Não tem problema, Otabek. - Victor me olhou e entregou o celular que peguei relutante.
— Você ouviu né?! Ele está voltando na próxima semana, Demyan me encontrou hoje e contou sobre isso.
— Demyan? O amigo antigo dele? - olhei Victor e tapei a boca. — Eu vou para Rússia! Eu já estava indo mês que vem para a abertura de uma nova Blue, não tem problema eu ir um pouco antes, JJ vai depois.- sorri e senti meus olhos arderem.
— Vou junto! Não vai sozinho não! - ouvi Jean ao fundo.
— Sim, aquele amigo dele Demyan que nos dá notícias de Yurio. Espero realmente que você possa vir logo.- esconder informações de Demyan era uma coisa, mas de Otabek eu nunca faria isso. — Não sei se você já ouviu falar sobre ele.
— Entendo... Vocês não falam mais com ele? Eu não consigo contatar ele por nenhum meio, às redes sociais dele sumiram todas, tanto para mim, quanto para Jean. Tentei criar uma conta falsa e encontrar, mas nem isso. Ele simplesmente sumiu. - falou com a voz um pouco falha.
— Ele sumiu para a gente também, a última vez que falei com ele foi naquela ligação - comecei a chorar; — Quando falei todas aquelas besteiras.- Victor me abraçou enquanto eu apertava forte o celular.
— Não foi sua culpa Yuuri, é mais minha a culpa do que sua. Eu não falei para ele me esperar, eu apenas disse que o amaria, não importa o que acontecesse. - a voz do moreno falhava em algumas partes.
— Não foi culpa de nem um de vocês. - Victor nos interrompeu. — Só o Yurio sabe os motivos dele, não adianta vocês assumirem algo que ainda não foi conversado. - Victor pegou o celular em mãos.
Ouvi meu celular tocar em alguma parte da sala, então deixei Victor acalmando Otabek. Enquanto limpava as lágrimas que ainda não paravam, li a mensagem que havia recebido.
Demyan: Yuri concordou em ver vocês!
Demyan: Ele quer combinar um Jantar para conversarem.
Tapei a boca e olhei para o meu marido, chorando mais intensamente.
— V-Victor! Ele vai nos ver! - mostrei o celular para o platinado e peguei o celular da ligação com Otabek. — Otabek, ele não nos odeia mais! Ele vai vir em casa! Vem para a Rússia!
— Você me ligou para dizer isso, Yuuri. O que aconteceu?
— Desculpa Otabek, Yuuri está muito emocionado. Acho melhor eu desligar. - eu chorava de alívio abraçado a Victor. — Logo mantenho você informado.
Victor desligou a chamada e me levou até o sofá. Recebi uma mensagem de Otabek me avisando que chegaria em dois dias.
— Victor, eu não acredito. Ele finalmente está voltando para a gente.- abracei meu marido chorando em seu ombro.
2 dias depois...
Otabek chegaria hoje, eu e meu marido nos oferecemos de ir busca-lo no aeroporto. Começamos a nos arrumar para encontrar o homem que roubou o coração do menino loiro.
— Amor, essa roupa está boa? - Victor apareceu vestido em um blazer e sapatos sociais.
— Victor, nós só vamos buscar o menino no aeroporto. - Victor me olhou um pouco indignado e tirou o blazer.
— Você vai assim? - apontou para minha camiseta de estampa de porquinho.
— Ué? Não posso? - o platinado fez um bico e abriu meu armário. Enchi as bochechas de ar e fiquei encarando o que o mais velho faria. Tirou uma camisa jeans do armário e me entregou.
— Coloca essa por cima. - sorriu e me deu um selinho. Revirei os olhos e sorri. Acabei vestindo a camisa por cima. Vestimos nossos casacos de frio.
Acabamos nos atrasando um pouco e saímos em direção ao aeroporto às pressas. Victor cortava algumas avenidas e acabamos chegando ao local no horário exato. Assim que chegamos a área de desembarque, acabamos vendo um casal que acabara de se encontrar junto com a família. Senti meu coração se apertar, isso podia estar acontecendo se não fosse pela briga que tive com Yurio.
— Você está se culpando de novo? - Victor me puxou para um abraço.
— Me desculpa. - afundei a cabeça em seu ombro.
— Não peça. - afagou meu cabelo.
Não ficamos muito tempo abraçados, o painel de voos avisou que Otabek estava em solo russo. Observamos o portão de desembarque e um moreno mal humorado apareceu e veio em nossa direção.
— Otabek! - Gritei e acenei para o DJ.
Para a nossa surpresa, um moreno de olhos claros vinha atrás dele, tremendo.
— Jean?! - Eu e Victor falamos em uníssono.
— Essa coisa aí resolveu vir em cima da hora. - Otabek me abraçou e abraçou o platinado.
Jean estava de camiseta e com os lábios roxos.
— JJ como você veio sem casaco? - falei tirando o cachecol de Victor e colocando no encolhido.
— Eu falei que estava verão na Rússia e ele pensou que era Brasil. - Otabek revirou os olhos e olhou feio o irmão. Jean sorriu e piscou.
— E-Eu não s-sabia que fazia tanto f-frio aqui! - o outro batia o queixo em tremor. Victor me olhou e eu segurei o riso.
— Vamos sentar ali, assim você pega algum casaco da mala. - meu marido ditou.
— Que casaco? Ele não colocou casaco na mala. - JJ sorriu e abraçou o braço do irmão em busca de calor, que o empurrava.
Victor começou a rir e eu não me aguentei. O mais velho dos irmãos fez bico e Otabek começou a andar. Meu marido retirou o casaco pesado e colocou sob os ombros do que tremia. Andamos até o estacionamento. Victor colocou as malas na bagageiro e eu me sentei no banco do motorista.
— Otabek, você vai ficar em casa, não? - falei me virando para o moreno que tinha o semblante fechado. Nunca mais o vi sorrir depois que Yurio se foi.Não que Otabek antes fosse alguém sorridente ou que expressasse muito as emoções. porém, quem o conhecia conseguia ver a diferença.
— Sim, não conheço nada aqui na Rússia e nosso apartamento só fica pronto mês que vem. - Jean havia parado de tremer e olhava o irmão pelo rabo do olho.
— Jean, e os preparativos para a boate? - Olhei o moreno que me olhou assustado.
— Ah, isso. Eu não sei ainda. - sorriu e o DJ revirou os olhos.
— Ele veio às pressas Yuuri, não passou nem os documentos para a Rússia. - Otabek olhou o irmão que se encolheu. - ele deixou tudo na mão do secretário do Canadá. O menino começou a poucas semanas. Isso vai render problemas.
— Eu acredito nele! Eu não escolhi ele atoa! - Jean arrumou a postura.
— O menino não tem nem vinte anos e você coloca ele na GERÊNCIA da boate! Por isso eu não deixo você cuidar das coisas! - o DJ começou a levantar a voz.
— Você sabe por que eu estava responsável por isso? POR QUE VOCÊ TAVA CHORANDO POR UMA BARBIE! - Jean começou a apontar o dedo para o irmão.
— Ei meninos! - tentei chamar a atenção dos dois, mas foi em vão.
— Barbie?! Qual o seu problema Jean? Por que você veio nessa merda? Eu não te chamei!
— Para esfregar na sua cara que isso não vai dá certo! - Otabek fechou o punho e para a minha sorte, Victor entrou no carro interrompendo a briga.
— O que está acontecendo aqui? - os irmãos viraram a cara e Victor me olhou.
— Nada. - me virei para a frente e liguei o carro.
Assim que chegamos ao apartamento, Jean ficou irritando Otabek até que ele o desculpasse, o que não demorou mais de 5 minutos. Cada um dos homens se acomodaram em um dos quartos de hóspedes do nosso apartamento. Talvez, se Yurio precisasse de um lugar, ele poderia ficar no quarto que ainda estava sobrando.
Após almoçar decidi ficar na sala, lá havia uma lareira e como o dia estava frio seria confortável ler perto. Me sentei no sofá cobrindo as pernas com um coberto e peguei um livro que estava terminando, Não Conte A Ninguém estava me prendendo de uma forma incrível nos capítulos.
— Yuuri?- Tirei os olhos do livro, Otabek estava sentado no chão em frente a lareira.
— Sim? - olhei um pouco aflito para o moreno que me encarava.
— Por que Yura sumiu?
— Eu queria poder responder isso a você.- deixei o livro de lado. — Quando eu e Victor chegamos na Rússia, ele tinha vendido o apartamento, a casa do avô, largou o emprego e sumiu sem deixar qualquer informação com as meninas. - olhei para o moreno que desviou o olhar.
— Sem mais nem menos? - o moreno começou a mexer no tapete. — Tenho medo que ele tenha se esquecido de nós.
— Sim, simplesmente sumiu. Acho difícil ele ter esquecido de nós. - olhei para o moreno cabisbaixo. — Ainda mais de você Otabek, ele errou, mas nada no mundo me faz duvidar que ele realmente te amou.
— Quando eu coloquei o investigador atrás dele, ele não conseguiu achar nada. Nem online, simplesmente nada. Parecia que tinha alguém o escondendo, sabe? Jean quando soube que eu estava gastando dinheiro com isso e não obtinha resultado, me fez quebrar contrato com o homem. Então eu não pude achar quem estava escondendo ele e nem o porque disso. - me olhou com os olhos um pouco marejados.
— A única coisa que eu sei que possa fazer algum sentido é que Demyan me falou que ele estava com um problema aqui na Rússia e um amigo advogado estava resolvendo isso. E que agora finalmente está resolvido.- o DJ me olhou e tombou a cabeça.
— Que problema é esse que ele tem que sumir do mundo? Ele está fugindo de alguém? A única pessoa que ele teria que fugir, morreu. - cruzou os braços e respirou fundo.
— Não sei até hoje se foi bom ou ruim a morte desse homem.- olhei para as minhas mãos. Eu não contaria sobre a mulher a ele, poderia não ser nada e assustar Otabek atoa.
— Acho que acabou colocando uma pressão maior nele.Talvez, se ele tivesse sentado e conversado com o avô, ele estaria bem melhor. - Otabek deitou no chão.
— Yurio não falava nada com ele em plena saúde, imagine depois de um ataque cardíaco? Mas essa história ainda é muito estranha, ele sumir assim. - o moreno me olhou e concordou.
— Entendo. Por que ele voltou a ter contato com o Demyan?
— Parece que o Demyan o perturbou até voltarem a ser amigos. - ri lembrando do rapaz contando. — Como eu te disse, ele quem cuidou do avô dele.- o de orbes escuras me encarou e fez um bico.
- -Mas e daí? Pra que ele se aproximou do ex de infância? - bagunçou o cabelo.
— Demyan é gentil, e teimoso. Acho que o Yuri não teve muita escapatória. E porque não? Eles se gostaram quando criança e Yuri devia pelo menos desculpas a ele.- a cara de ciúmes de Otabek era hilária, mas tentei me manter sério.
— Ah, não sei.- desviou o olhar. — Não sei se isso parece bom- entrelaçou as mãos.
- -Não me diga que está com ciúmes da amizade deles? Você ainda nem o conhece!
— Não estou com ciúmes.- fez careta. Estava sim com ciúmes. — Só não sei se esse aí é de confiança.
— E porque não seria? Por ser o primeiro romance do Yuri? - senti a gargalhada querer sair.
— Hum. - Vi o outro cruzando os braços.
— É, você está realmente com ciúmes.
— Sim, estou.- ergueu as mãos em derrota. — É complicado quando eu não o tenho mais por perto e ele se aproxima de alguém que já gostou.
— É bonito ver como o que você sente não mudou.- sorri para o DJ. — Realmente espero que se acertem.
Jean entrou na sala e ficou olhando o irmão.
— Oi.- olhou-me e sorriu. — Voltando ao assunto, impedi que gastasse com investigador sim.- o DJ revirou os olhos.
— Ninguém te perguntou, Jean.- levantou-se e saiu da sala, deixando o irmão para trás.
— Ele não conversa mais comigo.- sentou-se no lugar onde Otabek estava.
— Você não respeita a opinião dele, sei que quer protegê-lo mas está o sufocando.- olhei sério para ele e me sentei direito no sofá.
— Eu não sei o que fazer. Nunca cuidei dele, sempre fui quem era cuidado. - abraçou as pernas.
— Você é o irmão mais velho, ele só precisa do seu apoio agora. Otabek merece sorrir de novo.
— Tudo que eu falo ele se irrita. Eu vim com ele e o voo inteiro me ignorou, colocou os fones e fingiu que eu nem estava ali.
— Você não fala simplesmente, você alfineta ele. Ainda disse que daria errado, eu escutei no aeroporto.
— Mas o Yuri me prometeu que não o machucaria e olha como ele ficou! - começou a balançar as mãos se explicando. — Otabek chorou por dias! Eu não sabia o que fazer! Eu o levei para sair e no final ele bebeu tanto que passou mal! Eu quem fazia essas coisas, não ele! - A respiração do outro começou a descompassar.
— É tão difícil para você amadurecer e ser responsável uma vez? Ele precisa de você Jean, ele ainda culpa você por ter ido resolver seus problemas e ter deixado Yuri naquela situação. Yuri errou, mas não pense que ele também não deve ter sofrido.- Jean não respondeu, apenas desviou o olhar para o fogo que queimava na lareira. — Ele precisa do seu apoio, não de alguém enfiando o dedo na sua cara e falando que vai dar errado. Ele sempre apoiou você com a Isabella.
— A Bella? - fez bico. — Ela está brava comigo faz algum tempo.
— Ela sempre está brava com você e sua falta de atitude. Só você não nota.- revirei os olhos, JJ não havia mudado nada.
— Como falta de atitude? Eu sempre trato ela bem! Ela que esconde as coisas de mim!
— JJ! Você só não é mais lerdo por falta de espaço!- eu estava sacudindo o moreno pelos ombros, a paciência tinha ido embora. — Quando vai notar que Isabella ama você? Ela te ama desde que aprendeu o alfabeto se duvidar, eu estou a anos esperando você notar isso, imagina a pobre moça! Imagina quantas vezes Otabek já não te disse isso?
— O que? Então o cara que ela gosta sou eu? Ai meu deus! - tapou a boca e me olhou arregalado.
— Agora entendo porque Otabek quer sempre bate em você.- o outro sorriu e coçou a cabeça.
— Acho que vou ligar para a Bella. - se levantou sorrindo.
— É, às vezes sou um ótimo cupido. - falei sozinho sorrindo para ninguém em específico.
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One more night - HIATOS
FanfictionYuri Plisetsky é um jovem recém formado no curso de sonhos do avô. Vive uma vida que não escolheu e luta diariamente contra ensinamentos que lhe foram impostos quando criança. Yuuri é seu amigo de faculdade e depois do casamento com o Piloto Victor...